31 de janeiro de 2009

Pequenos prazeres em Lisboa




Chegar atrasado à estação do Cais do Sodré, olhar mais uma vez para o relógio, descer as escadas rolantes a correr, tirar o passe da carteira em andamento, passar pelas portas de controlo, correr mais um pouco até ao último lance de escadas, ouvir toda a gente a correr atrás de ti... os ténis, as chinelas, as botas e os saltos altos.
Saltar para o último patamar, ouvir aqueles três apitos, e entrar no metro mesmo no instante em que as portas se estão a fechar!
Encostar a qualquer coisa, e depois olhar em redor para toda a gente à nossa volta, olhar as caras, as expressões, as roupas, os sacos e os apontamentos.
Depois desfocar o olhar para os pés de alguém, até que nos apercebemos que aí somos nós o alvo das atenções.

28 de janeiro de 2009

SMS


Impossível continuava a ser, não sorrir de cada vez que olhava para o telemóvel e lia no remetente da mensagem recebida, o nome dela.

Estranha continuava a ser, a sensação que se formava dentro dele quando lia a mensagem.

E incompreensível era a ansiedade que sentia, quando acabava de a ler e ficava na expectativa, sem saber quando viria a próxima!

Ele continuava a tentar convencer-se de que não gostava dela!

Pela boca dizia que não sentia nada, mas o interior continuava a pulsar, como um puto na expectativa de uma nova prenda, de cada vez que a hora de estar com ela se aproximava!

Estaria ele a perder qualidades e o exterior era apenas uma negação fraca do que o interior lhe dizia?

O telemóvel voltou dar sinal de mensagem e o mundo voltou a parar!

Aquele beijo



Já começavam a romper os primeiros raios de sol depois de um leve aguaceiro que nos deixou completamente molhados.
Parámos a nossa corrida e recuperámos fôlego mesmo em frente ao elevador da bica, que ali deixava meia dúzia de turistas encalorados, todos eles empunhando orgulhosamente as suas máquinas fotográficas.
Sorrimos um para o outro e prosseguimos até à primeira travessa que apareceu. Era estreita, mal passava um carro, mas era perfeita para nós.
O chão ainda era de calçada e as fachadas da rua nitidamente queimadas pelo tempo.
Subi-te para cima de um alpendre que dava entrada para um prédio antigo, como se te quisesse esconder e guardar só para mim.
Tinhas os cabelos completamente molhados, que cobriam aleatóriamente os teus olhos e parte da tua boca.
Afastei-os.
Aproximei-me e senti a tua respiração ofegante.
Olhei-te nos olhos, e assim nos mantivemos por segundos, a aguentar aquela tensão, até ao momento em que tu desvias-te o olhar para os meus lábios...

27 de janeiro de 2009

Perdidos e achados



Algo que me transcende completamente, é a capacidade que determinadas pessoas têm para decorar o local onde deixam o carro no parque de estacionamento de um Centro Comercial.
Aquela coisa de dividir por pisos, cores fluorescentes e letras até está bem pensado, mas quando eu vou a subir as escadas rolantes já me esqueci completamente do dito código que me diría onde ficou o meu carro.
Sim, porque se não fosse esse meu... problema, ontem não tinha que passar pela vergonha de me dirigir a um segurança a pedir ajuda, porque não encontrava o meu carro no parque de estacionamento.
Bem, o que é certo é que ele lá pegou no seu walkie-talkie e mobilizou imediatamente uma equipa de busca e salvamento.
E não é que 20 minutos depois e vários pisos percorridos lá demos com o carro?
A ver se serve de emenda.
Para a próxima... escrevo as cordenadas! Nem que seja no telemóvel!

23 de janeiro de 2009

Recruta!


Caros leitores, finalmente vamos dar-vos a oportunidade de passarem para o lado de cá!
A ideia é criar um novo blog com outro formato...
Criar um blog de actualidade, onde se fala de música, livros, política, casos actuais, cinema, etc. mas para isso precisamos a recrutar mais mão de obra. ;p
O que procuramos é alguém que esteja disponível para escrever um post por semana dentro dos moldes em que definirmos posteriormente o blog.
Então interessados?
Deixem a vossa candidatura como comment.
Só têm de dizer que aceitam o desafio, deixarem a vossa experiência em blogs (blogs em que participam ou participaram) e uma forma de vos contactarmos...

Esperamos por vocês...

P.S. – Não se assustem este irá continuar igual...

22 de janeiro de 2009

O meu pai e o YouTube



Como explicar ao meu pai o que é o YouTube?

