31 de dezembro de 2009

Apontamentos de 2009



Hora - 14h24
Dia - 1 Julho
Mês - Agosto
Filme
- Inglorious Bastards
Música - I got a feeling, Black Eyed Peas! (Menção honrosa para "You will leave a mark - A silent film)
CD - No Line on The Horizon, U2
Concerto - David Guetta, Sudoeste
Praia - Arrifana
Serra - Montemuro
Viagem - Surftrip Costa Vicentina - Alentejo
Bebedeira - Castelo de Aljezur às 04h00
Clarividência - Algures em Pedrogão ENEE, 06h53
Alvorada - Música inventada pelos 3M2 cerca das 07h00 já raiava o sol " Vem cá para fora" (ENEE)
Perfume - Boss, Bottle
Bebida - Vodka preta
Frase - Vai dar braço.
Jogo - Poker
Desporto - Bodyboard
Cidade - Estocolmo
Vida - Fiz amigos no trabalho
Momento alto do Blog - 3M2 na Rádio Comercial em "O meu Blog dava um programa de rádio"
Acerca do Blog -190 Post´s em 2009, em 4 anos e meio 24730 visitas, 464 Posts!!!
Expectativas 2010 - (Faz-se silêncio)

Ah e pronto... anúncio do ano...

30 de dezembro de 2009

Ahhhh



Céu azul. Sol amarelo. Já não me lembro como é, a sério!
Serotonina a zeros.
Tenho uma vontade de nada. Estou amorfo. Prostrado. E para lá de tudo isso, o meu olho direito não pára de tremer!!!

Esta é a ver se bloqueia para aí os efeitos vagais que às vezes limitam aqui o pensamento e a acção...
Música feita de atropina, da purinha, que vou agora snifando sem ninguém em casa e com o volume no máximo.
As calças a cair ao rabo, sem T-shirt, movimentos em forma de espasmo descordenado contra as paredes brancas e o barulho dos calcanhares a bater com força no chão.
O corpo como nunca o tinha antes visto.



Escachado


Epá, confesso que até à bem pouco tempo eu era organizadinho.
Fazia sempre a cama, dobrava a roupa, aspirava o quarto, arquivava os papeis e mandava as embalagens que deviam ir para o lixo, para o lixo.
Mas por estes dias tudo o que eu queria, era um pouco de organização neste meu rectângulo, mas juro que não lhe estou a conseguir pôr mão!
Era neste quarto e nas ideias...
Ora aqui fica o desejo para 2010.
Quarto e ideias. Arrumados

24 de dezembro de 2009

Conto de Natal - Parte II

Ver Conto de Natal - Parte I

Arrancou sempre com mudança a fundo, até à casa dela. Assim que chegou, parou o carro atravessado na estrada e nem sequer o desligou. As luzes ficaram ligadas enquanto iluminavam dois carreiros de gotas que se perfilavam à sua frente.
Chovia cada vez mais forte, mas mesmo assim o seu grito por ela, ouviu-se lá na cozinha onde ela estava.
Ela, que já há três anos sozinha, resolveu convidar a vizinha do andar de cima. Também vivia sozinha e juntas tinham combinado fazer o natal acompanhado.
No meio da farinha e dos óleos ao fogão, a mais sábia lá foi partilhando uma ponta do mundo que tinha vivido.
Tinha saído de casa por volta dos 16 anos e cedo começara a trabalhar nas vindimas, na apanha das batatas, do tomate, da azeitona... de tudo o que a terra tinha para dar. Costumava dizer que o chão tinha sempre trabalho para dar a quem o quisesse agarrar e foi por isso que chegou aos 87 anos sem saber ler nem escrever, mas com uma casa própria e três campos nas redondezas da sua aldeia que lhe tinham calhado em partilhas.
Já lá não ia há anos, ao norte, mas o facto de ali estar a contar tudo aquilo por que tinha passado, fez com que este Natal deixasse de ser em Lisboa.
Estavam as duas de avental posto, a senhora e a miúda, quando se apercebem que alguém lá fora chama por uma delas.
A mais nova limpou à pressa as mãos, enquanto a mais velha foi à janela e espreitou pelas brechas dos estores. Conseguia ver a espaços um rapaz por entre os dois rasgos de luzes dos faróis . Só pode ser maluco - pensou ela
- É o Carlos?
- Sei lá se é o Carlos. Só sei que não deve estar lá muito bom do juízo.
- Sim, é ele!

