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14 de março de 2010

Israel - Uma realidade completamente diferente




"... O restaurante que vocês podem agora ver à vossa direita, Maxime, foi aquele que há alguns anos atrás foi alvo de um dos piores atendados bombistas...
É complicado estar numa sala de trauma a receber as vítimas do atentado durante toda uma tarde e algumas horas depois vir a saber que o meu namorado tinha decidido ir almoçar fora, tinha decidido almoçar no Maxime, almoçar no restaurante onde se tinha dado o atentado.
Ele e muitos outros desapareceram naquele instante.
Mas esta é a nossa vida, a nossa realidade, para a qual nos preparamos todos os dias! Continuo a ser enfermeira e se querem que vos diga, não me imagino fora desta realidade! "

Quanto ao país, posso dizer que...

Os 30 graus continuam a ser a constante e quando daí não passam já é um alívio.

A quente diria que este é um povo que não tolera um atraso de 5 minutos, roça o brilhantismo a nível organizacional e no que toca ao aproveitamento de recursos nunca vi nada semelhante!

Aprendi a respeitar mais os outros, a religião... o que poderia aqui ficar a falar sobre a religião...



12 de fevereiro de 2010

Sala de Aula


Neste preciso momento estou a ter a minha primeira frequência, praticamente 4 anos depois de ter terminado a Licenciatura.
As coisas agora são ligeiramente diferentes.
Já sei do que falam os professores nas aulas e escuso de fazer raciocínios filosóficos paralelos à Alegoria das Cavernas para perceber o que é uma Insuficiência Cardíaca. Não posso esquecer o facto de prestar ligeiramente mais atenção (um mais mesmo ligeiro), muito provavelmente por causa de um pequeno factor que faz toda a diferença...
No final de cada mês, sou EU que PAGO!


29 de janeiro de 2010

Enfermeiros em Luta!!!


Hoje os 3M2, estarão na maior manifestação nacional que há memória em Portugal, a favor da correcta valorização do profissional de Enfermagem.
Eu acharia interessante que a Sr.ª Ministra de Saúde, da mesma maneira que nos quer reduzir os ordenados, também ela reduzisse o seu... Afinal de contas se nos pede paciência por estarmos numa má fase para pedir aumentos, eu também lhe pediria paciência e que reduzisse os milhares que ganha... Se há crise para uns, há crise para todos!
Há mais de 10 anos que lutamos por uma carreira e nada. Agora dá-nos a desculpa com uma crise, que aposto aqui o que quiserem, se não existisse, existia outra coisa a servir de desculpa.
Uma vergonha...
Se soubessem o que é trabalhar durante uma noite (10horas) e ganhar de subsídio nocturno uns míseros 17€...!
Onde é que neste país consigo que um canalizador venha a minha casa fazer um trabalho de uma hora durante a noite e pagar-lhe apenas mais 1,70€... Onde??? Onde???
Mas eu, Enfermeiro num Serviço de Urgência, que estou a noite toda acordado, à espera que alguma Ministra me entre pelas portas adentro caso seja preciso ajudar a salvar-lhe a vida, se o fizer das 4h00 às 5h00 ganho 6,70€ correspondente à hora, mais 1,70€ de subsídio nocturno - 8,40€/hora, ui que loucura!
Já consigo comprar um bilhetinho para o cinema, as pipocas não, mas o bilhete sim...!
Hoje ali na zona do Saldanha... Enfermeiros, muitos Enfermeiros!!!!


15 de janeiro de 2010

Enfermagem hoje em dia



Podíamos começar o ano com uma proposta do Ministério da Saúde para aumento salarial e a implementação de uma amostra de carreira em Enfermagem por mais pequena que seja?
Podíamos!...
Mas não era a mesma coisa!

