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2 de fevereiro de 2011

Escudos de protecção


É esse o teu escudo de protecção? Estás segura...
Segura por arames...

16 de janeiro de 2011

Escovar os dentes pela casa...


Ele estava sentado no sofá, até que ela vem ter com ele a dizer qualquer coisa que ele não entendeu.
Ela estava a escovar os dentes, tinha os lábios todos sujos de um branco aleatório, o miúdo agarrado às calças do pijama e cabelo despenteado, mas por ser assim e só dessa maneira, estava perfeita.
Se havia alguma coisa por perceber, ele já nem quis saber...

2 de setembro de 2010

Pôr do sol


Agarrou no carro, bêbado, já com o sol a arrastar-se lentamente de encontro à colina que surgia à sua direita.
Numa sucessão de imagens cortadas, e por entre guinadas na direcção lá foi seguindo o seu caminho.
Um caminho desconhecido, e que não fazia intenção de memorizar.
A velocidade não era muita, mas as ideias passavam-lhe como flash´s de luz intermitente.
Sentia-se bem!
Não estava a pensar...

4 de julho de 2010

Espiral



Não será a vida uma espiral?
Perdoar sempre!
Recomeçar sempre!
O medo de ir cedo demais...
O medo de chegar tarde demais...
Gostava de poder cantar a vida!
Já ouvi de todas as despedidas.
Já ouvi de todas as desculpas.
Desculpa é uma palavra simples de dizer,
Desculpa é uma palavra difícil de aceitar.
O problema é quando não há nada para mudar
O problema é quando não há nada para mostrar
Difícil não é dizer “amo-te”
Difícil é viver o “amo-te”

12 de abril de 2010

Compro carros usados

"Compro carros usados com ou sem avaria. Contactar Sr. Cerveira - 966984XXX"

Ó Shôr, mas que vem a ser isto?
O meu carro por acaso ter ar de quem quer mudar de dono?
Bem sei que já tem uma teia de aranha no espelho direito, mas isso é porque a aranha responsável nunca se afoga e está constantemente a sobreviver às minhas investidas aquáticas. Já me perguntei a mim mesmo se ela não terá umas guelrinhas assim escondidas como quem não quer a coisa, mas nunca cheguei a uma conclusão..
A sorte que o Shôr tem, é que agora já não chove, porque se eu voltasse a ver aquela papa de papel no meu para-brisas, acho que ia haver problemas...
Pronto, posto isto, espero não vir a contar com mais uma das suas incursões silenciosas (quase que de certeza nocturnas) que o Shôr Cerveira toma a cabo.

Vá lá a ver...


30 de dezembro de 2009

Ahhhh



Céu azul. Sol amarelo. Já não me lembro como é, a sério!
Serotonina a zeros.
Tenho uma vontade de nada. Estou amorfo. Prostrado. E para lá de tudo isso, o meu olho direito não pára de tremer!!!

Esta é a ver se bloqueia para aí os efeitos vagais que às vezes limitam aqui o pensamento e a acção...
Música feita de atropina, da purinha, que vou agora snifando sem ninguém em casa e com o volume no máximo.
As calças a cair ao rabo, sem T-shirt, movimentos em forma de espasmo descordenado contra as paredes brancas e o barulho dos calcanhares a bater com força no chão.
O corpo como nunca o tinha antes visto.



5 de dezembro de 2009

Estranho...




Abrir a porta, sozinho.
Luzes apagadas. As sombras dos clarões da rua que penetram a custo nos corredores compridos pelo escuro.
Lavar os dentes.
Vestir o pijama.
Tapar com os cobertores, virar para o outro lado, até que a televisão estala!
Seria?
E a porta da sala que começa a bater? Ao de leve contra a parede. Não está nenhuma janela aberta. Estará?
Não me lembro... Levanto-me para confirmar? E a porta está trancada?
Outro estalo! Agora da cozinha...
Porquê, mas porquê é que isto acontece sempre à noite, à mesma hora...
Será coincidência? Hábitos de algo ou alguém?
Nesta casa?! Na nossa casa...
Estás aí?

7 de novembro de 2009

Cruzar de vidas


Enigma - Return To Innocence - Awesome video clips here

Vida que ignoramos.
Vida breve. Vida curta. Vida por viver. Vida que queria viver. Vida que vejo outros viverem. Vida que eles me vêem viver.
Vida que dura. Vida que marca. Vida que marca vidas. Vida que muda porque foi marcada. Vida que podia ter mudado se te tivesse vivido. Vida que desconheci.
A vida é assim. É vida que vemos crescer. É vida que damos. É vida que nos fazem viver, até ao dia em que é vida que perdemos.
Aquele ultimo suspiro expurgador de qualquer resquício de ar de dentro dos pulmões .
Ar. Porque aí,(quando os cabelos forem brancos, os olhos cansados e as rugas taparem a beleza que um dia foi charme), é apenas isso que ele é.