Aquela resposta não deixou qualquer dúvida à convidada. Depois de tanta coisa que já tinha vivido, ouvi-la dizer que seria ele, disse logo que ele era para ela.
Em sobressalto atirou o avental para o canto da sala, abriu a porta, deu mais um passo e ali ficou, qualquer coisa como 5 segundos que aos olhos dela, mais parecia uma eternidade.
A velhota continuava a espreitar por detrás dos estores com a luz acesa e viu os dois abraçarem-se. Apenas isso. Como ela o fez em 1938 com o único homem que tinha "conhecido".
Ali à chuva, aqueles dois não fizeram mais nada, nem nada disseram.
Agora resolvidos, ele entrou no carro e ela voltou para dentro.
A Sr.ª guardou para si mesma que, um dia aquela miúda seria também uma senhora e aquele miúdo, para sempre o seu senhor.

Música do dia - "All i want for christmas is you"



Para aqueles que aqui vêm hoje e amanhã, aqui fica um pequeno apontamento.
Esta é para mim, sem qualquer sombra de dúvida, a minha música de Natal preferida.
Não sei se será por estar associada à minha memória de 13 anos e perigosamente juntando a isso, o pequeno pormenor de ser cantada pela Mariah Carey.
O que é um facto é que fala do que realmente importa no natal... as pessoas!
Eu como prenda de Natal, vou procurar dar um pouco mais de mim às pessoas, mais tempo.
Será difícil, mas vou tentar...

Sem mais demoras e conversa fiada... um Feliz Natal a todos e muito obrigado por se lembrarem de nós (3m2) neste dia;)

23 de dezembro de 2009

Conto de Natal - Parte I



Era a véspera de Natal.
Ele saiu de casa, sozinho, no fundo, era assim que estava.
Saiu à procura de novos rumos, inspirações, decisões ou apenas de um pequeno momento de nostalgia.
Estava a chover miudinho e sentia-se uma brisa quente tendo em conta os dias que se tinham antecedido.
Começou a ficar um pouco incomodado com a procura prolongada das chaves do carro. Ainda agora as tinha guardado... Bolso esquerdo, direito. Calças...
Encontrou!
Entrou rapidamente para dentro do carro, esfregou as mãos repetidas vezes na esperança de aquecer um pouco mais e virou a chave na ignição. Deixou aquecer um pouco o motor e ligou o rádio. Não quis o cd que lá tinha, experimentou a espontaneamente de uma rádio local.
Daí até ao momento em que estacionou não recorda nada. Fez talvez uns 5 km como se estivesse em piloto automático, com o olhar vidrado para a frente, sem tomar a mínima atenção na estrada, nem tão pouco nos raros peões que se aventuravam nos estreitos passeios que conduziam até a zona de Belém.
Estranha essa sensação, de se chegar a um local, sem saber como. Parou assim que encontrou um lugar, mas manteve por momentos o para-brisas ligado.
As imagens distorcidas através do vidro sempre lhe fizeram confusão.
Desligou o carro e rapidamente um vulto se aproximou do lado de fora, com um rolo de jornal amassado debaixo do braço e um boné esbranquiçado meio sujo e ensopado a fingir de guarda-chuva. O outro, fez-lhe de fora uma sinalética qualquer, mas ele preguiçosamente ignorou.
Puxou o fecho do casaco até bem acima e já sem ninguém no horizonte, saiu do carro a custo. A chuva agora amassava qualquer um que de mais maluco tivesse o pensamento e só essa o empurrou aos soluços até ao lado aposto da estrada.
Entrou desconfortável, tinha os ombros, as coxas e as pontas dos ténis de verão completamente molhados por aqueles quinze metros de rio que caia do céu.
Rapidamente sentiu o quente do interior e o ambiente acolhedor. Tinha entrado no café . Tinha as paredes forradas a madeira, vítima de uma clara reconstrução bem sucedida. A decoração era simplista, mesas pequenas redondas, também em madeira, o suficiente para duas ou três pessoas se ouvirem sem necessitarem mais do que um pequeno sussurro.
Fez o seu pedido e cambaleou até ao andar de cima.
Após um olhar de 360º, escolheu uma mesa junto à janela. Lá fora continuava a chover e ele entreteve-se por momentos a seguir o trajecto aleatório dos pingos janela abaixo.
Aos poucos apercebeu-se da música de fundo e ficou um pouco constrangido com o poder que ela tinha no moldar daquele ambiente.
Olhou de novo em volta e fixou-se nas poucas pessoas que o rodeavam. Nos sorrisos a dois, nas cumplicidades, nos aconchegos, nas confissões, nas conversas, nos mexer de copos e nos toques debaixo da mesa.
Divagou para o ranger do chão de madeira e fixou-se no resto do café que ficou no fundo da chávena. Rodou-o par a direita, depois para a esquerda, desfocou o olhar e procurou encontrar o que lhe faltava naquela sala.
Foi ao bolso direito e procurou impacientemente por uma sms, uma chamada não atendida, um ameaço de chamada... mas nada. Ecrã livre, caixa de mensagens vazia e a rede no máximo.
Ainda pensou em ligar-lhe, chegou mesmo a pôr a chamar, mas tão depressa se apercebeu que apenas isso não chegava, que enxotou a cadeira para trás e saiu disparado escadas abaixo até ao carro.

