29 de junho de 2009

Bem haja



Venho mais uma vez por este meio agradecer, a todos os anónimos que de uma forma dedicada e tão carinhosa têm unido esforços no sentido de enriquecer o património de riscos na pintura do meu automóvel.
Quero aqui manifestar o meu sincero bem haja pelo benfeitor que hoje tão bem deixou vincada a sua obra. Fê-lo no parque do LIDL arremessando artisticamente um carrinho de compras a favor da traseira da minha máquina. Não sei como lhe agradecer por tal gesto...
Agora sim começo a captar uma harmonia marcada naquela pintura.
Ainda procurei saber junto dos responsáveis do supermercado se haviam filmado o autor, para lhe telefonar a agradecer e quem sabe enviar um cheque de gratificação, mas para tristeza minha tal não aconteceu.
Quando assim é, fico feliz! Alguém anda aí por esse mundo fora espalhando amor pelo parque automóvel e mesmo assim não quer ser reconhecido por tal.
É de louvar!


PS -Aguardo ansiosamente pela próxima visita.

28 de junho de 2009

Comunicado - Parte III



O sol já se começava a pôr e a viagem passou-se rapidamente, tínhamos ido o caminho todo na palhaçada e sem dar conta lá chegámos à Vila dos Pedidos Mais Estranhos...
Sem grandes demoras, entrámos Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos e tentámos fazer uma cara seria, tal qual três pessoas integras como eles haviam pedido.
Atendimento - Senha sete!
Zapporsson - Olha, somos nós. Vá não se riam agora, cara séria!
A - Faça o favor de dizer...
Z - Bem, eu venho aqui para revogar uma decisão tomada pelo vosso departamento, que me tem impedido de continuar a escrever no Blog que nós três temos. Bem sei que me pediram cinco, mas eu trago duas testemunhas claramente idóneas, que podem comprovar a minha capacidade para voltar a escrever de uma forma mais ajustada aos valores que a vossa Sociedade defende.
Olhei de relance e tanto o Cephas Zoth como o Walter Love estavam a fazer um esforço para não se desmancharem a rir.
A - Só um momento então, vou chamar o meu supervisor...
Fogo, não se riam! Trinquem os lábios se for preciso, senão estou tramado.
Supervisor - Bom, então são estas as duas testemunhas que tem a apresentar em sua defesa?!
Z - Sim, porquê?
S - Bem, uma vez que eu conheço bem as testemunhas em causa e dado que as mesmas não têm qualquer antecedente, concedo-lhe nova permissão para voltar a escrever com pena suspensa por mais dois meses. Ou seja, qualquer outro desvio no propósito da sua escrita será severamente punido, pelo que o aconselho a ter mais tento no que escreve...
Z - Sim! Terei com certeza, não duvide disso! Muito obrigado, mesmo!
É tudo então?
S - Sim, é tudo... Juízo, e bons posts...
Saímos rapidamente cá para fora e eles desmancharam-se a rir...
Z - Fogo, que foi?
Cephas Zoth - Mas eu disse alguma coisa?
Z - Não, mas não páras de rir...
Cephas Zoth -Mentes tão bem!
Walter Love - Que foi?! É mentira? É mentira?
Z - LOL

