31 de janeiro de 2008

Into the Wild


Estreia esta semana, e será com toda a certeza o próximo filme que irei ver no cinema.
A história fala de um jovem que após terminar a faculdade, renuncia aos prazeres de uma vida fácil. Deixa a familia para trás e parte numa viagem introspectiva em busca de um Alasca por descobrir.
A banda sonora fica a cargo do vocalista dos Pearl Jam- Eddie Vedder, agora a solo . Este, garanto que neste registo está sublime.
Tenho a impressão que temos filme... e música, uma grande música!
Sozinho, de mochila às costas... Para quem sabe o que isso é, não preciso dizer mais nada.

29 de janeiro de 2008

Foste apenas um sonho…



23 horas, já é tarde para mim, amanha é mais um dia de trabalho, duro…
Apago a luz, depois de pousar o livro…hoje, mais uma vez, não consegui ler nem uma página sequer.
Sinto-me tenso, com medo de adormecer, pois não quero voltar a sonhar contigo…nunca mais…
Aquelas lágrimas que outrora escorreram no meu rosto, quero esquecê-las!
Aquela espada que devia ter resvalado na couraça do meu coração recheado de amor, quero desprezá-la!
Aquela carta e aquelas palavras que pronunciaste após eu ter-te entregue a chave mágica da porta do meu peito, quero apagá-las da minha mente!
Cerro os olhos e eis que ele aparece para me levar…o sono…e com ele, entro no mundo de sonho, onde estás lá tu…bela e deslumbrante como sempre te conheci.
- Oh, meu pai, porquê tanto sofrimento, eu não mereço…
Olhas-me com ternura, como se eu fosse parte de ti, tocas-me na face, com as tuas mãos macias e depois esboças um sorriso, pouco sincero, pareceu-me, e sem hesitar viraste costas e caminhaste…
Foi o momento em que desprezaste a fonte que alimentava o meu amor por ti…
Foi o instante em que passaste por cima da tolerância e te tornaste egoísta…
Foi o ensejo em que decidiste escolher um caminho sem volta, renegando todos os meus sentimentos…
Foi a altura em que ignoraste todo o meu sofrer e arrasaste com todos os meus planos…
Agora que partiste para uma vida de indecisão, o nosso forte laço de confiança está quebrado e como ele, está o meu coração…
Já é dia, toca o despertador, são 5:30 da manhã, não acredito que está na hora!!
Parece que acabei de adormecer, ainda não tive coragem de abrir os olhos, sinto um mar de dúvidas a jorrar no meu peito deprimido.
- Vamos, sê forte…
Resta-me declarar o teu desaparecimento da minha vida, sem lamentações, sem pranto, sem velas, vou enterrar-te no esquecimento e exorcizar o fantasma da incerteza, não tenho escolha, hoje é mais um daqueles dias em que vou ter de acordar…

28 de janeiro de 2008

Esquecimentos



Porque é que nos esquecemos tantas vezes das coisas boas da vida?
Teimamos em viver uma rotina montada em torno de falsas aparências.
Recusamos olhar bem dentro de nós e com isso tornamo-nos naquilo que vemos os outros ser.
Custa-nos ser diferentes,
Custa-nos ser apenas nós.
Custa-nos vivermo-nos.
Na nossa versão simples e fiel.
Sem querer, estamos agarrados ao relógio, às datas, às posses, às aparências, às marcas, aos carros, aos ténis, às calças e aos perfumes.
Esquecemos a carcaça fresca com manteiga e o leite com Nesquik.
Esquecemos os passeios de bicicleta, as T-xirts com buracos, os calções gastos, as meias de elástico largo, os chinelos, a descontracção, os transportes públicos, o cabelo despenteado, os outros, os abraços, as saudades, as noites quentes, as manhãs frias e as tardes acompanhados, as mão dadas e as cavalitas, os silêncios simples, o agarrar e o soltar, o sorriso espontâneo, chapinhar nas poças, deitar no chão, sujar as mãos, sentar numa esplanada, sentir o sol, ir contra o vento e cheirar o mar.
Esquecemo-nos... de lembrar.

26 de janeiro de 2008

Um novo ciclo


Decidir até onde é que podemos esticar a corda.
Decidir quem fica e quem sai.
Decidir se deixamos para trás, ou se vivemos o ideal de ontem.
Começo a achar que lhe estou a perder o jeito,
Ou que simplesmente, fiquei irremediavelmente acomodado.
Sempre que sinto, sinto de menos.
Sempre que quero, quero de menos.
Sempre que insisto, insisto de menos.
Sempre que faço, faço de menos.
Sempre que penso, penso demais...