Natal


Basicamente o Natal é sempre a mesma coisa.
As mesmas luzes, as mesmas expectativas, as mesmas conversas acerca do consumismo, a mesma necessidade de comprar prendas a toda a gente que nos é importante, a mesma necessidade de comprar prendas a alguém, apenas porque sabemos que esse alguém nos vai dar também uma prenda, os mesmos planos, com as mesmas pessoas, as mesmas comidas, as mesmas receitas, a mesma seia, o mesmo telejornal, as mesmas reportagens, as mesmas mensagens, os mesmos filmes.
E tudo isto porquê?
Porque simplesmente não somos capazes de abdicar do nosso pequeno ritual.
Eu não sou capaz de abdicar das batatas, do azeite e do bacalhau.
Eu não sou capaz de abdicar, das mesmas conversas à mesa, sobre os mesmos assuntos, os mesmos pontos de vista e as mesmas chatices, ano após ano.
Somos uma espécie de hábitos, cada vez menos, mas penso que ainda há um que se vai mantendo, pelo menos cá em casa e esse é o Natal em família. Mais ou menos chateados, mais ou menos bem dispostos, mais ou menos condescendentes...
Mas é assim, é a nossa família, somos nós! Um nós sem o qual claramente não conseguimos viver.

22 de dezembro de 2009

Mais uma noite no hospital



Acaba por ser em noites como esta que vemos no café o nosso maior aliado.
Aos bochechos consigo ir até lá fora respirar um pouco de ar fresco.
Está a chover.
Num pré-fabricado, estão uma dúzia de familiares de doentes que se encontram em tratamento, sedentos por um pouco de informação. Falam entre sim, das suas histórias, do que os trouxe hoje ali e quando o assunto falha, falam apenas do tempo.
Está frio.
Vou até à máquina do café. Deposito nela toda a confiança que tenho no bolso, dez, trinta, trinta e cinco cêntimos.
Aquele barulho tipo turbina. Pouco depois o apito e finalmente está pronto.
O café das 5h30 minutos.
Mexo distraidamente a palhinha. Talvez até mais do que o necessário.
Está quente. Diria que vem em jeito de corte com as ideias lentificadas que já se vinham apoderando de mim.
Bebo a última gota como se de um líquido precioso se tratasse.
Volto costas ao desespero dos familiares e volto até aos meus doentes.
Está quase.
Mais uma noite no hospital.