Eu - Olhe, vi uns vídeos no YouTube, lá da terra quando aquilo estava cheio de neve...
Ele - Quê?
Eu - Sim, uns vídeos, na internet com a vila toda coberta de neve.
Ele - Oh, isso da "inTRanet" é só maluqueiras e droga, estou farto de vos dizer, mas vocês passam horas ali agarradinhos à porcaria da "televisão" e a carregar nas teclas...
Eu - Mas qual droga? Alguém falou em droga?
Ele - Sim, e os raptos é porquê? Vem nos jornais todos os dias a avisar... vocês estão a falar sem saber quem está do outro lado a responder! É a pior porcaria que inventaram!
Eu - Raptos? Que eu saiba já haviam raptos antes de existir internet! O que eu estava a dizer é que fizeram um filme lá da terrinha quando aquilo estava tudo coberto de neve, e eu fui a um site e vi lá.
Ele - Mas para que é que eles agora querem isso?
Eu - (Mas eles quem? Alguém falou em "eles"? - penso eu)
- Aquilo é um filme lá da vila que puseram na internet, e eu fui lá hoje e encontrei o filme, não quer ver?
Ele - Hã?! Dá para ver? E como se chama isso? Se calhar é tudo foto-montagem...!
Eu - (Foto-montagem? Por amor à Santa! - inspira, expira! Calma Zapporsson)
- Não, qual foto-montagem?! Aquilo é mesmo um filme verdadeiro, mostra lá o jardim, o parque infantil e o carro de bois feito de pedra que está em frente à Igreja e vê-se a neve a cair!
Ele - Onde está isso?
Eu - Está no YouTube.
Ele - No ITube? ( épá, assim não vale, desisto - penso eu)
Eu - Sim, é uma espécie de "Isto Só Vídeo". As pessoas mandam para lá os vídeos e a internet guarda-os. Depois escrevemos aqui o nome dos vídeos e isto procura automaticamente como na lista telefónica.
Ele - Hum...
Eu - Play!


(Mais uma brilhante explicação Zapporsson! Palmas para mim... Obrigado, Obrigado, Obrigado.
E pronto, acho que esta equivale à paciência que o meu pai teve naquela manhã cada vez mais longínqua, para me ensinar a andar de bicicleta com apenas uma rodinha! Lembro-me dessa vitória como se fosse hoje !)

19 de janeiro de 2009

Silêncios



E será assim, que sem me aperceber, ele vai chegar...
O dia.
Contigo irei de braço dado, só nós dois, na companhia de todos os que nos rodeiam...
Os pensamentos.
Debaixo de um guarda-chuva, encostados um no outro, aqui e ali.
Trocamos um apertão,
leve,
porque, só isso basta.
Assim vamos andando, num silêncio mudo e surdo que ambos toleramos como de se um diálogo se tratasse.
Quando assim for, saberei que para sempre será.
Porque,
Se lá fora chove contínuo, cá dentro bate o sol, e é de chapa.

Ele há coisas...



Uma das coisas que sempre me intrigou no mundo da rádio, foi o grande poder de adivinhação dos locutores do momento exacto em que se inicía a música cantada propriamente dita.
Não são bastas a vezes, em que uma música começa a tocar lá em ton de fundo, enquanto o locutor vai dizendo umas palavrinhas cirurgicamente cronometradas (só pode), que terminam sempre no momento em que o cantor inicia a sua cantoria.
Eu sinceramente só vejo uma solução, e é muito rebuscada.
Imagino um cronometro em contagem decrescente que vai indicando o tempo que falta para o momento crítico, mas o que não consigo perceber, é a descontracção com que o locutor inicía um assunto já depois da música ter começado, ainda se dá ao luxo de fazer perguntas, de as responder, e mesmo, mesmo quando o cantor está para entrar, ele acaba descontraidamente a conversa, de um modo tudo menos forçado, assim como se não fosse nada com ele...
Se me dissessem que tinha 20 segundos para falar, e que os tinha que falar todos e com uma conversa lógica, acho que faria como nas antigas aulas de educação física no salto em comprimento.
Acelerava tudo logo de ínicio, até me aproximar da linha de chamada, altura em que teria que fazer pastelar a corrida para acertar a última passada com o pé direito.
Defenitivamente, este poder é algo que me ultrapassa.

18 de janeiro de 2009

Conta-me como foi



Já tardava o regresso desta série televisiva aos serões de Domingo.
Sempre dei e continuo a dar a mão à palmatória, no que diz respeito à forma sublime como é retratada a vida de uma família Portuguesa nos anos 60/70, naqueles pequenos 40 minutos de televisão.
Mais fidedigna e às vezes chocante de tão real, é a descrição do dia-a-dia daquela família, onde é impossível não nos identificarmos com praticamente todos os problemas/desafios que aquelas personagens "vivem", desde o mais novo ao mais velho.
Sublime, sem quaisquer tipo de dúvida, actualmente, a melhor série de televisão Portuguesa.
Hoje à noite... na RTP1

15 de janeiro de 2009

Música do dia - "Stepping Stone"



Hoje é claramente um dia de Stepping Stone!