22 de janeiro de 2008

O Poema das Citações



To see you when I wake up, is a gift I did’t think could be real…(Incubus)
Depois de te ter sonhei em viajar, para fugir, talvez esquecer, o medo de te perder…(3 Manos Martins)
Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o pôr-do-sol, devia ter me importado menos, com problemas pequenos, ter morrido de amor… (Tim)
De que sonho feito mar ou de que mar não sonhado, vieste tu, feiticeira…(Luís Represas)
Speak loud if you do, you are not easy to find…(Natasha Bedingfield)
Não sei por quanto tempo vou-te procurar, nem sei se algum dia vou-te encontrar (…) Se um homem também chora, vou chorar por ti… (Irmãos Verdades)
If you let me do, I think I won´t let you down… (Kaysha)
Tu pertences a ti, não és de ninguém… (Resistência)
Como pode ser gostar de alguém e esse tal alguém não ser seu… (Vanessa da Mata)
Circo sem palhaço, namoro sem amasso, sou eu assim sem você…(Adriana Calcanhoto)
Não ver você não tem explicação, é caminhar pela solidão…(Papas da Língua)
I’m a thousand miles away, but girl tonight you look so pretty, yes you do…(Plain White T’s)
Peço tanto a Deus para lhe esquecer mas só de pedir…me lembro…(Vanessa da Mata)
Eu gostava que olhasses para mim e sentisses que sou o teu mar…(André Sardet)
Vou tocar lá no teu fundo… (Ala dos Namorados)
Pra me perder, nesses recantos, onde tu andas sozinha sem mim…(Paulo Gonzo)
Foram tantas as noites, sem dormir, tantos quartos de hotel, amar e partir, promessas perdidas, escritas no ar e logo ali eu sei…(Pedro Abrunhosa)
O vento agora já nem vem aqui, deixei de ter com quem falar, fiquei sozinho com o meu olhar…(Santos e Pecadores)
Tudo o que eu vi estou a partilhar contigo, e o que não vivi um dia hei-de inventar contigo…(Jorge Palma)
No one, no one, no one Can get in the way of what I feel for you…(Alicia Keys)
More than words is all you have to do to make it real…(Extreme)
Nunca dei um passo que fosse o correcto, eu nunca fiz nada que batesse certo…(Xutos e Pontapés)
Such a lonely day, and it’s mine, the most lonliest day of my life…(System Of a Down)
Sei que não sei, às vezes entender o teu olhar, mas quero-te bem…(Jorge Palma)
Só que amanha sabes bem, é sempre longe demais…(Rádio Macau)

21 de janeiro de 2008

Concertos de Verão


Os dias ainda são pequenos, frios e cinzentos, mas os concertos e festivais de verão já estão aí à porta.
Os cartazes começam a ficar preenchidos, e cada vez mais estou convencido que este, será um grande ano nesta área.
Eu sinceramente um já não deixo escapar...
Ben Harper no Optimus Alive é bem capaz de ser o senhor que se segue.
Até lá fico em stand by, à espera de mais alguém que não me faça pensar duas vezes...

19 de janeiro de 2008

O Princípio!



Sai de casa já atrasado. Não que estivesse com grandes cuidados com a aparência ou que tivesse acordado tarde. Seria talvez pelo que teria de enfrentar.
Aquela seria mais uma tarde normal não fosse o que estava para acontecer!
O Sol raiava no céu, apenas cortado por uma ou outra nuvem que polvilhava o céu, aliás como seria de esperar numa tarde de Verão.
Parecia uma criança com o peito a rebentar de tanta excitação. Ou seria do calor que se fazia sentir dentro do carro? Ou seria apenas aquele receio pelo desconhecido?
Finalmente cheguei ao destino… o meu peito saltava a cada passo que dava na direcção do local onde tínhamos combinado!
Vi-te!
Sentada naquele banco de jardim eras como um holofote no meio da multidão que nos rodeava. Ainda não me tinhas visto e por isso aproveitei o momento para te contemplar mais uma vez.
Cheirei-te!
Ao aproximar-me de ti senti aquele cheiro adocicado do perfume que usavas, que muitas mulheres no mundo usavam, mas que em ti parecia qualquer coisa de extraordinário, algo que me fazia entrar num mundo de sonhos.
Falei-te!
Voltei a sentir-me um tolo como no primeiro dia que falei a sério para uma rapariga. À muito que não era esse o sentimento que tinha quando estava com uma rapariga. Tinhas o condão de me deixar sem palavras, a gaguejar como uma criança a quem perguntam algo que não sabe.
Tocaste-me!
Senti-me então pela primeira vez em muito tempo reconfortado, era como se fosse um toque familiar, um toque que me revestia de segurança. Talvez a única bússola que me orientava no autentico turbilhão de confusão que a minha mente se tornara.
No fim daquele dia soube então que a minha vida tinha agora um novo significado, uma nova intenção, uma nova razão. Tinha agora um propósito para acordar todos os dias, um após outro!

