31 de julho de 2008

Dia 1


Ar quente, húmido...

Respiração cortada pela diferença de concentrações atómicas no ar envolvente!

O tempo não anda...

Queremos uma resolução rápida, conhecimento, ver o que nos rodeia e o que nos espera!

Natureza bruta...

Juntar alegria humana e vegetal numa só esfera, numa só ilha!

Intrusos...

Aqueles que tentam a todo custo ingressar na roda viva que é a “brincadeira” desta terra!

Aqui...

São Tomé, a Natureza impera, o sossego reina e a desordem é simplicidade!

A certeza de que só por este dia já valeu a pena!

Cephas Zoth
Walter Love
Zapporssön


30 de julho de 2008

Conversas


− O outro dia numa das minhas abstracções dei comigo a pensar se valerá mesmo a pena lutar pelo que acreditamos...
− Porquê? Achas que não?
− Será que o que acreditamos nos leva ao caminho certo? Não será melhor por tudo para fora da cabeça e deixar-nos levar pela corrente?
− Talvez...
Mas espero que não penses assim... mesmo que estejamos sozinhos a pensar no que acreditamos, a seguir o que acreditamos, vivemos felizes!
Pelo menos quero acreditar nisso...
− LOOL
...
...
− Fala-me de ti!
− Descobre-me!
− Como é que te posso descobrir se somos apenas hologramas? Aquilo que os outros pensam de nós é apenas baseado num reflexo daquilo que fazemos...
− Sabes... vivo num mundo paralelo em que todos pensam diferente de mim, em que vêem aquilo que eu não vejo e em que vejo aquilo que eles não vêem...
− Humm
− ...
− Continua, estava a gostar!
− O que sobra para dizer fica para leres no ouvido do meu silêncio...
− Não me queres dizer ao ouvido?
− Não posso...
− Então responde-me só a uma pergunta:
Qual é a tua missão na minha vida?

(Obrigado a todos os que contribuíram para a construção deste post!)

29 de julho de 2008

Mulheres e as casas de banho


Penso que descobri o cerne da questão.
Não se resume apenas às mulheres e às casas de banho, mas sim às mulheres e ao facto pelo qual, nunca vão sozinhas à casa de banho.
Tudo começa na escola primária. Nessa que é a primeira prova de fogo no que remete ao contacto com o mundo exterior e o processo de socialização.
Elas, sem se darem conta do fenómeno, de repente apercebem-se que esse é o único local seguro e livre dos seus maiores inimigos, (nesta idade os rapazes).
Falam dos pipis e das mamas, dos tótós e dos sapatos com atacadores e aos poucos vão integrando o que acabará por se tornar no mais complexo e desconhecido processo que acompanhará sempre a guerra e intriga entre sexos.
Mais tarde vem a discussão sobre os soutiens, os cabelos, as saias, os rapazes mais giros, o que eles fazem para as tentar conquistar, e o que elas fazem para que isso seja dificultado, ou se for de encontro à vontade delas, para que seja facilitado.
A casa de banho torna-se então num manual facilitador do trato com o sexo oposto, o masculino. Lá são sempre elas, apenas elas e sobre elas. Claro está que tudo isto poderá vir a ser negado, mas decerto modo é assim que funciona, porque eu sei!
Teci uma elaborada teoria da conspiração, com base em todas as memórias que me restam nestes anos em que me questionei da utilidade da casa de banho para as mulheres, e o facto pelo qual elas a utilizam sempre aos pares.
É assim que as miúdas se tornam raparigas e que as raparigas se tornam mulheres, e será sem dúvida com estas mulheres, que os rapazes se tornarão homens.
Embora oculto, e sempre questionável pela parte dos homens, e inconsciente da parte das mulheres, diria que este é um ciclo vicioso, numa simbiose impossível de melhorar.
- Aceitam-se novas teorias... se é que as há

28 de julho de 2008

Músicas escondidas

Que melhor sentimento do que ouvir uma daquelas músicas perdidas no meio de um Cd, que nunca foram escolhidas para serem o silgle de todos, nunca tocaram na rádio, nem tão pouco tiveram direito a um videoclip???
As única que ninguém nos tira, cuja interpretação da letra fica ao encargo da nossa imaginação, sempre!

