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6 de fevereiro de 2011

Musicas e letras...

E pronto!
Assim de um momento para o outro, tenho a sensação que todas as músicas passam a "falar" de mim...

1 de fevereiro de 2011

Beija-me

Por favor, beija-me.
Beija-me como nunca o fizeras antes. Empurra-me contra um canto e arruma comigo! Sem tempos e horas, obrigações ou demoras.

12 de janeiro de 2011

E tudo o tempo mudou!


Mudei eu, mudaste tu e todos continuaremos a mudar.
E tudo o tempo mudou, porque dele é feita a vida...

22 de dezembro de 2010

Fusco adormecido mas assertivo




O sol disfarçadamente desaparece por detrás do monte. Levanta-se um frio cínico, que me cozinha o segredo escondido.
Olho o reflexo numa poça de água.
Um reflexo ondulado como o teu ser. Subido lá de trás para esticar até cá bem à frente...
A resposta de um "não" seco que me molha a garganta de perguntas que simplesmente não saem.
Não saem nem consigo que entrem.
Vista turva, como o fusco adormecido.
Adormecido mas assertivo!

14 de dezembro de 2010

Lisboa perdida




Tu, vagarosamente, eras levada por entre ruas estreitas, carregadas de histórias do antigamente, agora camufladas por marcas de um urbano recente.
Não olhaste para trás, não vieste à janela, não disseste adeus... não, tu não fizeste nada!






22 de outubro de 2010

Ir para longe


- Quando é que me levas de viagem contigo?
- Quando confiar o suficiente em mim para não te deixar cair a ti...

20 de setembro de 2010

Noites curativas



O problema está lá sempre, mas uma noite bem dormida, acaba sempre por facilitar o caminho para a solução...

4 de setembro de 2010

Ponte Milvio - Roma


Escaparam-se silenciosamente do grupo, para uma das muitas travessas estreitas, que naquela cidade, quase sempre iam dar a mais uma igreja.
Já se via pouca gente na rua, do lado contrário passeava vagarosamente um casal já na casa dos 50, e mais atrás um cão com o pêlo raro e orelhas caídas, atravessava na diagonal a estrada deserta.


♀- É ali, só pode ser aquela!
♂- Sim, é mesmo!

Aproximaram-se do poste luminoso, que já se encontrava torto com o peso de tantas juras e promessas.

♀- Tens o cadeado?
♂- Está aqui... Queres escrever alguma coisa?
♀- Sim, mas não vais espreitar! Aguentas a curiosidade até daqui a 10 anos?!
♂- ... Que que queres dizer com isso? Que cá voltamos daqui a 10 anos?
♀- Não sei, faz-te diferença saber?!

29 de julho de 2010

Quotidiano




Os tempos de loucura acabaram há muito...
Agora os dias têm outra vez 24 horas, as horas 60 minutos e os minutos 60 segundos.
Os relógios há muito que batem à velocidade normal, nem mais depressa nem mais devagar...
Batem à sua velocidade, à velocidade do tempo.
O tempo vai passando... E as memórias por ele vão sendo apagadas...

Restam as fotografias...

1 de julho de 2010

Agora Escolha II



Já não sabia se a queria ver.
Foi até à casa dela, abriu o portão, caminhou por entre um relvado alto e desleixado, até que se abeirou da porta.
Olhou para trás, na esperança de algo ou alguém que o fizesse voltar no que estaria prestes a fazer, mas nada. Só lá estava a estrada deserta, o seu carro e um candeeiro tombado, ainda aceso num amarelo torrado quase colado ao chão.
...
Bateu à porta e ela pouco depois abriu. Vinha numa camisa de dormir, larga e gasta, provavelmente porque essa seria a sua preferida.
Ele em silêncio, foi de encontro à ombreira da porta. Ela chegou-se enrolou com ambas as mãos a T-xirt dele, e já do alto dos seus bicos de pés, abeirou-se da cara com barba de três dias.
Ficaram assim alguns segundos.
Ele, inspirado na expiração dela, deixou-se estar, inerte a todo o que saía fora de si.
♂ - E se nos sai mal?
♀ - Fazemos tudo de novo...
♂ - Mas, e se nos sai mal?
♀ - Não sei que te diga...
♂ - ...
♀ - Pessoa certa na altura errada, já sei... Sabes, pensava que isso não ia acontecer!... Não contigo, não desta maneira...