17 de janeiro de 2008

Cliente Premiado


Tudo começou quando um daqueles toques de campainha persistentes me oprimiu os sonhos e despertou os ouvidos.
Ainda sem saber onde estava e que horas eram, levanto-me a cambalear até ao monte de roupa que tinha ficado ontem mais ou menos ali para a esquerda. Tiro o pijama e visto à pressa calças de fato de treino e uma T-xirt ao contrário...que se lixe.
Era o carteiro.

Carteiro (C) - Tem aqui uma carta à qual tem que ser cobrada uma taxa de transfega de correspondência para mundos paralelos.
Zapporsson (Z) - Mas isso é de quem?

C - Sr. Homem do Pó, são 12,43€.
Engulo em seco e vou à carteira dos trocos, 12,43€ dá para acretitar?!
Z - Aqui tem...

Continuação de um bom dia, diz-me ele...
Bom dia estava eu a ter, até alguém me ter acordado. São 11h50.
Fico a olhar para a carta, incredulo com a rapidez da resposta.
Ligo o PC, acedo ao blog, e começo a transcrever a carta a pedido de alguém, que me pediu para ser informado quando o Homem do Pó respondesse.
Então passo a citar:

"Caro Sr. Zapporsson.
Eu e os meus não poderíamos estar melhores de saúde. Aqui na Vila dos pedidos mais estranhos estamos em pleno verão, e os míudos não poderíam andar mais felizes. O negócio anda de vento em poupa, as nossas encomendas têm vindo a aumentar, e o nosso pó é cada vez mais uma marca internacional de respeito no seu mundo.
Aproveito para lhe dizer, que tomei a liberdade de enviar um olheiro no sentido de verificar o estado de armazenamento do nosso produto nos seus aposentos.
Foi com grande satisfação que recebi a fotografia que junto envio, sendo imediatamente incluida no nosso Top 10 dos melhores acondicionamentos ao nosso produto mais refinado.
Mais, lembro que enquanto manter esta classificação honrosa, irá receber um pó de aplicação para 2ª de mão, que poderá aplicar logo após a primeira camada estar devidamente consolidada (mais ou menos 15 dias).
Estive a falar com o Homem do Compromisso, que agradeceu e retribuiu cumprimentos, e manda dizer que está atento ao que se passa consigo, advertindo-o para que tenha muito cuidado com o que faz e com o que escreve sobre o sexo oposto... Falou-me num texto Elas andam aí...
Sem outro assunto, despeço-me com respeito.
Ao seu dispor,

Homem do Pó

2008/01/17"

13 de janeiro de 2008

Tenho saudades...


Tenho saudades de pegar na caneta,

Tenho saudades de escrever,

Tenho saudades de sentir “aquela” inspiração nascer dentro de mim!


Tenho saudades de ter medo do escuro,

Tenho saudades de dormir agarrado ao pluche,

Tenho saudades de sair a correr para a cama dos pais!


Tenho saudades de jogar futebol no intervalo das aulas,

Tenho saudades de chegar á sala de aula todo suado,

Tenho saudades de ir para casa com os joelhos todos arranhados!


Tenho saudades das férias grandes,

Tenho saudades de correr pelos campos lá da quinta,

Tenho saudades da Liberdade de ser uma verdadeira criança!


Tenho saudades da inocência,

Tenho saudades de não me preocupar,

Tenho saudades de fazer as coisas sem pensar no futuro!

