29 de setembro de 2006

Colectânea musical- Best of 1981-2006

O avô cantigas faz-me lembrar quando contornava os números e as letras a picotado. Saía da primária ás 15h e ia até casa a cantar aos altos berros com os colegas por entre os prédios. Estava-me a lixar para o mau aspecto. Não sabia o que isso era! Hoje não sou capaz de cantar assim...
A “noite” dos Resistência faz-me lembrar o beijo que acabei por não dar atrás do pavilhão B. Tive vergonha. Sabia lá como é que isso se fazia...Nessa altura a troca de olhares era o acto mais arrojado que eu tinha coragem de fazer. No último dia de aulas podia ter-lhe dado um beijo...não dei.
“Always” dos Bon Jovi, lembra-me apenas de mim. Quando ficava horas fechado no quarto a ouvir a mesma cassete vezes sem conta. Nessa altura os dias pareciam maiores que hoje, pareciam grandes, havia tempo para tudo, menos para pensar nas 5 negativas do 2º período.
Já os Nirvana lembram-me a adolescência. Os amigos e as amizades. As paixões que tão depressa nos batem e cegam como a seguir desaparecem sem deixar marcas.
Pouco depois surgem os Silence 4. Nunca vi um grupo Português que gerasse tanto consenso em tão pouco tempo. Lembro-me de quando os seus discos tocavam incessantemente nos intervalos lá da escola. Provavelmente o grupo que passou mais vezes no meu leitor de CD´s.
Quando me lembro da minha primeira viagem de finalistas, os Limp Bizkit são a banda sonora. Foi em Loret de Mar. Até lá pensava as coisas sempre mais a sério. Pensava eu que na altura o sério dava pelo nome de namoro, um sério de três ou quatro semanas, mas que na altura era um sério muito grande. Como eu estava enganado...
Logo a seguir acordei para a vida. Não me lembro de banda sonora para este momento... talvez os sermões do meu pai, ou os incentivos da minha mãe... não sei... fica para mim.
Assim cheguei ao dia de hoje.
Agora olho para trás e tenho um móvel atolado de CD´s com músicas que me marcaram e modas que passaram. De alguns tenho orgulho, de outros nem tanto, mas não é por isso que vou mandar os CD´s da Britney para o lixo.
Todos eles contam um pouco de mim.

Olho melhor e há um que se destaca... é diferente de todos os outros... capa de cartão...em tons de acastanhado, esse castanho que alguém sempre gostou...
Também ele me faz lembrar muita coisa...

Consegues adivinhar o que estou a ouvir agora?

26 de setembro de 2006

A certeza da indefinição…

…entras-te e tudo à volta parou! Os nossos olhares cruzaram-se momentaneamente e deixou de existir o bar, deixaram de existir as pessoas, deixou de existir a Silux.
Naquela fracção de segundo parecia só existir eu e tu, até que ouvi a Silux dizer:
― Eagler, Eagler que tens?
Ainda meio atordoado com a impossibilidade concretizada do acontecimento, respondi:
― Nada, ‘tou apenas mal disposto…!
Quando olhei de novo para ti pareceu-me ver uma lágrima a balançar na pálpebra à espera que lhe desses ordem para cair…
Não, não podia ser. Ou se fosse não seria certamente pelo que eu queria que fosse. Ou seria? Não… ainda me lembrava de como tinha sido a nossa única abordagem!
A noite acabou ainda mais rápido do que seria de esperar com a Silux a ficar em casa sem perceber a minha mudança de atitude repentina.
Agora tinha a certeza que ela não era definitivamente o abrigo que eu queria para a minha dor. Não a podia usar como um mero guarda-chuva para a tempestade que caía sobre mim…
Na cama já só esperava o dia de amanhã… no fundo não sabia se devia ter de novo esperança ou se tinha perdido para sempre!
Tentei dormir…
Fechava e abria os olhos e só me conseguia lembrar daquele momento…
Levante-me, fui á cozinha, bebi um copo de água.
Deitei-me de novo…
O momento parecia não querer sair da minha cabeça.
Os teus olhos verdes continuavam a olhar para mim como naquele momento…

24 de setembro de 2006

Bodyboard


Sem treinador;
Sem adversário;
Sem arbitro e sem faltas;
Sem vitórias e sem derrotas;
Sem ilusões,
mas acima de tudo... sem preocupações.

Só o mar e a minha prancha.

Já tinha saudades...