20 de junho de 2009

Voo 447


Naquele dia sentia-me estranhamente feliz…
Assim que acordei aflorou-se um sorriso na minha cara.
Por um lado não dava para entender até porque era o último dia daquelas férias, mas por outro tinha sido nestas férias que tinha ganho uma nova vida. Tinha sido nestas férias que me tinha libertado de muitas das dúvidas e fantasmas que me ocuparam a cabeça até então.
Foi por isso com toda a descontracção que tomei o banho matinal, vesti uma t-shirt, pus uns calções, calcei as chinelas e peguei nas malas em direcção ao aeroporto.
Mais uma vez me senti estranho pois o tempo dispendido em check in’s e entrada no avião passou num ápice, sem tempo sequer de folhear toda a revista pousada por um outro alguém na sala de embarque.
Conforme me sento mais um sorriso se aflorou na minha face quando reparei que, uma jovem que faria qualquer homem lançar um piropo, olhava para mim com um olhar penetrante, corando ligeiramente quando os nossos olhares se cruzaram.
Estranhamente indiferente, deixei-me ficar. Estava feliz!
Já tínhamos saído do continente quando me deu a vontade de escrever.
Liguei o PC conectei-me ao blog que tinha à anos com mais dois colegas e comecei a escrever sobre aquele estranho dia.
Já o texto ia a meio quando a confusão se gerou no avião. Algo não estava bem!
Estranhamente não me mexi… continuei a escrever, e o mais estranho é que mais uma vez o sorriso apareceu no meu rosto.
Passado um tempo já todos sabiam do inevitável, e o inevitável passava pela queda do avião.
Enquanto todas as pessoas à minha volta se deixavam engolir pelo pânico eu procurei a lista telefónica.
Escrevi a primeira mensagem para a pessoa mais importante para mim com um simples “Amo-te”.
Seguiu-se outra sem sequer ter de procurar muito, com um “Cuida do pessoal ai em casa!”
Depois fiquei a pensar nas pessoas para quem ainda queria mandar correndo o risco de não conseguir mandar para todas. Já que estava no R mandaria uma a dizer “Gostava de ter partilhado mais contigo.”, saltaria rapidamente para o P onde deixaria uma a dizer “O passado influência directamente o presente e o futuro.” no S deixaria o típico “Tem juízo”, M diria apenas “Tiveste nas mãos o poder de mudar o meu coração.”, no W um “Queremos rápido putos a correr à nossa volta” e no Z um “Voltarei quando voltares.”.
Quando ia fazer a tentativa de enviar uma geral a dizer o meu típico “Até…” reparei que estava em queda livre.
Enquanto carregava no botão “publicar postagem” um sorriso aflorava no meu rosto e uma lágrima caia pelo último post.