Ficam os cruzamentos.
Essas zonas de encontro, em que algures aquele ponto com vida, mudou de alguma forma o trajecto da linha que se atravessou à sua frente.
Melhor ou pior, essa é a mais preciosa forma de agradecer aos que vamos encontrando... com vida, a nossa vida.

3 de outubro de 2009

Espernear mental



Imagens turvas são aquelas que nos guiam para lá de e um pensamento estranho.
Imagens do que não li, iguais a tudo aquilo que nunca senti.
Hoje longe de tudo e de todos. De mim e do que me recordo de ti.
Para la do cair do dia, aí estás tu, um pouco mais perto da minha noite, escura e fria.
Guardada em casacos de arrepios e fechada em opiniões de estranhos olhares. Escuros e pesados, cansados de carregar tanta olheira e imagem usada.
Olhares que fixamente nos vão deixando órfãos de querer e de sentir o que poderia algum dia vir a ser.
Um espernear de braços descordenado na esperança de te alcançar lá ao fundo, bem diferente de ti, disforme do mundo e das cores que apagam este meu globo a preto e branco.

1 de agosto de 2009

Did I survive?


Depois tudo ficou escuro!
…
Parecia que o tempo tinha parado e no mesmo momento abri os olhos a custo, para depressa os voltar a fechar devido à luz intensa que se abatia sobre as minhas pupilas.
Deixei-me então ficar de olhos fechados, absorvendo através dos outros sentidos (será que ainda os conseguia ou podia usar?) o que se passava à minha volta.
Paz!
Somente paz!
E ao mesmo tempo que a paz, dor…
Tanta que quase não podia aguentar.
Mas…
Dor?

Como é que podia sentir dor naquele momento?
A menos que…

25 de julho de 2009

Elevações



O dia começou mal, mas estava para acabar pior.
As imagens começaram a tornar-se turvas e as pessoas simples elementos externos à minha intervenção.
Um copo cheio de vergonha que mandei abaixo em dois tempos, umas calças descaídas já rasgadas de tanto no chão roçar e uns tenis velhos empoeirados eram o complemento da minha figura.
O mundo começava a virar com o propósito combinado de me mandar abaixo, mas eu resisti dessa e doutra vez.
As vozes à minha volta eram de alegria, mas à alegria já eu estava imune.
Rasguei com as vozes e rompi noutro caminho de curvas que ainda à pouco não estavam ali.
Que me empurrem se quiserem, não me importo... Cair e não mais levantar. Só eu, o chão e as pequenas areias que se vão cravando à minha pele e que eu vou suportando com este anestésico.
...
Ao fundo começo a ouvir um pequeno eco de palmas que sai de um aglomerado de gente. Vibram como quem vibra quando ouve algo que o conquista pela primeira vez.
Abro os olhos, levanto-me apoiado nestes primeiros acordes, sacudo as pedras e encosto-me a um poste com a cara marcada.
Ali fico, de olhar semi-cerrado a beber daquele negativismo que me traz à sobriedade por haver alguém que canta este meu momento.
De repente, vejo-me a embalar ao ritmo de umas teclas e a saltar sozinho de felicidade, solto do mundo e dono de mim.
A Silent Film - You will leave a mark