21 de dezembro de 2009

Felina fugitiva



Acordei quando deixas-te a cama.
Arrefeceu logo do meu lado direito, bem ao jeito dos lençóis que deixaste amarrotados no lugar do teu corpo nu.
Tomaste um banho rápido, vestiste o que tinhas à mão e voltaste na direcção da cama.
Fiz-me de adormecido, apenas para te sentir chegar a mim, sem aviso.
Tal qual uma felina, pousaste o joelho direito na berma da cama, depois a mão esquerda, e por fim chegas-te ao meu ouvido.
Ia jurar que me ias dizer qualquer coisa. Eu fiquei ali, a gozar sozinho e egoísta aquele instante na esperança de sentir o teu toque. Mas ele não veio.
Tu recuaste, tanto até que estalou o trinco da porta.
Nunca mais voltaste.
Procurei-te pelas ruas, grandes e pequenas, nos bares, cafés e estações de comboio.
Andei dias na rede de metro à procura do teu perfume, do teu andar ou apenas de alguém que se risse como tu.
Perguntei aos perdidos da cidade se te tinham achado, aos atarefados de gravata se te tinham encontrado e até aos vadios da sociedade se se tinham cruzado.
Afixei posteres, gritei nos altos e pedi para mim.
Que voltasse aquele dia.
Que te sentisse entrar na cama e te fixasse só mais dessa vez.

20 de dezembro de 2009

Frio, consumismo... e neve




Épa, isto não está mesmo nada fácil.
Fazer a gestão de uma disponibilidade temporária e económica para este mês não está mesmo ao alcance de todos.
Ele, é jantares de Natal do serviço, dos amigos da rua, dos amigos da faculdade, dos amigos do 12º, dos amigos do secundário, da associação cultural, jantares de aniversário, saídas para a discoteca e até prendas para o amigo secreto, como é que eu me hei-de virar?
Estou farto de fazer contas de subtrair neste mês... Suponho eu com isto, que deve ser para desenjoar das poucas que vou fazendo de somar ao longo do ano.
Bem, no meio desta revolta toda até aproveito para materializar uma ideia que é bem capaz de ter pernas para andar.
Vocês já imaginaram o que seria uma haver um dia de Gentleman´s night?
Já ando com essa ideia há algum tempo e ando a estudar a viabilidade de a apresentar a uma qualquer discoteca.
Mas nisto tudo, o que mais me revolta é o facto de nós homens, sermos constantemente discriminados. Não há um único lugarzinho que nos dê essa pequena benesse...
Sinceramente acho que teria sucesso garantido e no fim de contas, não deixa de ser um raciocínio lógico de fazer, não acham?
Por fim e tendo em conta o frio que já faz a esta hora, vou mas é concentrar-me no espírito natalício que anda por aí. Com jeitinho pode ser que até acabe por nevar nesta Lisboa... (Ó Sr. São Pedro, mande lá um pouco desses flocos brancos que tem praí guardados, que o pessol agradece)

18 de dezembro de 2009

Música do dia - "Gravity"




Se há dias para ouvir esta música... Este é sem dúvida um deles!

Sara Bareilles - Gravity

Ainda acerca do terramoto


Li num dos meus blogs de pesquisa obrigatória diária, que esta coisa da formação sísmica que nos dão na escolinha primária não tem lá muito efeito, o que até é bem capaz de ser verdade...
Ora bem, em primeiro lugar, porque o pessoal não tem como pôr estas coisas em prática... Ainda se tivéssemos uma coisa destas todas as semanas para treinar até ficar perfeitinho...
Depois se efectivamente sentirmos mesmo algo a mexer em casa, não me venham com histórias. O prmeiro pensamento que vem à cabeça, é que são os vizinhos de cima que estão a mudar de novo a disposição à sala.
Se a coisa continuar, lá pomos a hipótese de poderem mesmo ser espíritos que estão por detrás disto e para se divertirem, abanam a cama e a fazem baloiçar os candeeiros do quarto.
Por último, chegamos ao cúmulo de colocar a hipótese de estarmos a ficar maluquinhos e só sentimos o alívio quando vamos à janela e está toda a gente a perguntar se aquilo foi mesmo um sismo... Acho que só mesmo com tanta dúvida, é que chegamos à certeza, sim, foi mesmo um sismo, e dos grandes!