19 de junho de 2009

Instigação 4 - A verdade escondida


Ver Instigação 3

Hoje falei com o meu melhor amigo…contei-lhe tudo, o meu caso, o meu medo, o meu impasse, a gravidez, o meu pânico…precisava de ajuda, mas seria melhor se tivesse recorrido a outra pessoa, ou mesmo se tivesse guardado este assunto só para mim. Ele veio com aquela conversa de, qual é o homem que nunca traiu…? Ora, que desculpa tão fácil e esfarrapada…cortei logo a conversa por ali…
O pior é que ele confessou-me que já traiu a sua mulher, continua com ela, e por vezes a sua fraqueza ainda fala mais alto e ele simplesmente cede…fiquei estupefacto, porque ele parece uma pessoa tão…sei lá…nunca me passou tal coisa pela cabeça, ainda por cima parecem um casal tão feliz, com filhos…Bolas, eu não quero ser assim, mas parece que agora é um pouco tarde demais.
Sete meses já lá vão, e para dizer a verdade tenho-a amado mais e mais…estou a dar o meu melhor, não no sentido de a compensar (até porque ela não sabe de nada) mas porque ela merece tudo o que um homem pode oferecer a uma mulher…
Já é final de tarde, e acabei de decidir que vou fazer-lhe uma pequena surpresa…
1º - Liguei à florista habitual e encomendei sete rosas, num arranjo em forma de leque.
2º - Tomei um banho rápido e vesti a camisa que ela me ofereceu no aniversário.
3º - Telefonei ao restaurante onde a levei pela primeira vez, no início do nosso namoro, e reservei mesa para dois, apesar de sermos três.
4º - Enviei uma mensagem anónima que dizia: «Às 19h35 alguém te espera em frente à tua porta de saída…olha em frente, no outro lado da rua».
5º - Peguei no carro e arranquei…
Não podia chegar atrasado, senão tudo isto deixaria de ter a sua piada…
19h30 e lá estava eu, de ramo na mão, com o coração cheio de amor para dar, ansioso, confesso…mas o tempo passou num instante e…
…19h35, em ponto, lá estava ela, linda, linda como sempre…fez aquele olhar de quem diz: “Tolo…só podias ser tu…”, enquanto eu fiz o gesto de quem responde: “Sim, sou eu mesmo…o palhacinho de sempre”.
Ela desceu as escadas numa correria, que me assustou…avançou sempre a sorrir e a fixar-me nos olhos…mas havia algo estranho…dava a entender que iria atravessar a estrada sem fazer aqueles gestos com a cabeça, que aprendemos quando temos cinco anos…e o certo é que não os fez e vinha um carro…que não a viu…e aconteceu o pior…
Deixei cair as flores e não consegui sequer dar um passo…mil imagens passaram pela minha cabeça…enquanto a multidão rodeava a vítima…
- Rápido, chamem uma ambulância – dizia uma voz masculina aterrorizada.
Não sei como, nem porquê, pegaram em mim e levaram-me para o hospital, e só ali saí do estado de choque e comecei a procurá-la por todo o lado, gritando:
- Ela está grávida, ela está grávida…
Prontamente, dirigiu-se a mim um médico que me deu a pior das notícias…ela esforçou-se o mais que pôde mas perdera muito sangue, mas o seu esforço não foi em vão, porque havia alguém que ainda não tinha dado a sua última palavra…
Agarrou-me no braço e encaminhou-me para uma sala, dali passamos por vários corredores e portas, continuávamos a passos largos, mas eu já estava perdido…perdido no tempo, perdido no espaço e perdido na pessoa, chorava incontrolavelmente, porque não foi nada disto que eu sonhei para mim…nem para ela…
A culpa era toda minha…se eu tivesse combinado às 19h36, ou mesmo se não tivesse combinado nada…ainda teria a mulher que mais amei nesta vida…se eu pudesse voltar com o tempo atrás…tinha ainda tanta, mas tanta coisa para lhe dizer, queria dizer-lhe o que sinto por ela, o que ela representa na minha vida, queria dizer-lhe que…
- Chegamos, pode entrar. – informou-me o médico, interrompendo o meu sofrimento.
Aproximei-me lentamente e fui apresentado a um ser que era pouco maior que a palma da minha mão…ali estava ele a lutar pela vida…o meu filho…filho de um amor (quase) puro e de uma verdade escondida…


