
Continuo sem perceber a vossa linha orientadora de pensamento.
Aqui à atrasado, disse a alguma de vós: "
tens umas bochechas que dão vontade de apertar", eu que na minha mente inocente, pensei que estaria a dar um elogio, não!
Fui imediatamente acusado de insulto porque no fundo ( segundo ela) o que eu queria dizer com tens umas bochechas "apetitosas", seria:
estás é a ficar gordinha...Digam-me que resposta é que poderei dar a isto?
Não dá, simplesmente não dá!
Começo a não saber que mais dizer quando me dirigir a uma rapariga, uma vez que qualquer palavra que sai da minha boca é imediatamente distorcida.
Posto isto, não tive outra alternativa senão deslocar-me novamente à Vila dos pedidos mais estranhos.
Vesti um kispo, umas botas para a chuva, um chapéu de aba bem bem larga e fiz-me à estrada.
A vila estava diferente, pelos vistos tinham andado em obras à pouco tempo. Vejo que alargaram os passeios e fizeram na praça principal dois campos de jogo orientado. Num joga-se ao "mata" e no outro aos "policias e ladrões", realmente só mesmo aqui nesta vila é que se vêm miúdos na rua...
Deu-me cá uma vontade de ser ladrão outra vez...
Ao fim de uma pequena procura lá encontrei a "Rua dos Vários Caminhos" e uma extensa fila de homens que fez lembrar as que temos na nossa loja do cidadão... algo me disse que tinha encontrado o que procurava.
"Gabinete de apoio ao homem incompreendido", era assim que constava no letreiro à entrada do estabelecimento.
Dirigi-me ao senhor das informações...
Indivíduo (I) - Bom dia, eu queria apoio legal numa questão de má interpretação por parte do sexo feminino.
Senhor das Informações (S.I.) - Bom dia! Está no local correcto, mas informo-o já que tem um tempo de espera de cerca de três horas.
(I) -Três horas?! Então mas porquê?
(S.I.) - Pois, suponho que pela mesma razão que o senhor está aqui. O estabelecimento está a ficar sem capacidade de resposta nos últimos tempos. Actualmente os homens começam a sentir algo que dantes nunca existia. Não porque as mulheres do antigamente compreendiam os homens, mas talvez porque agora eles precisam que elas os compreendam, e como o senhor deve compreender, nem sempre é uma coisa fácil de acontecer.
(I) - Quem já não compreende nada sou eu! Mas você está do lado delas? É que com esse palavreado todo, fiquei na mesma.
(S.I.) - Eu já sei o que o preocupa... não sei se reparou, mas pessoa mais informada que eu não existe...
(I) - Já se deixava era dessas piadas sem graça nenhuma!...
(S.I.) - Olhe, para a próxima não lhe fale das bochechas... Diga-lhe logo que ela o deixa maluco. De meias palavras estão os discursos dos encalhados cheios. E que eu saiba, barco encalhado no porto nunca atracou.
Por isso, como já vi que você é mais um encalhado, só tem uma opção, avançar! Claro que em barco encalhado, facilmente o casco pode romper e começar a meter água, mas se o porto não estiver muito distante...
(I) - Pois, mas eu não quero chegar ao Porto nem muito menos a Lisboa. Apenas fiz um comentário sobre as bochechas de uma rapariga e sou logo incriminado, porque segundo ela: se disse 8, queria dizer 80, não tive foi oportunidade de acrescentar o zero "0".
(S.I.) - Mas tenho que ser eu a ensinar-lhe tudo? Esse tipo de comentários são proibitivos para o sexo feminino.
Expressões como "tens umas bochechas que dão vontade de apertar" , "até que enfim que enches as calças", " a tua anca dá vontade de agarrar" e "quando é que vens correr comigo?", são logo mal interpretadas.
Na mente delas apenas têm uma tradução: Estás a chamar-me gorda!
(I) - Então e que faço eu perante esse fenómeno?
(S.I.) - Se lhe dissesse a solução acha que eu ainda teria emprego? Claro que não! Pergunte-lhes a elas, pode ser que tenha alguma sorte...
Ou então... três horas...