28 de junho de 2009

Comunicado - Parte III



O sol já se começava a pôr e a viagem passou-se rapidamente, tínhamos ido o caminho todo na palhaçada e sem dar conta lá chegámos à Vila dos Pedidos Mais Estranhos...
Sem grandes demoras, entrámos Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos e tentámos fazer uma cara seria, tal qual três pessoas integras como eles haviam pedido.
Atendimento - Senha sete!
Zapporsson - Olha, somos nós. Vá não se riam agora, cara séria!
A - Faça o favor de dizer...
Z - Bem, eu venho aqui para revogar uma decisão tomada pelo vosso departamento, que me tem impedido de continuar a escrever no Blog que nós três temos. Bem sei que me pediram cinco, mas eu trago duas testemunhas claramente idóneas, que podem comprovar a minha capacidade para voltar a escrever de uma forma mais ajustada aos valores que a vossa Sociedade defende.
Olhei de relance e tanto o Cephas Zoth como o Walter Love estavam a fazer um esforço para não se desmancharem a rir.
A - Só um momento então, vou chamar o meu supervisor...
Fogo, não se riam! Trinquem os lábios se for preciso, senão estou tramado.
Supervisor - Bom, então são estas as duas testemunhas que tem a apresentar em sua defesa?!
Z - Sim, porquê?
S - Bem, uma vez que eu conheço bem as testemunhas em causa e dado que as mesmas não têm qualquer antecedente, concedo-lhe nova permissão para voltar a escrever com pena suspensa por mais dois meses. Ou seja, qualquer outro desvio no propósito da sua escrita será severamente punido, pelo que o aconselho a ter mais tento no que escreve...
Z - Sim! Terei com certeza, não duvide disso! Muito obrigado, mesmo!
É tudo então?
S - Sim, é tudo... Juízo, e bons posts...
Saímos rapidamente cá para fora e eles desmancharam-se a rir...
Z - Fogo, que foi?
Cephas Zoth - Mas eu disse alguma coisa?
Z - Não, mas não páras de rir...
Cephas Zoth -Mentes tão bem!
Walter Love - Que foi?! É mentira? É mentira?
Z - LOL

16 de junho de 2009

Comunicado - Parte II


Já tinha sentido esta sensação de leveza, mas ainda não me tinha habituado ao transporte férreo transmural. Consistia numa manutenção da matéria física num determinado local e durante um determinado espaço de tempo, onde apenas a mente se deslocava, permitindo assim a permanência de dois "eu" ao mesmo tempo mas em dois mundos completamente diferentes.
Num instante cheguei ao destino e rapidamente me pus na Rua dos Vários Caminhos.
Depois de uma breve procura lá encontrei a Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
Antes de entrar, estudei atempadamente a minha intervenção lá dentro. Tirei do bolso todos os documentos que me haviam pedido, preparei uma linha de pensamento, respirei fundo e lá tirei a senha para o atendimento. Era o próximo a ser chamado.
Atendimento- Trinta e sete?!
Zapporsson - Sim, aqui!
A - Bom dia, o que o trouxe cá?
Z - Bem, eu recebi esta carta esta noite a dizer para me apresentar cá dentro de cinco dias úteis, acho que tem alguma coisa a ver com o blog de que faço parte...
A - Deixe cá ver... pois, isso mesmo.
O Blog é o 3m2, correcto?! Olhe, por acaso até costumo lá ir com alguma frequência, acho que devem continuar!
Ora bem, isto diz...
Ah.... Agora já percebo... pois é...!
Z - Percebe o quê?
A - O senhor foi notificado para receber o despacho oficial do nosso departamento de fiscalização. Só um momento que vou buscar o documento timbrado.
Z - Não sei porquê, mas não estou a gostar nada da brincadeira...
A - Aqui tem!
Z - "... como tal, sr. Zapporsson, somos obrigados a retirar-lhe a licença para expressão diária de escrita livre e espontânea no Blog onde exerce a sua função, 3m2. Compreendemos que tal decisão lhe possa trazer algum transtorno, no entanto, caso se sinta lesado com a decisão do nosso tribunal, está no direito de apresentar recurso. Para tal, tem que se fazer acompanhar de cinco testemunhas suficientemente idóneas junto das entidades responsáveis, em data e local a definir posteriormente...".
Desculpe mas não estou a perceber...
A - É simples, foi suspensa a sua licença para a expressão diária de escrita livre e espontânea. De hoje em diante não tem autorização para continuar a escrever no blog que integra.
Z - Mas isso não é possível! Eu tinha-me comprometido a escrever todos os dias...! Tenho ao menos o direito a saber o porquê dessa decisão?
A - Acalme-se senhor, esta era uma situação que já se previa.
Z - Mas fui só eu o notificado? Depois de quatro anos a escrever vão tirar-me a licença?
A - Sim, apenas a você, vejo aqui no sistema que tanto o Cephas Zoth como o Walter Love têm a licença deles perfeitamente válida.
Oiça, aqui só entre nós, a sua escrita levou-o para um patamar superior, direi um superior de tal modo inatingível, que o arrancou da realidade. O Sr. Zapporsson pode mesmo ter começado a viver em função do que escrevia e não a escrever em função daquilo que vivia.
Como tal, a sua licença de escrita vai ficar apreendida por tempo indeterminado.

Ali fiquei a olhar, calado e com os olhos cada vez mais avermelhados. De repende senti um enorme vazio, voltei costas e reparei que todos ali presentes me estavam a observar.
Apanhei novamente o comboio de regresso e fui a pensar na aventura que foi estes anos todos, escrever e ver a minha escrita lida por tanta gente diferente.
Agora sinto-me resignado...
Quem sabe, se não voltarei a escrever um dia...