Ele anuiu e voltou costas a tudo aquilo e não olhou de volta.
Entrou dentro do carro já de estômago a queimar e acelerou, acelerou tanto que deixou de ver cada ponto branco que vinha contra si.
Era apenas mais uma curva.

Já fora da estrada, recuperou para uma visão centrifugada, o carro saltou o rail de protecção, embateu violentamente contra uma árvore e capotou insistentemente encosta abaixo enquanto ele impotente, sentia os vidros estilhaçados entranharem-se aleatoriamente na carne derrotada.
Bastaram apenas três segundos, para que encontrasse lá em baixo o rio que hoje, seguia serenamente o seu curso .
O nível da água começou a subir às golfadas e com ele a sensação de pânico cresceu exponencialmente.
Absorvido na aflição, queria respirar, mas simplesmente não dava. Fez um esforço final, esticou o pescoço na esperança de conseguir um último fôlego, elevou os lábios quanto pôde e susteve a respiração.
Tentou atabalhoadamente libertar-se do cinto de segurança, mas os braços e as pernas aos poucos deixaram de obedecer. A água era muita e o corpo já respondia atabalhoadamente com movimentos involuntários.
Foi aí que se apercebeu que tudo estaria perdido. Lembrou-se de cada noite, do sabor de cada encosto, cada gemido, cada olhar, cada toque e cada suspiro... Esses nunca ninguém lhos iria conseguir tirar! Ali sozinho, voltou a viver tudo como se da primeira vez se tratasse. Eram os seus momentos, recordados numa orgásmica fracção vulcânica que se evaporou no instante seguinte.
Sentiu a plenitude que a recordação permitia viver, até que por fim, um último espasmo de dor e libertação, lhe percorreu todo o corpo...
Imobilizou-se, já com os braços ao sabor da corrente forte que atravessava o fundo do rio.
Tinha deixado uns olhos tristes mas bem abertos, numa esperança infundada de a ver uma última vez e lhe dizer que era todo dela.
...

♀ - Entras ou vais ficar aí toda a vida a olhar para esse o candeeiro? Ainda não percebi qual a tua paixão por ele, é apenas um poste de electricidade, que para além de não iluminar nada, está sempre a ir contra o pára-choques do meu carro...

Ele, perante o olhar incrédulo dela, deitou-se no alcatrão, e de cabeça para cima pôs-se a olhar o céu escuro, há muito que não o fazia.

♂ - Há quanto tempo não olhas um céu estrelado?
♀- Desculpa?
♂ - Perguntei, há quanto tempo não olhavas o céu à noite. Vem cá e deita-te ao meu lado.

Ela, ainda que assarapantada, acabou por lhe obedecer. Deitou-se juntou-se a ele, estatelada num alcatrão ainda quente e ali ficaram os dois, impávidos, como dois putos de cabeças coladas uma à outra, a olhar um céu que só naquele dia, descobriram, era estrelado.

♂ - Desculpa ter ficado tão longe!
♀ - Não me deixes só... nunca mais!

Fizeram...
...Tudo de novo - Klepht

26 de junho de 2010

Give it Up




"...Your leaving had no goodbye
Had i just seen one in your eyes "

A tua despedida não teve um adeus ... Tivesse eu visto um nos teus olhos...

Beijaram-se uma última vez. Sabiam que seria a última, talvez sim, talvez não... Afinal de contas, também nunca adivinharam quando seria o primeiro e ele aconteceu.
A televisão ainda estava ligada e o volume estava no mínimo, mas os clarões intermitentes, aos poucos, lá iam entrando naquela sala escura.
A porta da saída soltou um estalo lento. Alguém a tinha acabado de fechar...
Já eram quase três da manhã, mas não foi para a cama. Os olhos estavam inchados, não do sono, mas da falta dele. Não ligou desta, nem das outras vezes...
Num passo arrastado, chegou-se à beira do sofá e deixou-se cair.
Pegou no telemóvel e leu vezes sem conta aquela mensagem, tantas até que ganhou coragem para a apagar. Apenas queria tentar. Tentar esquecer.
Ligou o computador, escolheu uma música e teve de procurar a continuação numa ou outra página de internet.
Queria saber como acabava, mas a resposta, essa, estava com quem um dia disse que havia de começar...