27 de julho de 2008

Lá na minha terra


Oiço um silêncio absurdo. Nada. Vazio.
Olho pela janela que rasga o tecto do meu quarto e vejo uma lua cheia, bolachuda, um céu negro e estrelas, muitas estrelas que assim iluminam discretamente esta serra.
Aqui do telhado vejo muitos outros telhados. Quase todos eles desabitados, carregados de história de umas quantas dezenas de pessoas que hoje têm filhos viciados em Lisboas e Portos.
Se as ruas pudessem falar..., a fonte..., aquela fonte. Foi à volta dela que comecei a ser adolescente.
Lembro-me de quando nos deitava-mos nos beirados dos telhados da casa da vizinha de olhos postos no mesmo negro que hoje vejo em silêncio. Recuso-me a pensar que tudo aquilo já passou, e recuso-me a acreditar que se agora gritasse desta janela ninguém ouviria este meu grito, que dantes incomodava tanta gente depois das 23h.
São agora 03h23. Nos vales dispostos na serra em frente vejo as luzes amarelas e brancas, a espaços um carro que lá levará algum casal de namorados vindo dalgum baile.
Começo a habituar os ouvidos e já oiço ao longe o ladrar de um cão incomodado por algum morcego.
É duro saber que as "férias de verão" já não se voltam a repetir.
É certo que agora temos outras coisas, que o dinheiro pode comprar, mas o dinheiro não compra os verões de há quinze anos, nem o sorriso de uns putos no mês de Agosto numa aldeia com vista para o mudo Rio Douro.
Fico com a impressão que daqui a quinze anos esta será provavelmente uma aldeia apenas com memórias, e dois ou três com presença para as contar a quem por ali passar.
Nessa altura estarão apenas os muros, as paredes, os caminhos cobertos de erva e a capela decerto fechada, fria e com cheiro a mofo que arrepia qualquer entrada.
A água já não passará nos infinitos regos para regar os campos.
Lembro-me de quando passavam juntas de bois em frente à minha casa, e a chiadeira do carro de bois anunciava ao longe a sua chegada.
Lembro-me dos dias de céu limpo e de calor ameno. Lembro-me das noites quentes e serenas em que famílias inteiras, iam ao café situado na aldeia mais próxima percorrendo uma estrada apenas iluminada pelo imenso céu estrelado.
Lembro-me de tudo isso. E será isso que ficará nas minhas memórias. Enquanto as tiver, a aldeia não morrerá!

26 de julho de 2008

O tempo


- O tempo passa tão depressa...
- Mas quando senti a tua respiração, te garanto que os ponteiros não avançaram!

25 de julho de 2008

O relato dum Videoclip



1º segundo – A voz de Ma(T)cho
10 segundos – Está possuído pelo Demo
24 segundos – Só lhes falta o martelo!
43 segundos – Mas que cabelo é este?
53 segundos – Toma lá uma cabeçada, um coice e uma cuzada, tudo seguidinho! E no final ainda se desvia duma bala à Matrix.
1 minuto e 2 segundos – Não acreditava mas é verdade, aquele cabelo... é mesmo verdade!
2 minutos e 3 segundos – A bela da calça até ao umbigo.
2 min e 12 segundos – El Rapador!
2 min e 40 segundos – Está quase... Está quase... Está..

Já há algum tempo que estava para relatar este videoclip. Na minha opinião é uma preciosidade dos anos 70, que embora não pareça, eu respeito muito. Se querem mesmo que vos diga, este música, é uma senhora música!E o videoclip, brutal!
Vale a pena recordar!

Boney M. - Daddy Cool

24 de julho de 2008

Pequenas coisas fazem grandes diferenças


Chega a ser incomodativo o pouco valor ou nenhum que damos às pequenas coisas da vida, quando estamos bem de saúde.
Hoje fiquei radiante apenas por conseguir apoiar a perna lesionada no chão enquanto andava com canadianas. Uma pequena evolução, que me faz pensar na sorte que até há uma semana atrás tinha, em poder andar, atar um sapato, correr para um autocarro, jogar futebol, lavar os pés, trabalhar, ou fazer aquilo que mais gosto que é chegar a uma praia, andar descalço sobre a areia, e olhar o mar enquanto visto o fato, para por fim me meter em cima da minha prancha.

23 de julho de 2008

Apenas uma frase, ou...



"Um casamento por amor não é, à partida, melhor ou mais adequado do que outro: é apenas mais bonito." (Tavares, 2007:124), in - Rio das Flores

22 de julho de 2008

A duas velocidades



"Vai ter que ficar de baixa até dia 28 pelo menos" - disse a médica.

Não estou a acreditar, pensei eu. (Pensei e continuo a pensar!)

"Mas eu trabalho aqui..." - disse eu na esperança que esta estúpida frase adiantasse alguma coisa

"Sim, já me apercebi, mas isso não muda nada. Esse joelho precisa de repouso, senão em vez de uma semana, são duas!"