15 de junho de 2009

Comunicado parte I



Com os valores normativos completamente fora de mão, senti-me obrigado a deslocar novamente até à "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". Parti no dia 11 e cheguei ontem à noite, perdido e sem norte, o que vem a justificar esta minha ausência do Blog para lá do que eu tinha planeado para este mês de Junho.
Tudo começou quando em plena madrugada me tocaram à campainha. Lá abri um olho a custo, olhei para o relógio - 03h20.Tocaram novamente e aí levantei-me com alguma preocupação.
- Quem é?
- Fiscal para a liberdade de expressão - Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
- Quem?
- Abra a aporta! Venho apenas para o notificar.
- Sim?! Bom dia, ehrrr, boa noite, quer dizer... é para quê?
- Estou aqui apenas para lhe entregar esta carta. Tenha um resto de boa noite... se conseguir.
E foi assim, virou costas sem dizer mais nada. Eu ali fiquei, com uma carta na mão, olhos semi-cerrados e ainda sem perceber muito bem o que se passava.
Rasguei o envelope e numa leitura diagonal:
"... tem cinco dias úteis para se fazer representar junto das nossas instalações. Faça-se acompanhar de identificação pessoal ,não esquecendo a sua licença individual para escrita no Blog de que faz parte..."
Larguei tudo, vesti umas calças e a primeira T-xirt que vi, lavei a cara e fui de imediato para Santa Apolónia. Ainda era noite cerrada, estavam dois sem-abrigo embrulhados em papelões ao fundo das escadas que davam acesso à estação. Lá dentro três pessoas, cada uma em seu canto, de cabeça pendente à espera da sua hora.
Procurei no painel de saídas - "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". O comboio partia apenas às 04h36. Tinha ainda cerca de meia hora para encaixar ideias, mas o ar abafado que se fazia sentir não me deixava fazer o mais simples raciocínio. Porque será que eles querem falar comigo? Será que o Cephas Zoth e o WalterLove também foram notificados?
O comboio chegou pelas 04h36.
Entrei para a última de duas carruagens. Lá dentro apenas um senhor de certa idade, olhava fixado para a rua, como se dissesse adeus a alguém que não estava lá. O ar quente e saturado foi cortado por um apito grave que anunciava a intenção do maquinista.
De repende as luzes apagaram-se e ouviu-se um enorme estrondo.

10 de junho de 2009

Últimas visões


E ali estava ela.
Sozinha, no meio de tanta gente.
Apoiava-se em gestos básicos que lhe davam um ar de ocupada a quem olhava de relance .
Mas não. Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Não reparou que alguém a observava. Pegou no telemóvel como quem tivesse recebido uma nova mensagem, mas no fundo estava apenas a abrir mensagens antigas que já sabia de cor. Abriu uma, outra, até que guardou de novo o telemóvel no bolso.
Lançou o seu olhar vazio na multidão como se procurasse alguém, mas não.
Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Abriu a boca num bocejar forçado e coçou o ombro na ânsia de disfarçar o desconforto por não ter ninguém.
Voltou a pegar no telemóvel, agora para ver as horas...
Levou a mão direita aos olhos, como se lhes tivesse a aliviar alguma pressão, mas os dedos... esses vinham molhados.
E ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.

Quem é que a olhava? Provavelmente outro alguém que ali estivesse sozinho no meio de tanta gente.

15 de maio de 2009

Certo errado



Acordar num outro planeta.
Deitado numa espécie de cama, numa espécie de quarto e numa espécie de perspectiva.
Virar a cabeça para o lado oposto, mas tu lá continuas, numa espécie de verdade.
De olhos fechados, afastados de sorrisos falsos e com os lábios selados... A única altura em que são uma espécie de eles próprios.
Quando te levantares, saíres e me voltares a fazer uma espécie de telefonema, será novamente a mesma espécie de coisa...
Fazes-me crer que tu és o meu certo, mas aquilo que não sabes é que, certo já eu estou.
Certo, que se trata de apenas mais um certo... errado.

23 de abril de 2009

Revisões e viagens




Bem, hoje é dia de ir buscar o carro à oficina
Teve mesmo que ser, é daquelas consultas de rotina anual às quais não podemos escapar.
Disse ao "Médico" para fazer um ajuste da visão, alinhamento da marcha, uma sessão de diálise aos óleos.
Ligaram-me ontem a dizer que já estaria tudo pronto, mas que no entanto, nas análises de rotina haviam descoberto um desajuste, que poderia comprometer a curto prazo a mobilidade e articulação do eixo dianteiro.
Conclusão, terei que abarcar ainda mais com a colocação de uma protese total da anca dianteira.
Não achei piada nenhuma, mesmo!
Mas como o que tem que ser, tem muita força, e o que tem muita força, vai levar os 3M2 em outra viagem pelas praias de Portugal...