O jogo da sedução



Tudo começa com um acaso.
Depois, o acaso repete-se.
Alguns dias passados, faz-se com que pareça casual.
O dialogo torna-se mais fácil e os olhares entram numa complicada rotina.
São eles que dão início aos jogos com os olhares desviados, às conversas com segundo sentido, ao dar e tirar, aos avanços e recuos, aos toques inconscientemente intencionais, aos toques inconscientemente consentidos, às hesitações e inseguranças e por fim à decisão com base num nada muito esclarecedor.
Depois vêm as SMS, as primeiras sempre inocentes, até que a inocência se vai gastando em favor de um cada vez mais exigente jogo de xadrez, disfarçado de pequenos textos electrónicos.
Elas dizem mais o que sentem, eles dizem mais o que querem.
Elas perguntam o porquê, e eles ficam um, dois, três minutos, às vezes bem mais, à procura de arranjar a resposta certa.
Eles não resistem ao sorriso delas e elas sentem-se à vontade para falar com eles de tudo.
Eles ouvem, rebatem e crescem, elas falam, aconchegam-se e sentem-se mais seguras...
Já começo a sentir falta deste processo refinado.
Falta do "querer" com nó na garganta... das securas da boca, das taquicárdias, do pensa rápido e age ainda mais depressa, do meter axas na fogueira e logo a seguir deitar água na fervura.
Decididamente, não há melhor jogo que este!...
O jogo das nossas vidas.

10 de janeiro de 2008

Angústias ... ou talvez não



" Caro Sr. Homem do Pó.
Espero que esta carta que hoje escrevo, encontre o senhor e os seus bem de saúde.
Por cá tudo está bem, temos todos tido saúde e felizmente trabalho não nos tem faltado, em face do mesmo não nos podemos queixar.
Como pode constatar, eu ultimamente tenho recebido de bom grado as suas encomendas. Arranjo sempre um cantinho para os novelos de pó debaixo da cama, algumas migalhas acondicionam-se dentro do teclado do PC e as vezes chego mesmo a treinar assinaturas na secretária deste.
Regularmente acamo cuidadosamente uma película protectora da madeira em todas as faces superiores da estante, e nos lugares onde esta começa a tapar a cor de origem do móvel coloco livros em cima, de modo a não me ferir a vista.
Assim tenho passado, mais feliz, desde que acatei um conselho que ouvi para aí... somos mais felizes se limparmos menos a casa e sairmos mais dela.
Até me tenho dado bem com o esquema. Passo menos tempo em casa, logo o pó faz-me menos diferença! Faço o favor de aspirar o menos vezes possível, e poupo o pano do pó, que assim me dura para mais anos.
Os meus pais raramente entram no quarto, e eu quando cá estou dentro é quase sempre de olhos fechados, por isso...
Cumprimentos meus ao Sr. Homem do Compromisso.
Junto envio fotografia para reportar a veracidade do acima citado.
Sem outro assunto, aguardo com serenidade pela sua carta.

Respeitosamente,

ZapporssoN

2008/01/10"

9 de janeiro de 2008

Elas andam aí


Donde vem essa capacidade extrema do sexo feminino em mastigar um assunto até a exaustão como se fosse pastilha elástica?
Eu já me tinha apercebido deste fenomeno, para o qual não tenho a minima apetência, mas confesso que ainda hoje me continua a surpreender.
Quantas foram as vezes em que eu sem me aperceber, passei num ápice de um dialogo cordial, onde duas pessoas expôem confortávelmente os seus pontos de vista, para um monólogo cerrado sem quaisquer hipotese de rebate de opinião.
E que nós homens, bem tentamos arranjar uma brecha nesse sistema que nos é montado, mas cada vez mais chego à conclusão que as conversas delas, são como teias tecidas elaborada e engenhosamente às quais somos completamente impotentes, tal qual moscas.
É uma visão aterradora, eu sei, mas às vezes é o que vejo!

* ( Calma senhoras, tirando estas ocasionais "teias", até gosto bem da vossa companhia)

7 de janeiro de 2008

Talvez amanhã



Hoje não me apetece sequer esboçar um sorriso.
Tudo me parece relativo.
Os outros, a rua, os carros, as luzes ao longe, o vento manso, e as poucas estrelas da noite.
Não me apetece ouvir música, sair do duche ou focar o olhar.
Não me apetece tirar os ténis, despir o casaco ou ler um livro.
Não me apetece pensar em ti, nem em ninguém.
Não me apetece um beijo teu nem a palavra de alguém.
Não me apetece sequer dormir hoje...
...Apenas quero acordar amanhã!