E pronto, com essa palavra ameaçadora "duas", deixei-me logo de manias e fiquei em sentido!
Mas então agora em pleno Verão e a uma semana de partir para férias é que arranjo maneira de me aleijar no joelho?!
Como se isso não bastasse, não sei como o fiz! Vou de bicla todos os dias para o trabalho, corro, jogo futebol e faço bodyboard, e fico de baixa por algo que nem me apercebi como o fiz. É que mesmo que queira culpar alguém ou a mim mesmo, não posso.
Hoje fui ao Centro de Saúde e lá fiquei 4 longas horas à espera da consulta com a médica de família, até o aceitei com alguma naturalidade, afinal de contas tempo agora não me falta. Deu para dormir uma sestinha na sala de espera, tendo como música de fundo as queixas dos outros utentes que como eu esperavam.
O mais curioso foi reparar que sempre que alguém dizia que tinha determinado tipo de queixa, havia sempre logo outro que se abeirava e o confortava dizendo que também ele já o teve.
Mas hoje o pior estava ainda para vir. Não tinha boleia e havia que apanhar um autocarro, cuja paragem estava a cerca de 200 longínquos metros! Sim, porque 200 metros de canadianas são uma maratona.
Resumindo, isto de estar de baixa não dá mesmo com nada. Se dantes já tinha pouca inspiração para escrever, agora parece que apenas tenho expiração, ou serão suspiros de desespero?!




16 de julho de 2008

São Tomé e Príncipe


Calções, t-xirt e chinelos a arrastar no chão.
Sem relógio, e sem horas.
Comer quando tenho fome, beber quando tenho sede, descansar quando estiver cansado.
Acordar com o calor, e deitar-me com o canto dos grilos lá bem ao fundo.
Um livro na cabeceira, e um candeeiro com uma luz fraca.
Mar quente como o ar.
No horizinte linhas sucessivas de ondas que se deitam quando atingem o areal.
Ondas com brilho. Ondas com um brilho que só uma prancha consegue polir.
Eu vou ser mais um ponto desse brilho, pelo menos para mim.
Naquele mar azul como o céu, 125 azul...

É assim que imagino, daqui a 14 dias.

12 de julho de 2008

Sessão da meia noite


Foi assim que passei metade do filme que hoje paguei para ver na sessão da meia noite.
Decididamente não fui feito para ver filmes à noite, onde consigo a proeza de fazer duas sestas, uma em cada parte do filme.
Não está ao alcance de qualquer um, é só para quem pode.
Virar a cabeça só um pouco de lado, apoia-la com a mão como quem não quer a coisa, e subtilmente unir as pestanas superiores às inferiores até à altura em que as luzes acendem. Aí há que pôr uma expressão de semi-contente, como quem diz: "até gostei mas podia ter tido um final melhor"

8 de julho de 2008

Verdes Anos



Acabei de me desviar agora dos teus olhos.
Caminho com uma indiferença desconcertante, para nunca mais me voltar a cruzar com esse castanho forte.
Tinhas o cabelo apanhado e uma camisola quente, bem quente!
Por três ou quatro segundos amassamos o silêncio de um adeus para sempre. O tempo parou e as pessoas que à volta caminhavam apressadamente, também. Caiu tudo sobre mim, e a lágrima que escorreu nesse instante desse teu olhar agora derrotado, atou violentamente um nó na garganta, que anos depois ainda lá estaria por desatar.
Despedi-me já numa versão automática, olhei-te mas já não te vi, toquei-te mas já não te senti, de tal modo, que nem sequer me apercebi que essa seria a última vez que teria o meu rosto encostado ao teu. O teu rosto quente, tão quente!
Decidi apanhar o metro até à baixa para aí me perder.
Sei que aí poderei vaguear à vontade sem darem mim, sou apenas um entre muitos mais, e ninguém me virá perguntar porque não sorrio, porque não olho em frente, porque caminho desleixado, ou porque trago um raiar de sangue nos olhos.
Percorro a calçada portuguesa porque é tudo que os meus olhos hoje conseguem alcançar.
Oiço...
Alguém sentado num banco da praça, toca, mas toca a sério, tão a serio que me tocou a mim, e assim sem eu sequer autorizar, arrancou-me a alma para com ela começar a dançar. Lenta e melancolicamente.
Triste melodia, essa. A única que hoje poderia levar-me para dançar.

3 de julho de 2008

Final de tarde


Digam o que quiserem, mas se há coisa que eu adoro, é sentar-me no parapeito da janela da minha cozinha com vista para as traseiras do meu prédio e enquanto sinto o fresco do vento no meu tronco nu, cheiro o aroma a roupa lavada vinda dos inúmeros lençóis ali estendidos.
E ali fico, assim...