Fim

16 de junho de 2009

Comunicado - Parte II


Já tinha sentido esta sensação de leveza, mas ainda não me tinha habituado ao transporte férreo transmural. Consistia numa manutenção da matéria física num determinado local e durante um determinado espaço de tempo, onde apenas a mente se deslocava, permitindo assim a permanência de dois "eu" ao mesmo tempo mas em dois mundos completamente diferentes.
Num instante cheguei ao destino e rapidamente me pus na Rua dos Vários Caminhos.
Depois de uma breve procura lá encontrei a Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
Antes de entrar, estudei atempadamente a minha intervenção lá dentro. Tirei do bolso todos os documentos que me haviam pedido, preparei uma linha de pensamento, respirei fundo e lá tirei a senha para o atendimento. Era o próximo a ser chamado.
Atendimento- Trinta e sete?!
Zapporsson - Sim, aqui!
A - Bom dia, o que o trouxe cá?
Z - Bem, eu recebi esta carta esta noite a dizer para me apresentar cá dentro de cinco dias úteis, acho que tem alguma coisa a ver com o blog de que faço parte...
A - Deixe cá ver... pois, isso mesmo.
O Blog é o 3m2, correcto?! Olhe, por acaso até costumo lá ir com alguma frequência, acho que devem continuar!
Ora bem, isto diz...
Ah.... Agora já percebo... pois é...!
Z - Percebe o quê?
A - O senhor foi notificado para receber o despacho oficial do nosso departamento de fiscalização. Só um momento que vou buscar o documento timbrado.
Z - Não sei porquê, mas não estou a gostar nada da brincadeira...
A - Aqui tem!
Z - "... como tal, sr. Zapporsson, somos obrigados a retirar-lhe a licença para expressão diária de escrita livre e espontânea no Blog onde exerce a sua função, 3m2. Compreendemos que tal decisão lhe possa trazer algum transtorno, no entanto, caso se sinta lesado com a decisão do nosso tribunal, está no direito de apresentar recurso. Para tal, tem que se fazer acompanhar de cinco testemunhas suficientemente idóneas junto das entidades responsáveis, em data e local a definir posteriormente...".
Desculpe mas não estou a perceber...
A - É simples, foi suspensa a sua licença para a expressão diária de escrita livre e espontânea. De hoje em diante não tem autorização para continuar a escrever no blog que integra.
Z - Mas isso não é possível! Eu tinha-me comprometido a escrever todos os dias...! Tenho ao menos o direito a saber o porquê dessa decisão?
A - Acalme-se senhor, esta era uma situação que já se previa.
Z - Mas fui só eu o notificado? Depois de quatro anos a escrever vão tirar-me a licença?
A - Sim, apenas a você, vejo aqui no sistema que tanto o Cephas Zoth como o Walter Love têm a licença deles perfeitamente válida.
Oiça, aqui só entre nós, a sua escrita levou-o para um patamar superior, direi um superior de tal modo inatingível, que o arrancou da realidade. O Sr. Zapporsson pode mesmo ter começado a viver em função do que escrevia e não a escrever em função daquilo que vivia.
Como tal, a sua licença de escrita vai ficar apreendida por tempo indeterminado.

Ali fiquei a olhar, calado e com os olhos cada vez mais avermelhados. De repende senti um enorme vazio, voltei costas e reparei que todos ali presentes me estavam a observar.
Apanhei novamente o comboio de regresso e fui a pensar na aventura que foi estes anos todos, escrever e ver a minha escrita lida por tanta gente diferente.
Agora sinto-me resignado...
Quem sabe, se não voltarei a escrever um dia...

15 de junho de 2009

Comunicado parte I



Com os valores normativos completamente fora de mão, senti-me obrigado a deslocar novamente até à "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". Parti no dia 11 e cheguei ontem à noite, perdido e sem norte, o que vem a justificar esta minha ausência do Blog para lá do que eu tinha planeado para este mês de Junho.
Tudo começou quando em plena madrugada me tocaram à campainha. Lá abri um olho a custo, olhei para o relógio - 03h20.Tocaram novamente e aí levantei-me com alguma preocupação.
- Quem é?
- Fiscal para a liberdade de expressão - Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
- Quem?
- Abra a aporta! Venho apenas para o notificar.
- Sim?! Bom dia, ehrrr, boa noite, quer dizer... é para quê?
- Estou aqui apenas para lhe entregar esta carta. Tenha um resto de boa noite... se conseguir.
E foi assim, virou costas sem dizer mais nada. Eu ali fiquei, com uma carta na mão, olhos semi-cerrados e ainda sem perceber muito bem o que se passava.
Rasguei o envelope e numa leitura diagonal:
"... tem cinco dias úteis para se fazer representar junto das nossas instalações. Faça-se acompanhar de identificação pessoal ,não esquecendo a sua licença individual para escrita no Blog de que faz parte..."
Larguei tudo, vesti umas calças e a primeira T-xirt que vi, lavei a cara e fui de imediato para Santa Apolónia. Ainda era noite cerrada, estavam dois sem-abrigo embrulhados em papelões ao fundo das escadas que davam acesso à estação. Lá dentro três pessoas, cada uma em seu canto, de cabeça pendente à espera da sua hora.
Procurei no painel de saídas - "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". O comboio partia apenas às 04h36. Tinha ainda cerca de meia hora para encaixar ideias, mas o ar abafado que se fazia sentir não me deixava fazer o mais simples raciocínio. Porque será que eles querem falar comigo? Será que o Cephas Zoth e o WalterLove também foram notificados?
O comboio chegou pelas 04h36.
Entrei para a última de duas carruagens. Lá dentro apenas um senhor de certa idade, olhava fixado para a rua, como se dissesse adeus a alguém que não estava lá. O ar quente e saturado foi cortado por um apito grave que anunciava a intenção do maquinista.
De repende as luzes apagaram-se e ouviu-se um enorme estrondo.