21 de setembro de 2006

Virar a página


Hoje acordei bem. Acordei sem o recurso ao despertador. Aquele que dia após dia se vai tornando cada vez mais irritante, não só aos meus olhos, mas aos olhos de mais meio mundo que vive de horários.
Acordei por mim.
Eram 10 horas e não me apetecia sair da cama. Depois de 10 minutos na cama a fazer ronha decidi levantar-me. Em boxers lá me dirigi à janela da minha cozinha.
A rua estava completamente molhada. Finalmente voltou a chuva!
Acho que ainda estou naquela fase em que a chuva me tráz boa disposição.
Apetece-me ouvir David Fonseca. Aquele que, quer nós queiramos quer não, veio virar uma nova página da musica em Portugal.
Para mim hoje também é dia de virar a página.
Apetece-me saltar como fazia nas aulas de educação física!

Adeus verão!

17 de setembro de 2006

De Corpo e Alma

Nunca os tinha visto ao vivo. O primeiro CD original de bandas Portuguesas que comprei foi deles, aliás até cometi mesmo a loucura de comprar dois CD´s deles. Onde estaria eu com a cabeça, pensam vocês...
O que é certo é que ontem em Linda-a-Velha o Miguel Ângelo encheu o palco com uma voz que não acusa as marcas de uma das mais longas carreiras musicais em Portugal.
Soube bem saltar ao som de "Sou como um rio", vibrar com a "Canção do engate", sentir a nostalgia vivida em "Um lugar ao sol", e ouvir uma das musicas da minha vida "A baía da Cascais".
Para terminar, "Nasce Selvagem", sem dúvida uma das melhores letras Portuguesas.
Por todo este passado e pelo renascer da banda mostrado com "Fiat lux" valeu bem a pena!


Confesso que a minha aparelhagem já não estava habituada aos seus acordes. Mas hoje, vai ter bem oportunidade de os relembrar... "Delfins"

11 de setembro de 2006

Direito da escolha no 11 de Setembro

A discussão do dia anterior, em nada alterou as suas últimas palavras.

Minutos antes, terá ligado à sua mulher a dizer o quanto a amava, a dizer o quanto ela era importante para si, a dizer para olhar pela sua filha...a dizer que tinha que desligar...


Enfrentar o ruído consumidor das chamas, ou optar pela agonia de um voo tranquilizante.
Ao menos ele teve direito a escolha.

Terá ele escolhido?

8 de setembro de 2006

Final de tarde no Rio de Janeiro

Era mais um dia de calor abrasador naquela cidade.
Ambos conduziam na avenida principal, e ele procurou forçar a coincidência.
Abrandou a sua marcha na esperança de que ela passa-se por si.
A coincidência aconteceu e ela sorriu.
No próximo cruzamento, os seus caminhos eram diferentes. No entanto, ele não conseguiu mudar de faixa de rodagem.
Afinal de contas “ela tinha sorrido...e ele foi atrás”
Deixaram-se seguir até uns metros à frente quando ele lhe deu indicação para encostar.
Ambos pararam os seus carros.
Como que num acto de controlo, o Cristo Redentor lá de cima espiava todos os movimentos destes dois.
Falaram sobre as difíceis escolhas do passado, mas não podiam deixar fugir a mais difícil delas todas... a do futuro...
Quanto ao presente, não foi possível escolher, tal como ele não pudera momentos antes... Afinal de contas ela sorria!

Agarrou nas mãos dela.
Encostou-a ao seu carro.
O tempo parou, e por momentos prolongou a hesitação de um beijo... do ultimo beijo.
Tão verdadeiro quanto o primeiro,
Tão inesperado quanto o primeiro,
Tão viciante quanto o primeiro...
Tão impossível de contrariar quanto o primeiro.

5 de setembro de 2006

Dúvidas…! – Acto II

(Este é mais um trecho do “Duvidas…!” que começou á uns meses aquando do nosso aniversário e aguarda continuação na minha imaginação…)

Sonhava que ia numa caravela voadora e ai conseguia ver o mundo todo cá em baixo.

As pessoas atarefadas de um lado para o outro.

A criança que saia de casa de manhã para ir comprar o pão para o pequeno-almoço da família.

A peixeira no cais já a apregoar seu peixe acabado de chegar do mar, trazido pelo seu homem que andava à dias na faina.

Até o jogador de futebol que tinha chegado mais cedo ao campo, para treinar os penaltis que tinha falhado no jogo anterior!

Via o mundo como um todo enquanto caminhava em direcção ao vazio… o que haveria para lá da cortina de névoa para onde a caravela se dirigia?

Seria a minha felicidade ou a minha desgraça total?

Seria a paz eterna ou uma nova guerra para a qual me tinha de preparar?