Realmente é muito mais giro trabalhar todos os meses 60 horas durante a noite, mais sábados, domingos e feriados (Natal, Pascoa e Passagem de Ano é igual à quinta-feira de ontem, ou seja igual ao... litro).
É tão bom um Enfermeiro gozar o seu feriado de Natal num dia qualquer de Janeiro a meio da semana, quando toda a gente à sua volta está a trabalhar... Podemos fazer rabanadas só para nós, sonhos, ah e o bolo rei apenas a dividir por um. Que bom!
Fico mesmo feliz, pelos 995€ que nos são agora propostos, porque ganhar 1020€/mês, realmente, já era um balúrdio! Upa, upa.
Não queria eu agora mais nada, estudar Enfermagem durante 4 anos e ganhar mais que 6,7€ à hora.
Então afinal de contas os Enfermeiros apenas espetam aquelas coisas afiadas num sítio qualquer das pessoas.
Não têm nenhuma responsabilidade sobre a vida humana, o sofrimento, a morte, não trazem ao mundo novas vidas, não salvam vidas, nem têm saber cientifico e opinião crítica. Não correm perigos de contágio, agressões físicas e verbais, nem dão apoio às famílias dos utentes. Não fazem ensinos, educações para a saúde, acompanhamento da grávida e desconhecem o que é ter um papel primordial no planeamento familiar e cuidados domiciliários. Imaginem até que nem sequer são eles que estão constantemente a avaliar os utentes, quanto mais cometer a loucura de lhes perguntar se estão a sentir dores.
Os Enfermeiros são apenas uns quaisquer desgraçados que para ali andam dum lado para o outro, não sei bem a fazer o quê (será a fazer alguma das coisas acima mencionadas?!!!), a quem toda a gente recorre em primeiro lugar mas se esquece rapidamente.
Digamos que são como se fossem aquelas coisas que há ao longo da costa marítima, os faróis...
Então e se diminuíssemos a intensidade de luz dos todos os faróis da costa Portuguesa, a luz continuava lá?!
Continuava!
Mas não era a mesma coisa!

Está bem que não somos, nem queremos ser comandantes de Navios, mas está-me cá a cheirar que naqueles dias de nevoeiro... muitos eram os barcos que poderiam encalhar!

Bom, se quiserem uma sacholinha para nos enterrar um bocadinho mais... é só pedir;)

Manifestação, 29 Janeiro. Eu vou!

22 de dezembro de 2009

Mais uma noite no hospital



Acaba por ser em noites como esta que vemos no café o nosso maior aliado.
Aos bochechos consigo ir até lá fora respirar um pouco de ar fresco.
Está a chover.
Num pré-fabricado, estão uma dúzia de familiares de doentes que se encontram em tratamento, sedentos por um pouco de informação. Falam entre sim, das suas histórias, do que os trouxe hoje ali e quando o assunto falha, falam apenas do tempo.
Está frio.
Vou até à máquina do café. Deposito nela toda a confiança que tenho no bolso, dez, trinta, trinta e cinco cêntimos.
Aquele barulho tipo turbina. Pouco depois o apito e finalmente está pronto.
O café das 5h30 minutos.
Mexo distraidamente a palhinha. Talvez até mais do que o necessário.
Está quente. Diria que vem em jeito de corte com as ideias lentificadas que já se vinham apoderando de mim.
Bebo a última gota como se de um líquido precioso se tratasse.
Volto costas ao desespero dos familiares e volto até aos meus doentes.
Está quase.
Mais uma noite no hospital.


23 de outubro de 2009

Vacinação - H1N1



Efeitos secundários desconhecidos.
Alarmismo para a doença a mais.
Informação a menos.

Se reparar-mos bem, podemo-nos estar a submeter a algo que é criado como reflexo de um desespero global, sem sequer questionar a sua eficácia, os seus efeitos secundários e as reais vantagens para quem é imunizado...
A mim, já me perguntaram se queria fazer a imunização. Tenho consciência que muita gente há por aí, que gostaria de ter esse "privilegio"...
Mas eu respondi que não, apenas porque não tenho nada nem ninguém que me diga que devo dizer que sim...
Posto isso, começo agora eu, a minha luta pessoal contra esse vírus com as minhas facas e espingardas, balas e bombas, muros e cercas...
Mais lavar de maozinhas, menos beijinhos, mais acenos e menos abraços. E já agora, um pouco de sorte também não era nada mal vinda.

18 de outubro de 2009

Enfermagem vs Farmácia

"No outro dia, fui à farmácia e pedi a um farmacêutico para me dar a vacina da gripe... resultado - fiquei três dias que nem podia mexer braço " - Ouvi eu hoje alguém dizer...

Cada um sabe de si, mas guardando sempre o devido respeito por todos os profissionais, quando preciso de um canalizador, não peço a um carpinteiro para me fazer o trabalho...


Do mesmo modo, eu enquanto Enfermeiro, recuso-me a fazer trabalhos ou dar opiniões em áreas para as quais não tenho competência nem motivação para o fazer... simplesmente, porque não são do meu domínio.
Orgulho na nossa profissão, passa também por não querermos ser mais do que realmente somos, inovar, investigar, fazer mais, mas sempre dentro do nosso espaço...
Somos todos precisos, cada um no seu lugar!