Chuvoso, como a tua não-presença.
Abusadora de um resto de mim, molhado e escorrido,
mas nem por isso mais lavado de ti...
Uma não-presença, nem breve nem distante.
Uma não-presença seca, amarga e constante...

14 de janeiro de 2009

Ser Enfermeiro



Estou cada vez mais apaixonado pela minha profissão.
Tenho o privilégio de ser aquilo que nunca pensei poder vir a ser, Enfermeiro.
Sinceramente não sabia para aquilo que vinha quando entrei no curso de Enfermagem, mas estou de tal forma viciado nesta profissão que não me vejo a fazer mais nada na vida.
Mas como em todas as profissões há um lado menos bom... e aquele que vejo hoje resume-se ao meu medo, de que no meio das dezenas de pessoas que atendo todos os dias com a idade dos meus pais, se encontre lá um dia... algum dos meus pais.
Ter a consciência desta possibilidade, e a noção real do que pode implicar essa possibilidade às vezes assusta.
Vou tentando viver a saúde deles, a minha e a de todos. Acho que é a melhor forma de arranjar forças para um dia combater a doença (caso ela apareça).
Não sei se os meus pais pensam nisto, e será quase certo que nunca lerão este texto, mas uma coisa é certa.
A vida existe com um claro propósito: o de ser vivida, não apenas na extravagância dos nossos amigos, mas também na pacatez da nossa família.

11 de janeiro de 2009

O vidro!


Estava cansado!

O dia não tinha sido fácil... depois de quatro horas de sono mal dormidas, dezasseis de trabalho deixavam-no num estado de semi automatismo. Ficava controlado quase só pelo instinto.

Foi esse instinto que o levou até ao lugar onde tinha deixado o carro nessa manhã bem cedo e o fez entrar, colocar a chave na ignição e ligar o rádio bem alto.

Só quando ia a arrancar reparou que o calor do seu corpo contrastou com o frio que se fazia sentir na rua, embaciando o vidro e deixando antever vestígios de uma noite passada.

Foi uma noite também ela guiada por instintos e semi automatismos, não estivesse ele como agora saído de um dia 4/16!

Fazendo uma revisão dessa noite passaram-lhe várias coisas pela cabeça.

Pensou que tinha sido apenas um momento. Pensou que tinha sido “o momento”. Pensou que tinha sido só mais uma pessoa que conhecera (pois a bom da verdade, não lhe tinha chamado à atenção até ali). Pensou que era a pessoa que procurava.

E naquele momento, lendo o seu nome no vidro embaciado as perguntas continuariam sem resposta.

9 de janeiro de 2009

Mente Feminina


Continuo sem perceber a vossa linha orientadora de pensamento.
Aqui à atrasado, disse a alguma de vós: "tens umas bochechas que dão vontade de apertar", eu que na minha mente inocente, pensei que estaria a dar um elogio, não!
Fui imediatamente acusado de insulto porque no fundo ( segundo ela) o que eu queria dizer com tens umas bochechas "apetitosas", seria: estás é a ficar gordinha...
Digam-me que resposta é que poderei dar a isto?
Não dá, simplesmente não dá!
Começo a não saber que mais dizer quando me dirigir a uma rapariga, uma vez que qualquer palavra que sai da minha boca é imediatamente distorcida.
Posto isto, não tive outra alternativa senão deslocar-me novamente à Vila dos pedidos mais estranhos.
Vesti um kispo, umas botas para a chuva, um chapéu de aba bem bem larga e fiz-me à estrada.
A vila estava diferente, pelos vistos tinham andado em obras à pouco tempo. Vejo que alargaram os passeios e fizeram na praça principal dois campos de jogo orientado. Num joga-se ao "mata" e no outro aos "policias e ladrões", realmente só mesmo aqui nesta vila é que se vêm miúdos na rua...
Deu-me cá uma vontade de ser ladrão outra vez...
Ao fim de uma pequena procura lá encontrei a "Rua dos Vários Caminhos" e uma extensa fila de homens que fez lembrar as que temos na nossa loja do cidadão... algo me disse que tinha encontrado o que procurava.
"Gabinete de apoio ao homem incompreendido", era assim que constava no letreiro à entrada do estabelecimento.
Dirigi-me ao senhor das informações...