...nos próximos quatro dias, não estaremos por cá. Faremos mais uma pausa na escrita, para pôr a vida em dia;)

Rebeldia!




A partir de hoje vou ser rebelde!
Estou farto de estar dentro do padrão, igual a tantos outros.
Quero sobressair, quero que notem em mim, quero renovar-me e transcender-me.
Quero olhar-me de uma outra forma, de um outro ponto de vista e sentir-me diferente, aos meus olhos e aos olhos de todos os que me olham.
Quero afirmar a minha personalidade, quero afirmar-me pelo que sou e pelo que aparento.
A partir de hoje vou usar cabelo curto.
Não vou usar brincos na orelha, nem piercings na língua.
Não vou fumar droga, nem sequer experimentar um cigarro.
Não me vou tatuar.
Não vou beber álcool só porque sim, nem dizer asneiras porque apetece dizer que não.
Não vou usar calças largas a cair à cintura, nem calçar ténis de marca.
Bem sei que parece uma loucura, mas sei que algures lá bem no fundo irei arranjar coragem para fazer isso tudo!
Rebelde...
Porque na diferença é que reside a individualidade!...





4 de abril de 2009

Liberdade!


Ele já tinha estado ali antes com o mesmo objectivo, mas ao chegar e ver que tinha 60 pessoas á sua frente e que cada pessoa demorava cerca de 10 minutos a ser atendida, decidiu voltar para a cama e ir lá noutro dia, mais cedo, bem mais cedo.
Sendo assim, lá estava ele à porta da Loja do Cidadão.
Oito e dez, uma fila que chegava até não se ver a porta e aquilo só abria às oito e meia!
O que lhe restava?
Vinte minutos literalmente a dormir em pé, pois a noite anterior tinha sido longa...
Faltavam dois minutos para a abertura das portas, quando algo no bolso esquerdo das calças vibrou.
Com a lentidão característica de alguém que acabou de acordar ele tirou o telemóvel do bolso.
Quando viu o remetente da mensagem, sorriu!
Quando leu o conteúdo da mensagem, tremeu!

Deixou de ter sono de repente e até a garganta secou.
Só então reparou que as portas já deviam ter aberto à um tempo, a distância do senhor à sua frente era maior e a jovem atrás dele olhava para ele como quem olha para um ET.

Triste sentir os instintos controlados pelas contingências da vida, sociedade, cultura, educação e preconceitos!

Afinal a nossa liberdade é relativa...

30 de março de 2009

O outro lado do mundo - parte II


De imediato a Enfermeira injecta algo pelo soro que me arranca de um estranho sentimento de queda desamparada.
Oiço por 2 segundos um silêncio avassalador que comparo com o instante imediato que precede o rebentar de uma onda gigantesca.
Sinto-me lá no cimo, mas sou imediatamente arremessada com toda a violência para um turbilhão centrifugador, que atribuo à dor de voltar a entrar num corpo que à instantes estava separado de mim.
Tudo isto desaparece quando oiço pela primeira vez o meu coração a bater. Estranho este "ouvir" acompanhado de uma lenta sensação de calor progressivo.
"Temos pulso!" - diz um Médico num tom surpreendido mas esperançado.
Tento agora com todas as minhas forças abrir novamente os olhos, perguntar o que se passou e agradecer a todos aqueles anónimos vestidos de branco que não fazem manchetes de jornais, nem aparecem nas noticias, e que no entanto me deram hoje e continuarão a dar dia após dia a oportunidade a alguém de viver novamente, mas novamente nem os lábios se mexeram, nem os olhos se abriram.
Começo a respirar cada vez mais e melhor, mas um mais que ainda é muito pouco.
Dói-me o peito, os braços e a garganta, mas nada apaga esta sensação de vida firme.
Oiço alguém dizer que foram dez longos minutos, agora que tudo acalmou já sinto o claro da luz fluorescente em cima da minha cara.
A acalmia é agora interrompida pela empregada de limpeza que com a sua vassoura varre um monte de embalagens, compressas, tubos e luvas que se juntou à volta da minha maca.
Oiço ao longe a voz da minha filha preocupada, mas aposto que está longe de saber da gravidade de tudo aquilo que se passou.
Já não quero saber do casamento, do vestido branco pérola ou das viagens...
Apenas quero sentir a pele dela a tocar na minha mão inerte.
Isso, só peço isso!