17 de dezembro de 2009

Ingurgitamento mental


Hoje até me podia dar para escrever.
Fazer um daqueles grandes encadeamentos de palavras e deixar transparecer algumas ideias...
Mas estou a sentir algures uma obstrução a montante, que desconfio que nem a martelo me vai deixar esculpir a mais pequena ideia...
Já por sua vez, uma, duas ou todas as correntes de aço, serão sempre inúteis na tentativa de ligar qualquer pensamento que seja!
Sabem que mais?
Vou correr!

16 de dezembro de 2009

Até...

Gostar a sério


Realmente quando se gosta a sério...
Quando se gosta a sério, não há dúvidas, gosta-se e pronto!
Quando se gosta a sério, não há contratempos, todos os instantes são especiais, todos os momentos são oportunos e todos os dias são ideais.
Quando se gosta a sério, não há sonos em atraso, não há trabalho a mais ou descanso a menos.
Quando se gosta a sério não há telemóveis sem bateria, locais sem rede ou cartões sem saldo.
Quando se gosta a sério, tem de ser hoje, agora, de qualquer modo, em qualquer lugar, à chuva ou no mar, ao frio ou a transpirar.
Quando se gosta a sério não há inesperados, todos os dias acaba por ser possível, todas as desculpas são válidas... Não há aquela preguiça do talvez ou o desleixo do marcar para depois.
Quando se gosta a sério, não nos esquecemos, simplesmente não conseguimos deixar de pensar.
Tem-se aquele olho vidrado, fixo e maniento tal qual uma roleta viciada que apenas vê um número, o que lhe convém.
Quando se gosta a sério tem-se aquela sede. Sede que não cede à água. Sede que não aumenta com sol. Sede. Apenas, de alguém, em qualquer lugar, de qualquer maneira a qualquer hora, porque esta sede corroí, de dentro para fora. Começa nas cavidades do coração e vai queimando aos poucos cada vaso que alimenta o mais pequeno pensamento.
Pensamentos tortos ou modelados, ao nosso gosto, porque sim. Pensamentos de acções, reacções, ideias revestidas de convulsões.
Quando se gosta sério, todos os impossíveis acabam por ser apenas mais uma... hipótese.

12 de dezembro de 2009

Transparente



Entro no metro, cheio, cheio de gente.
Sento-me mesmo à tua frente e tu nem reparas.
Não reparas que eu te olho insistentemente de relance.
Vejo-te fazer caretas para o vidro assim que entramos nos túneis. Deitas a língua de fora, entortas os olhos, enches as bochechas de ar, levantas as sobrancelhas, mostras os dentes e fazes bolas com a saliva.

Sento-me no banco à tua frente e tu nem reparas.
Olhas-me com um olhar tão leve e despreocupado que facilmente me apago de qualquer intenção...
Tu, juiza de ti ou de alguém, que certamente ali não está. Muito menos aquele invisivel transparente sentado mesmo à tua frente.

11 de dezembro de 2009

Quem quer ser milionário




Pergunta para 25.000 €:

Ora bem, se eu vou a um prédio visitar alguém que mora no rés do chão e esse alguém tem a porta de casa à esquerda do átrio das escadas, então qual é a campainha a que eu vou tocar?

A) - Não toco, simplesmente bato à janela, até porque da rua consigo ver a pessoa conhecida;
B) - Toco para a campainha do rés do chão esquerdo;
C) - Toco à campainha do rés do chão direito;
D) - Toco várias vezes à campainha do rés do chão direito, mas com mais força (sim, porque essas coisas também se sentem) , até acordar o desgraçado dessa casa que esteve a trabalhar durante toda a noite, e depois categoricamente decido ignora-lo quando ele pergunta Quem é? 338 vezes, porque entretanto bati à janela e já estou feliz e contente a falar com a minha pessoa conhecida.
Fácil não é?

Livra! Isto de se trabalhar de noite e dormir de dia tem muito que se lhe diga...

10 de dezembro de 2009

Sonhos



O sonho, é a melhor maneira de preservar uma realidade perfeita.

7 de dezembro de 2009

Liberdades individuais




Fechado em casa e embrenhado no cinzento que cobria momentaneamente o sol das duas da tarde, ele agarrou na guitarra.
Instintivamente começou a tocar algo que corroesse e abrisse ainda mais a sua ferida.
Tocou, tocou, tocou para si e para mais ninguém.
Tocou até não sentir mais as cabeças dos dedos da mão esquerda que hoje e só por hoje, se tinha vestido a rigor da ocasião.