Indivíduo (I) - Bom dia, eu queria apoio legal numa questão de má interpretação por parte do sexo feminino.
Senhor das Informações (S.I.) - Bom dia! Está no local correcto, mas informo-o já que tem um tempo de espera de cerca de três horas.
(I) -Três horas?! Então mas porquê?
(S.I.) - Pois, suponho que pela mesma razão que o senhor está aqui. O estabelecimento está a ficar sem capacidade de resposta nos últimos tempos. Actualmente os homens começam a sentir algo que dantes nunca existia. Não porque as mulheres do antigamente compreendiam os homens, mas talvez porque agora eles precisam que elas os compreendam, e como o senhor deve compreender, nem sempre é uma coisa fácil de acontecer.
(I) - Quem já não compreende nada sou eu! Mas você está do lado delas? É que com esse palavreado todo, fiquei na mesma.
(S.I.) - Eu já sei o que o preocupa... não sei se reparou, mas pessoa mais informada que eu não existe...
(I) - Já se deixava era dessas piadas sem graça nenhuma!...
(S.I.) - Olhe, para a próxima não lhe fale das bochechas... Diga-lhe logo que ela o deixa maluco. De meias palavras estão os discursos dos encalhados cheios. E que eu saiba, barco encalhado no porto nunca atracou.
Por isso, como já vi que você é mais um encalhado, só tem uma opção, avançar! Claro que em barco encalhado, facilmente o casco pode romper e começar a meter água, mas se o porto não estiver muito distante...
(I) - Pois, mas eu não quero chegar ao Porto nem muito menos a Lisboa. Apenas fiz um comentário sobre as bochechas de uma rapariga e sou logo incriminado, porque segundo ela: se disse 8, queria dizer 80, não tive foi oportunidade de acrescentar o zero "0".
(S.I.) - Mas tenho que ser eu a ensinar-lhe tudo? Esse tipo de comentários são proibitivos para o sexo feminino.
Expressões como "tens umas bochechas que dão vontade de apertar" , "até que enfim que enches as calças", " a tua anca dá vontade de agarrar" e "quando é que vens correr comigo?", são logo mal interpretadas.
Na mente delas apenas têm uma tradução: Estás a chamar-me gorda!
(I) - Então e que faço eu perante esse fenómeno?
(S.I.) - Se lhe dissesse a solução acha que eu ainda teria emprego? Claro que não! Pergunte-lhes a elas, pode ser que tenha alguma sorte...

Ou então... três horas...

4 de janeiro de 2009

Ride the Wild Surf

Crepúsculo

Para ser sincero e para meu espanto, não me senti tentado a adormecer numa sessão da meia noite.
Não que o filme tivesse muita acção, mas lá que ele é bom, é!
E dá cá uma daquelas sensações do livro ser tanto, mas tanto melhor...
Sabia que falava de vampiros e só por isso esperava outra coisa, não sei, algo mais violento e com menos substrato. Mas surpreendi-me quando encontrei uma história com pés e cabeça, em que por momentos queria acreditar que alguma coisa até pode ser realidade, principalmente com um desempenho brutal destes dois da fotografia.
Vou ter que ler os livros...

2 de janeiro de 2009

Ainda acerca de desejos



Este ano não fiz nenhum.
Bem lá no fundo começo a achar que prefiro nunca alcançar nada.
Se calhar prefiro continuar incessantemente a lutar por algo que um dia não desejo alcançar.
Assim continuarei a viver, porque o que dá real sentido à vida é a busca e não a conquista.
Quero buscar a felicidade, quero buscar o completo, quero buscar o perfeito, quero buscar o grande, quero buscar o sol e o sorriso.
Porque sei que se me encontrar um dia com a tristeza, o sentimento de incompleto, a imperfeição, o pequeno, a noite e o choro, não lhes vou falar.
Não foi à procura deles que eu vim.
Por isso adeus lhes direi um dia, porque a outros espero dizer olá.
E assim vem mais um ano, para uns com desejos, para outros sem ilusões e para outros ainda apenas com vontade de viver o dia-a-dia com aquilo que lhes for dado...

1 de janeiro de 2009

Feliz 2009


5…4…3…2…1…1…Feliz Ano Novo

Bate a meia-noite e o nosso inconsciente, conscientemente, vira uma página imaginária, pintada de recordações boas e menos boas, lembranças inesquecíveis e memórias que, por vezes, é óptimo partilharmos com os nossos próprios botões…
O calendário chegou ao fim mas rapidamente é substituído, e a página há pouco colorida é trocada por outra, ainda em branco, embora uma apreciação mais detalhada nos permita encontrar aqui e ali pequenos esquissos, projectos e esboços que delineamos mental e discretamente, enquanto deglutimos as 12 passas tradicionais…
Afinal de contas, tudo fruto da nossa imaginação, a noite da viragem, 365 dias que ficaram para trás, outros tantos que nos esperam, tudo…mas enfim, festa é festa!
Tudo de bom para todos, neste primeiro dia do ano, resta apreciar o passado, aproveitar o presente e acreditar no futuro!