22 de maio de 2009

Lisboa!



Já fazia alguns anos que ele não sentia aquele ar, aquele chão, aquele cheiro, aquele toque… o toque de toda uma cidade que à beira mar, já o tinha acompanhado em vida e em sonho.

Ao sair do comboio, que em tempos teria demorado bem mais de um dia a fazer a viagem e que ele agora a tinha feito em algumas horas, sentiu de um lado o bafejar fresco do mar, do outro o calor do fado que guiava aquelas vidas.

Em vez de seguir o destino pelo qual tinha vindo novamente ali, seguiu rua acima em direcção ao coração da cidade.

A pé foi passando por bairros ainda cheios “daquela” vida, não a vida normal de uma cidade, mas a vida que tanto o apaixonara em tempos.

A vida transmitida por crianças a jogar com uma lata na rua sem carros.

A vida de uma criança sentada no colo de uma avó emprestada.

A vida transmitida pelo cheiro a sabão dos tanques de lavar, dos manjericos à janela plantados, dos jardins floridos que davam cor a um casal de namorados.

A vida do jovem a arranjar o telhado partido da vizinha, não porque esta lhe pediu mas porque este viu.

A vida da cidade casada com o Sol, casamento este que a deixava ainda mais bonita, mais serena e mais alegre.

Era toda esta vida que fazia daquele coração citadino, o coração perfeito que continuava a trazer na sua mão.

O coração daquela que ainda era “A minha Cidade!”.

A minha primeira



Ao contrário de um dia normal, acordei com o silêncio.
Sem o despertador, sem o carteiro a tocar à campainha, sem o telefone fixo a tocar com um questionário rápido para fazer, sem os saltos altos da vizinha a marcarem posição nas escadas do prédio, sem uma aparelhagem ligada do prédio ao lado e mesmo sem a revolução do acordar de toda a gente cá dentro de casa, que passou há 3 horas e eu nem dei por isso.
Basicamente sem nada, perfeito.
Desfaço a cama e sento-me por momentos com as pernas pendentes sobre um chão fresco.
Ainda de boxer´s, com a cara por lavar e o cabelo com os jeitos de uma noite dormida toda para o mesmo lado, abro os estores da minha janela.
Lá fora parece ser um daqueles dias de sol e eu cá dentro, não resisto a pegar na guitarra que se encontra encostada à minha direita contra a parede.
Toco uns acordes aleatórios e tendo acompanhar com uma voz ainda adormecida que vai saindo em tracejado.
Uma caneta, rapidamente uma caneta! E papel! Fogo, será que não há uma folha de papel nesta casa?!
Não quero perder estes acordes e a melodia então...
Experimento uma vez, depois mais outra, volto atrás, risco esta frase e acrescento outra.

Não acredito, a minha música, a minha primeira música, está feita!...

Barões do petróleo



Assim como quem não quer a coisa, eles vão subindo os preços na esperança que nós não reparemos...
Mas eu reparo!
Gasolina sem chumbo 95 a 1,26 €?!
Manda vir!

Sinceramente não quero pensar como estará quando chegarmos a Agosto...



21 de maio de 2009

Adenda


Para todos aqueles que me deram apoio moral e logístico pelo meu último post, desde já o muito obrigado!
Peço no entanto, que façam chegar em sede própria as alternativas apresentadas, no sentido de serem colocadas a concurso local.

O vencedor será futuramente notificado e premiado à posteriori com um saco de gomas.


