Lembro-me do Bairro Chinês, do Ford Escort do meu pai num verde apagado.
Lembro-me da casa do meu tio em barraca, do chafariz ao largo da porta dele e do misto de lama e musgo que se mantinha anos a fio no local.
Lembro-me da calçada preta e bem polida, dos cafés "atascados" para onde o meu pai me levava atrás, do cheiro a "pipis" e de um Benfica supremo.
Lembro-me das tardes de domingo e dos jogos do Oriental.
Lembro-me das sandálias abertas de plástico transparente e do cheiro que deixavam nos pés.
Lembro-me dos Verões a sério, das praias até às 20h00, dos grelhados na rua, da despreocupação global e de como o tempo era esticado.
Lembro-me dos Outonos laranjas e dos botins no Inverno.
Lembro-me do sabor da canja de galinha que a minha mãe fazia quando estava doente e das pastilhas gorila.
Lembro-me dos trabalhos de casa e das réguadas que me ensinaram a tabuada.
Lembro-me das barras do lenço, do jogo das escondidas até às 22h e de namorar só porque andava de mãos dadas.
Lembro-me das sardinhas com arroz de tomate.
E claro, lembro-me do fado, lembro-me do fado da Amália.