14 de janeiro de 2009

Ser Enfermeiro



Estou cada vez mais apaixonado pela minha profissão.
Tenho o privilégio de ser aquilo que nunca pensei poder vir a ser, Enfermeiro.
Sinceramente não sabia para aquilo que vinha quando entrei no curso de Enfermagem, mas estou de tal forma viciado nesta profissão que não me vejo a fazer mais nada na vida.
Mas como em todas as profissões há um lado menos bom... e aquele que vejo hoje resume-se ao meu medo, de que no meio das dezenas de pessoas que atendo todos os dias com a idade dos meus pais, se encontre lá um dia... algum dos meus pais.
Ter a consciência desta possibilidade, e a noção real do que pode implicar essa possibilidade às vezes assusta.
Vou tentando viver a saúde deles, a minha e a de todos. Acho que é a melhor forma de arranjar forças para um dia combater a doença (caso ela apareça).
Não sei se os meus pais pensam nisto, e será quase certo que nunca lerão este texto, mas uma coisa é certa.
A vida existe com um claro propósito: o de ser vivida, não apenas na extravagância dos nossos amigos, mas também na pacatez da nossa família.

27 de março de 2008

Encontro de Enfermagem XIX

Aviso:

A todos aqueles que pretendem estar presentes nessa que será a maior concentração de Escolas de Enfermagem de todo o país.
Aproximam-se as manhãs quentes dentro da tenda, o levantar quando o barulho já é insuportável e o almoçar Chocapic.
As romarias em direcção à praia, e os regressos quando o relógio marca pôr-do-sol.
As filas nos chuveiros, os duches de água fria, os "aquecimentos" pré-jantar e as grandes jantaradas.
Os concertos, a parvoeira, os pulos, os carrinhos de choque, a cerveja e a cerveja.
As amizades expôntaneas, os gritos de Enfermagem, as Escolas e os Hospitais.
O regresso à tenda, as violas e os jambés, as panelas e as alvoradas.
Os mal humurados e os desesperados, os bem comportados e os momentaneamente excedidos, esquecidos talvez, muito provavelmente aquecidos.
As regras e a falta delas, as fronteiras e os passaportes de livre acesso, o querer e o deixar-se levar, o pensar e o boicote ao pensamento.
Os brindes e o espírito, a faculdade e a profissão.
Já falta pouco...

1 de junho de 2007

XXVIII ENEE- O Balanço

"Mas que grande ENEE!
Muitas vezes não nos damos conta que a vida passa por nós a correr e deixamo-nos levar de arrastão, mas naquela semana, fomos nós que passámos a correr pela vida..."
Torna-se um pouco difícil deixar aqui um testemunho fidedigno a tudo o que se passou neste encontro.
Bem sei que não esteve muito calor e até chegou mesmo a chover, mas isso ao pé de tudo o que se viveu naquela semana é zero.
Acordar às horas que queremos, não ter que ir às conferências, jantar como gente grande, assistir a todos os concertos do início ao fim, dançar, tocar e fazer sentir, viver e ajudar a viver, respirar e ajudar a inspirar, como se ontem não tivesse existido e como se o amanhã não existisse mais.
Viver o momento, sem colocar "porquês" e "não posso" a nós próprios.
Gritar, enrouquecer, falar baixinho e entoar bem alto, aquilo que não somos, aquilo que não fazemos, mas gostaríamos de ser... quem sabe até fazer, nesta semana, dedicada a nós, aos amigos e à definição de amigos, à exploração de fronteiras e ao uso dos limites.
Feliz por ter ido, arrependido se não voltar, assim será sempre o meu pensamento, ano após ano, ENEE após ENEE.
Pelo menos penso assim. Enquanto for jovem e tiver coragem para dançar com alguém, dançar contigo ou mesmo com ninguém, mas dançar.
Por nós Enfermeiros e porque temos uma semana que nos é dedicada, para o ano lá estaremos.
Alvoradas todos os dias, deitar quando o sol nasce e sair quando a lua se levanta.
Aqui e só aqui falo por mim mas respondo por alguns...

Ha gajos com sorte, e eu sou um deles!
Porque? - perguntas tu
Porque estive no ENEE

18 de maio de 2007

XXVIII ENEE

Faltam apenas 3 dias para a semana mais aguardada no mundo da Enfermagem Portuguesa. Estou pois a falar do Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem. Bem sei que agora já estou do lado de lá, mas não será por isso que deixarei de perder o ambiente incrivel que se vive neste mega encontro.
Ali deixamos todos as fardas de lado, e entramos num ambiente viciante de companheirismo, que se vive entre tendas, praia e recinto de música.
Recordamos velhos amigos, velhos hábitos, velhas gargalhadas mas sempre em novas situações.
Promete ser uma semana desgastante a muitos níveis, talvez a melhor de sempre, pelo menos o pensamento que nos irá acompanhar é: "Este ano é que vai ser"
E não é que por norma, todos os anos o pensamento com que de lá saímos é: " Este ano é que foi"?
Encontro de Enfermagem 2007, em breve estaremos aqui para contar...