10 de junho de 2009

Últimas visões


E ali estava ela.
Sozinha, no meio de tanta gente.
Apoiava-se em gestos básicos que lhe davam um ar de ocupada a quem olhava de relance .
Mas não. Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Não reparou que alguém a observava. Pegou no telemóvel como quem tivesse recebido uma nova mensagem, mas no fundo estava apenas a abrir mensagens antigas que já sabia de cor. Abriu uma, outra, até que guardou de novo o telemóvel no bolso.
Lançou o seu olhar vazio na multidão como se procurasse alguém, mas não.
Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Abriu a boca num bocejar forçado e coçou o ombro na ânsia de disfarçar o desconforto por não ter ninguém.
Voltou a pegar no telemóvel, agora para ver as horas...
Levou a mão direita aos olhos, como se lhes tivesse a aliviar alguma pressão, mas os dedos... esses vinham molhados.
E ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.

Quem é que a olhava? Provavelmente outro alguém que ali estivesse sozinho no meio de tanta gente.

9 de junho de 2009

Pulp Fiction



Não fui capaz de resistir a alugar esta preciosidade.
Uma viagem a um sub-mundo retratado repugnantemente e com uma tamanha crueza que se entranha de um modo estranhamente viciante!
Está claramente no meu top 10 e então esta cena...

8 de junho de 2009

Será? - (a resposta)

Ler "Será?"

…Perdido, confuso, louco…de amor!
Amar loucamente alguém, é uma forma de insanidade…e se concentramos toda a nossa atenção em alguém, pensamentos e sentimentos passam pela pessoa amada, porque não gritar ao mundo que amamos e que somos felizes assim?
Não será mais louco quem não arrisca, perdendo assim um dos grandes prazeres da vida?
Não posso confirmar, nem provar cientificamente, mas o amor é um lugar…onde só chegas se tiveres disposto a fazer uma aposta seria, uma aposta de sentimentos, mas não penses que atingiste o auge apenas por teres chegado…porque isso é só o início!
Quando entrares, terás de aprender a fazer a manutenção, a conservação desse sentimento...

Fica aqui lançado o desafio, ama, meu amigo, ama loucamente e deixa que te amem assim também, e pode ser que um dia sejas tu a cometer actos de loucura...


Ps: Come e oferece um Cornetto Love Chocolate e...

...NÃO TENHAS MEDO DE MOSTRAR O TEU AMOR!!

Noites solitárias



Entraram na cama a tempos diferentes, cada um por seu lado.
Ele como de costume, manteve a luz branda da mesa de cabeceira ligada.
Nem naquele dia parecia querer abdicar dos seus dez minutos de leitura nocturna, talvez por se querer mostrar mais forte e dar a entender que não estaria afectado pela discussão de há pouco.
Abriu o livro e ali ficou a olhar fixamente para a mesma página, vezes e vezes sobre a mesma linha, sem a mínima capacidade para apreender o conceito de todas aquelas palavras juntas.
Ela do outro lado continha uma respiração soluçante. Apercebera-se que ele não folheava o livro que ultimamente lhe vinha descrevendo com entusiasmo.
Escorreu-lhe primeiro uma, depois seguiram-se as outras que tomaram o mesmo caminho da primeira. Elas eram lágrimas, pesadas, que iam descapando a sua cara lisa, agora toda amarrotada.
Cada um de seu lado, evitava a todo o custo o breve contacto de uma perna ou o leve encosto de um braço, como se temessem ultrapassar uma barreira imaginável a meio da cama.
Incapazes de dirigir a palavra um ao outro, sem o mais pequeno sentimento de arrependimento ou a mínima vontade de pedir desculpa, foi assim que se deixaram adormecer.
No dia seguinte acordaram com a sensação que algo se tinha partido. A agonia dessa percepção era de tal modo sufocante que não olharam a meios para reparar o que se havia perdido...
"I dive in at the deep end
You become my best friend
I wanna love you but I don't know if I can...
I know something is broken
and I'm trying to fix it
Trying to repair it anyway I can"