6 de janeiro de 2008

Dia de arrumações


Desculpem lá, mas eu não percebo!
Não percebo como é possível atingir-se um índice tão alto de acumulação de lixo dentro da nossa própria casa.
Hoje para fazer jus aos meus objectivos para 2008 comecei por TENTAR arrumar o quarto, mas basicamente estive cerca de uma hora sem saber por onde lhe pegar.
Sentia um nó na garganta, sabem?
Nem sabia por onde começar a desenterrar com medo que houvesse algum desabamento de tralha e ali ficasse soterrado...
Alguém me explica por que razão guardamos tudo ao chegarmos a casa, sempre com aquela desculpa interior "eu depois arrumo isso"?
Desde que deixei de precisar de fazer longas serenatas a estudar, elegi democraticamente como meu fiel depositário, a minha secretária.
Chego a casa, acendo a luz do quarto, e pra lá vai. Recibos de compras, papeis de garantia, cartas do banco, a revista que chega mensalmente, o livro que ando a ler, o que irei ler quando acabar este, o que não vou ler, os CD´s, folhas de rascunho, porta-chaves, dinheiro, pastilhas, papeis com rabiscos de textos para o blog, papeis com nomes de músicas para sacar e pó...
Eu não era assim... acho que apanhei este vírus aí na rua, deve funcionar mais ou menos como com a gripe. Pena que ainda não existam vacinas para prevenir... Prevenir não! Curar!
Preciso rapidamente de ser curado, e endireitar este meu sentido de organização.
Alguém tem a receita?

E debaixo da cama? Não, não quero!

4 de janeiro de 2008

O estado da Justiça ou a justiça do Estado


Nos últimos três dias, vimos surgir noticias, que reflectem um dos problemas que se vive no nosso país e que enche páginas de jornais, comentários na Internet e conversas de café.
Hoje podemos ler, que o Governo quer avançar com penalizações agravadas para quem comete contra-ordenações graves e muito graves que chegam incontornavelmente à cassação de carta.

4 de Janeiro de 2008
“Governo quer Código da Estrada mais duro com infractores graves.
O Governo quer que se proceda à cassação da carta de condução se, no período de cinco anos, forem praticadas três contra-ordenações muito graves ou cinco contra-ordenações entre graves e muito graves.”
in Diário de Noticias

Até aqui nada de admirar visto que o “português” já nos habituou a que só se tiver altas penalizações é que cumpre leis, deixando cada vez mais de ser importante a prudência, o civismo e a boa educação, principalmente nas estradas do nosso país.
O estranho (talvez a palavra mais apropriada seja - revoltante), é quando ontem lemos uma notícia, que nos diz que uma figura pública, apanhada a conduzir com uma taxa de álcool, que para o cidadão comum seria crime, para além da já tradicional cassação da carta, continuará a conduzir nas estradas de Portugal.

3 de Janeiro de 2008
“A estrela de televisão José Diogo Quintela, dos Gato Fedorento, foi ontem condenado pelo tribunal ao pagamento de 400 euros e à execução de trabalho a favor da comunidade, depois de ter sido apanhado a conduzir com álcool. (…) onde lhe foi detectado 1,6g/l (gramas de álcool por litro de sangue). (…) O juiz que determinou a pena optou por não retirar a carta (…)” in Jornal de Noticias

É aqui que entram as conversas de café, onde se diz que, na mesma noite da “estrela” um colega foi apanhado a conduzir com 1,1g/l e ficará sem conduzir de 2 meses a 2 anos já tendo pago 500€ de multa. Que o colega passou um sinal laranja-rubro numa rua deserta e por isso paga 75€ e ficará sem conduzir de 2 meses a 2 anos.
É no mínimo revoltante que estas diferenças por extractos sociais ou por reconhecimento publico ainda sejam feitas, quando ainda à dois dias atrás o Chefe de Estado do nosso País, diz em directo que há que combater estas diferenças.

2 de Janeiro de 2008
“Palavras críticas deixou-as [o Presidente da Republica] para os "altos dirigentes de empresas" que, na sua opinião, auferem rendimentos "injustificados e desproporcionados" face aos salários médios dos seus trabalhadores. À preocupação com o acentuar das desigualdades sociais (…)” in Diário de Noticias

Esta diferença é cada vez mais evidente, deixando aos jovens do País uma ideia que já não se tem que lutar para ser alguém educado e responsável o importante é: ser “conhecido”, rico ou ter “cunhas”, senão o melhor é ir guardando as melhores tábuas para montar a barraca estável numa favela a criar! ;-)