-Give it up...
-I can´t give it up!

Can I?

20 de junho de 2010

Horas, minutos e segundos


♀ - Se ao menos soubesses como me roubar no tempo...

17 de junho de 2010

Despida por uma noite - Parte III

Ver Parte I, Parte II

Já não me lembrava como havia sido a última vez que estivemos juntos. Tinham passado tantos anos.
Deste-me a morada. Um prédio velho com uma pintura amarela já escamativa, bem no centro de Lisboa, perto da Graça.
A porta era de madeira e o trinco abria-se com auxílio de um cordel de nylon verde, ligeiramente solto da parte de fora.
Puxei-o apreensivo, empurrei a porta e subi dois lanços de escadas bem estreitas e inclinadas, numa madeira assustadoramente rangedora.
Bati à porta.

- Está aberta, podes entrar! - Disseste tu.

Encostei-me à janela que tinhas aberta para o rio e ali fiquei por momentos.
Descobria-se uma vista silenciosa sobre os múltiplos telhados encarnados que cobriam a colina até à ponte 25 de Abril.
Dali via-se perfeitamente a rua que servia o prédio. Uma série de edifícios antigos, em cores desmaiadas, apetrechado cada um por uma correnteza de estendais de roupa, calçada abaixo. Uma velha enlutada, espreitava muda, do alto do seu parapeito, todos os ruídos mais suspeitos. Era disso que era feita o seu dia-a-dia por certo. Daquele cheiro a roupa lavada e dos gritos saloios que de quando em vez saíam de janelas abertas.
Fixei-me em ti e pensei no quanto tínhamos mudado. Eu mudei e tu mudas-te. Objectivos diferentes, visões alternadas e quereres opostos.
Tudo parecia diferente, até que sem saber como, te beijei. Continuavas a ser a mesma!
A mesma perdida, a mesma esbatida e cinzenta que ao pé de mim ganhava cor de verdadeira.
...
No meio duns lençóis amarrotados e frios, lá estavas tu, distante, num egoísmo tão insuportável quanto atraente expressado num gemido de prazer, preso num espasmo incontrolado e adormecido há mais de 40 anos.
...
Ficámos assim horas sem contar. Enrolados numa ronha peganhenta.
Quando acordei, tinha a tua sombra já sobre mim. Era de manhã e o sol batia forte nas tuas costas. Não disseste nada!
Dobraste-te sobre mim e beijaste-me a testa, passaste-me com os dedos sobre os olhos e depois deslizas-te com eles até aos lábios, onde os deixas-te empastar por momentos.
Afastaste-te e apontas-te para a carta que havias deixado na mesa de cabeceira.

Ias voltar para casa!


7 de junho de 2010

Parar no tempo


♀- Mandas-te parar o tempo? Se quiseres eu prendo aqui os ponteiros por um pouco...
♂- Não precisas, experimenta ignorar o relógio. É o que te basta para que tudo não passe de um vazio emparedado, sem antes nem depois.

4 de junho de 2010

Querer a sério


Quando não sabemos o que queremos, é quase certo que perdemos hoje o que amanhã recordaremos como essencial...

2 de junho de 2010

Complicado


É ver para lá de uns olhos, o que um pensamento não traduz em palavras...
Complicado será sempre desenhar com as cores de um pensamento impulsivo.
Complicado seria sempre gerir o "ingerível", e distribuir acções de impulsos presos por pensamentos elásticos.
Complicado seria sempre.
Complicado!

22 de maio de 2010

Despida por uma noite - Parte II



Ver Parte I

Bem sei que era assim que me querias, mas tudo não passou de um desejo...
...