7 de junho de 2009

Será?



Aos olhos daqueles que por ali passam é sempre colocado a aprovação esta pequena frase.
Eu já a vi várias vezes e outras tantas a questionei...
Mas continuo sem saber se terá sido um acto de um louco ou um acto de loucura...

6 de junho de 2009

Inesperados






Decidi ir ter contigo.
Descontraido e confiante. Tão seguro que quando me abeirei de ti, fiquei com a sensação que terias estado um dia inteiro sob sol escaldante.
Só me apercebi que o dia havia sido chuvoso, quando aos poucos vi que era sangue que abandonava a tua cara a favor da gravidade...

5 de junho de 2009

Eleições...


Confesso que nesta semana tenho feito um sacrifício para fundamentar o meu voto nas próximas eleições - 7 Junho, no entanto, é uma tarefa que não se está a tornar nada fácil.
Cheguei mesmo a ouvir os períodos de antena que dão à noite na rádio, mas no meio de rádio, televisão e anúncios, aquilo que consigo filtrar é apenas a teoria de ataque a todos aqueles que não são do mesmo partido.
Sinto uma sensação de vazio quando comparo as nossas vozes politicas com a do senhor aí na fotografia.
Parece-me e quero crer, que ele é das poucas lanternas que ilumina esse mundo obscuro e que por isso todos os outros políticos que nele vêm uma ponta de integridade, lhe procuram imitar inconsequentemente um estilo próprio.
Bem, ainda não sei em quem votar, afinal de contas ainda tenho dois dias para me decidir, mas uma coisa é certa:
Domingo, lá estarei a exercer o meu direito de voto. Sim, porque em minha opinião quem não exerce o direito, também não tem o direito a exigir deveres...

4 de junho de 2009

De ressaca



Primeiro surgem as alterações de humor, irritamento fácil, insónias, limitações de raciocínio intercaladas por períodos de apatia.
Depois começo a ficar com as mãos tremulas e a suar compulsivamente.
Fico com o pensamento fixo e não vejo mais nada nem ninguém.
Sempre que vejo um copo de água, imagino-me tão pequeno que consigo surfar sobre as suas ondulações.
Agarro-me ao fato e sugo aquele aroma de borracha embebida de mar.
Tudo, já penso em tudo, por um bocadinho desta droga salgada.
...Descer a onda, ganhar velocidade, voltar a trepá-la, ir contra a sua crista, rolar o corpo, ver lá de cima um mundo invertido e depois ali ficar naquele segundo em que parece que o tempo pára, é mesmo qualquer coisa...