...

O sol começou a espreitar e com ele se foi a apatia alimentada aos acordes daquela música triste.
Pousou a guitarra em cima da cama ainda desfeita, levantou os estores e abriu a janela.
Lá do cimo do 5º andar, respirou aquele ar amornado pelo sol de início de tarde, enquanto olhava a sua mota lá em baixo.
Vestiu um par velho de calças de ganga, uma t-xirt branca e o seu blusão de cabedal deixando-o aberto.
Agarrou nos seus óculos de sol, no capacete preto que há semanas guardava o pó debaixo da cama e nas chaves de casa.
Desceu as escadas a correr, amparando todos os desequilíbrios com encontrões contra as paredes, até que por fim chegou ao rés do chão e abriu a porta para a rua.
Em câmara lenta, foi andando até ela.
Guardou as chaves no seu bolso direito, olhou os prédios em redor, colocou cuidadosamente o capacete e os óculos escuros e sentou-se em cima da mota.
O céu abriu definitivamente, como há muito não o via.
Não viu mais nada, ligou a mota, em ponto morto acelerou duas vezes e nunca mais ninguém o viu.


The other side


Realmente acaba por se tornar tudo muito mais fácil quando se está do lado de lá...
A facilidade com que recriminamos os erros dos outros, ou aconselhamos de ânimo leve alguém a tomar decisões difíceis, é gritante.
Tudo é claro, tudo é linear, tudo é óbvio, tudo é fácil e nada nos tira o sono, até ao momento em que se passa connosco.
Aí, já são os outros que não compreendem e já é a nós que custa decidir, fazer ou até fugir.
Fugir, porque às vezes fugir é tão ou mais complicado do que correr atrás.
Viver.
É fácil viver.
É fácil escrever um manual de instruções. Mas agora, segui-lo hoje, mesmo tendo sido escrito por nós ontem... tem muito que se lhe diga.

6 de dezembro de 2009

Estranho II

Ver Insónias



Estranho como os anos passaram...
Estranho mesmo as coisas a que eu recorro, apenas para disfarçar a tua ausência.
Tu continuas a não responder, atender, devolver... E a casa continua assombrada pela tua não presença.
Dias, que aos poucos foram sendo encostados pelas semanas.
Meses, que sem piedade continuas a ignorar.
E anos, que automaticamente se agarraram a alguns desses meses, meses que teimas em prolongar.
Difícil seria admitir que o ruído da televisão o é, apenas porque ela de noite continua ligada... Numa infundada esperança de preencher um pouco do silêncio, que um dia cá em casa deixas-te esquecido.
Difícil seria admitir que os ruídos da cozinha, não eram mais do que saudades dos teus frenéticos e impiedosos ataques a meio da noite ao nosso frigorífico... Difícil.
Difícil será admitir que pela primeira vez, monto este presépio sem os teus detalhes e preciosismos, que constantemente atropelavam o meu mais puro atabalhoar.
Tenho saudades desses difíceis...
Ligaste-me agora.
Tu não falas-te, mas eu sei que foste tu!
Ouvia lá ao fundo o batuque de um cego, que decerto percorria o longo corredor da carruagem do metro em que tu te encontravas.
Sei que eras tu, porque sim!
Sei, porque depois destes anos todos, ainda me lembro de quando respiravas assim!

5 de dezembro de 2009

Estranho...




Abrir a porta, sozinho.
Luzes apagadas. As sombras dos clarões da rua que penetram a custo nos corredores compridos pelo escuro.
Lavar os dentes.
Vestir o pijama.
Tapar com os cobertores, virar para o outro lado, até que a televisão estala!
Seria?
E a porta da sala que começa a bater? Ao de leve contra a parede. Não está nenhuma janela aberta. Estará?
Não me lembro... Levanto-me para confirmar? E a porta está trancada?
Outro estalo! Agora da cozinha...
Porquê, mas porquê é que isto acontece sempre à noite, à mesma hora...
Será coincidência? Hábitos de algo ou alguém?
Nesta casa?! Na nossa casa...
Estás aí?