Foi nesse dia que aquele rapaz se decidiu pelo mundo da música.
Estávamos em 1964, quando o nosso vizinho actuou pela primeira vez nas festas da nossa pacata Vila Mexicana.
Ele tinha a sua Banda, algo ainda muito amador, no entanto, o som que saía daquela guitarra dizia-me que por alguma razão, aquela noite se iria tornar especial.
Assim foi, tanto para ele como para mim.
Lembro-me que os vizinhos vibraram do primeiro ao último minuto de cada acorde tocado, e desde o rapaz magricelas que nós dois víamos nessa noite, ao Santana que hoje todos conhecemos, parece que foi um repente...

Lá ao fundo ele estava a terminar a actuação.
Cabelos compridos numa cabeleira farta de compridos caracóis, e um público de cerca de 80 pessoas em frente ao palco.
Eu, já transpirado de tanto dançar com as vizinhas do prédio, resolvi afastar-me um pouco para respirar. Andei até ao cruzamento mais distante, onde ainda era possível ver a actuação da nova revelação e com uma garrafa de cerveja encostei-me à parede, dobrei um joelho, cabeça para trás e assim fiquei por algum tempo.
Esta era uma daquelas noites já habituais na realidade da nossa Vila. Uma noite de ar quente, que hoje ainda iria queimar mais a cada inspiração.
Apareceste, a desafiar-me para uma última dança. "Oye como Va", disse ele lá do cimo do palco, e eu para não te dar parte fraca avancei.
Dançámos, rodámos até eu já não poder puxar mais por ti.
As minhas mãos escorregavam para o fundo das tuas costas. Estavas encharcada, e eu que na altura já ignorava essa situação em mim, apenas tinha dois botões da camisa abotoados...
Rodei-te uma e outra vez, na esperança que desses parte fraca, mas nada. Dois, cinco, sete minutos, intensos, numa de trocas de olhares e apertões, sempre contidos no último momento.
A música parecia que subia de volume, tu estavas a puxar cada vez mais, agarraste a minha camisa e empurraste-me para uma das ruas transversais.
Agora apenas se ouvia a música ao fundo, mas tu, nada dizias.
Tapaste-me a boca com a tua mão esquerda, com a direita abriste-me o que faltava da minha camisa, e no momento em que eu me tinha finalmente rendido ao teu brutal poder de sedução, viraste costas e nunca mais disseste nada.

Hoje vivo em Portugal, a vida deu muitas voltas...
O Santana é mundialmente famoso, eu continuo a admira-lo, mas tu continuas presa à minha memória.

Terça-feira lá estarei no Pavilhão Atlântico... Pode ser que te encontre...!

21 de maio de 2010

Despida por uma noite - Parte I


Bem sei que apenas me querias por esta noite.
Só por hoje, selvagem, sem romance nem bajularia.
Encostada contra uma parede, agarrada pelas coxas, suada de vontade e livre de todo preconceito.
Alcoolicamente desinibida ignorando ao que aparenta ser.
Só por hoje, selvagem!
Só por esta noite.
Despenteada de tanto desejo e tão rapidamente despida de tão pouco pecado.
Nua, cruel, feminina.
Só desta vez, porque hoje o álcool te deixa ser aquilo que tu nunca quiseste parecer.

8 de maio de 2010

Lembranças


Atirar as chaves para o chaveiro, descalçar os ténis contra a parede, tirar a t-xirt, despir as calças, fazer o pino, encher as bochechas de ar, tomar um duche de água fria, sair completamente molhado, deixar as pegadas no corredor, saltar para cima da cama, desligar o telemóvel e abrir a janela.
Esquecer que se esqueceram e lembrar... Que agora não me ocorre nada...

8 de abril de 2010

Meio cheio, ou meio vazio?


Às vezes dá assim uma vontade enorme de pegar no telemóvel e mandar uma sms...
Mesmo que "vazia", vulgar, chata ou até mesmo parva, mas não, já não sei como se faz.

Volto a abrir a tua última sms e nada, não vejo por onde pegar quanto mais por onde largar...
Nem pelo fim,
Quanto mais pelo começo...