3 de junho de 2009

Traços de vida



A vontade dele não seria muita. Acabou por deixar o estudo para as primeiras horas da noite.
No dia seguinte às 09h00 iria ter exame nacional de Biologia.
Vestiu o pijama, calçou umas meias quentes e ligou a luz turva do candeeiro da escrevaninha.
Perito como sempre foi na arte de queimar tempo, abriu vagarosamente o livro e depois o caderno. Já a custo buscou umas quantas folhas de rascunho e avaliou a quantidade de matéria que tinha que estudar naquela noite.
Ainda sem vontade de nada, pegou no telemóvel e mandou-lhe uma sms a contar o seu desespero e a procurar do lado lá desesperadamente alguém que o sentisse também.
...
3 horas depois
Era já 01h40, quando as sms começaram a dizer algo mais para lá da descontracção mútua que até então iam servindo.
Os livros deixaram de interessar e o sono aos poucos foi desaparecendo.
No quarto dele, a aparelhagem sintonizada na RFM ainda ouvia baixinho os últimos acordes de "Oceano Pacifico", com Joe Cocker a cantar - "Night Calls"
- Sintoniza na RFM! Dizia a sms que ele enviara...
Ela sintonizou e ali naquele seu quarto silencioso, percebeu o poder que uma música a tocar baixinho pode ter.
Aqueles acordes de piano iniciais...
...
10 anos depois
- Quantas vezes mais é que lhe vais contar a história?
- Aquelas que forem precisas para ele acreditar... É tão pequenino!... agora que ele tinha adormecido, deitou-o delicadamente no berço. Ainda incredulo que dali para a frente seria pai, virou-se para ela e disse:
- E tu ainda acreditas naquela noite em que com aqueles acordes te toquei pela primeira vez?

2 de junho de 2009

Instigação 3 - O Impacto





O relógio marcava 6h28…dois minutos faltavam para o despertador nos avisar que o dia estava a começar. Não fechei os olhos nem por um segundo sequer, portanto continuava a viver os dias mais longos de sempre.
Faz hoje uma semana que ando a ganhar coragem para lhe contar tudo…não posso continuar com isto…é hoje que vou dizer toda a verdade.
Entrei na casa-de-banho e lá estava ela a passar o amaciador pelo cabelo, a espuma escorria-lhe pelo corpo e eu, atentamente, observava aquele perfeito cenário.
O nervosismo era tal, que cortei-me três vezes ao fazer a barba, e o pior é que ficou mal feita. Ela prontificou-se logo a ajudar-me a tratar das feridas, e foi-se vestir.
Após um banho rápido, entrei no quarto e vesti-me em dois segundos, e estava pronto…mas ela ainda se encontrava diante do espelho, tinha um vestido amarelo que lhe assentava maravilhosamente bem, realçando todas as curvas perfeitas do seu físico, aplicou o corrector de olheiras, após ter colocado a base, as pálpebras superiores ficaram revestidas com uma sombra cor de ameixa, que se encaixava admiravelmente bem, com os seus olhos claros, depois de ter aplicado o rímel nas suas longas pestanas, pegou no lápis preto e contornou delicadamente os seus olhos, um pouco de blush para dar uma certa tonalidade ao seu semblante e um toque final com um baton suave…agora sim, estava pronta, pensei eu…
- Tenho uma coisa importante para te dizer…
- E eu tenho outra coisa ainda mais importante para te contar… - respondeu ela, num rodopio, voltando-se agora para mim.

(- Mas querida, o que eu tenho para te dizer vai mudar as nossas vidas e até mesmo acabar com elas…eu fracassei, perdi o norte e comprometi todos os nossos sonhos e projectos…amar-te é uma dádiva, mas eu coloquei-te em segundo plano…fui cobarde e traí-te, portanto não sou digno do teu amor ou sequer da tua amizade… não suporto mais ver-te a fazer papel de parva, quando tu sempre dedicaste a tua vida a mim e ao nosso futuro…)

É isto que eu vou dizer, e quando eu me preparava para pronunciar a primeira palavra…
- Estou grávida... – disse ela, sustendo a respiração, na expectativa da minha reacção.
O impacto foi tão profundo e aterrador que o choro foi inevitável, abracei-a para ela não notar o meu ar de desespero…o sentimento que eu transportava era de incredibilidade, alegria e desapontamento...já nada havia a fazer ou dizer.
- Isso era tudo o que eu queria… - apertei-a com ternura e nada mais disse.

1 de junho de 2009

30 dias, 30 posts


Este será o desafio a que nos vamos propor durante o mês de Junho...