Grato pela disponibilidade,


Zapporsson_81

20 de maio de 2009

Dia de amanhã

O meu dia amanhã vai ser assim:
5h15: Toca o despertador pela primeira vez e desligo. Volto a fechar os olhos inconscientemente.
5h20: Toca o despertador pela segunda vez e volto a desliga-lo com uma cara azeda, bem azeda.
5h22: Desligo o despertador que iria tocar às 5h25 antes que o meu irmão comece a mandar vir comigo.
5h25: Levanto-me em estado de choque e digo para mim mesmo que não estou a acreditar, abro ligeiramente os estoros para ver como está o dia. Não irei perceber muito, ainda estará noite cerráda.
5h26: Lavo a cara e faço o chichi da manhã.
5h30: Visto-me.
5h32: Ponho a fatia de pão dentro da torradeira, ligo o fogão, aqueço leite.
5h35: Começo a comer.
5h45: Acabo de comer.
5h46: Lavo os dentes com uma velocidade ligeiramente acelerada.
5h50: Saio de casa, ligo o carro e vou em direcção à estação da Azambuja.
6h00: Chego à estação.
6h09: Apanho o comboio em direcção a Sta Apolónia.
6h53: Chego a Sta Apolónia.
Algures entre as 7h e as 7h10 apanho o autocarro da carris - 28 em direcção ao meu local de trabalho...

  • Se alguém me perguntou alguma coisa?! Não, ninguém, mas mesmo assim quis partilhar este momento de sofrimento convosco.
  • Se me vai doer? Sim! E muito! Será assim, enquanto a minha casinha de Lisboa estiver em obras. Acordar tao cedo que de certeza que quando chegar ao trabalho já me vai apetecer almoçar!


18 de maio de 2009

Acerca de gorjetas



Não haja dúvidas, é uma palavra com uma sonoridade um pouco estranha, principalmente se a soletrarmos bem devagarinho.
Talvez seja por isso que apenas certos tipos de trabalhadores é que a recebem.
Assim de repente lembro-me de empregados de mesa, talvez os mecânicos e por fim os tão abastados com esse bónus, barbeiros!
Tudo o resto, simplesmente parece que não o merece.
A senhora da mercearia, o carteiro, o varredor de rua, o empregado do McDonald´s e o rapaz que entrega a pizza ao domicílio.
Provavelmente irão dizer-me que às vezes até são capazes de deixar 0.20€ a algum dos que citei em cima, mas expliquem-me porque é que é mais fácil a muitas pessoas darem 0.50€ a um arrumador de carros, do que deixarem de gorjeta a um trabalhador justo?!

15 de maio de 2009

Certo errado



Acordar num outro planeta.
Deitado numa espécie de cama, numa espécie de quarto e numa espécie de perspectiva.
Virar a cabeça para o lado oposto, mas tu lá continuas, numa espécie de verdade.
De olhos fechados, afastados de sorrisos falsos e com os lábios selados... A única altura em que são uma espécie de eles próprios.
Quando te levantares, saíres e me voltares a fazer uma espécie de telefonema, será novamente a mesma espécie de coisa...
Fazes-me crer que tu és o meu certo, mas aquilo que não sabes é que, certo já eu estou.
Certo, que se trata de apenas mais um certo... errado.

Tempos de vida



Não saber o que é custar acordar de manhã, porque nunca nos deitámos tarde.
Ter ainda quem nos escolha a roupa para vestir.
Abrir a porta da casa de banho e ficar a admirar de baixo para cima, aquele que é para nós a figura de topo.
Não saber dar ainda o devido valor, a quem mais tarde atribuiremos a responsabilidade de sermos como somos.
O exemplo que por detrás de uma imagem reflectida a um espelho embaciado, vemos colocar o gel de barbear num acto que aos nossos olhos aparenta ser de grande sabedoria.
A lâmina que cuidadosamente trilha os contornos daquela cara enjelhada com muita vida vivida...
E ali ficar a 0bservar.

12 de maio de 2009

A experimentar!...



Apenas a título exploratório...

Vianeta com chocapic!

7 de maio de 2009

De volta



Estender a toalha.
Pôr protector.
Aquele cheiro...
Deitar rente à areia.
Fechar os olhos e ouvir os passos dos que passam ao lado.
Sentir aquele calor.
Adormecer por 20 minutos...
Acordar com o grito do vendedor de gelados.
Voltar o corpo ao contrário.
Voltar a adormecer.
Ouvir as ideias e filosofias das pessoas à nossa volta.
Abrir os olhos.
Levantar e andar preguiçosamente até à água.
Olhar o horizonte.
Os barcos pequenos lá à frente, que são engolidos pelo gigante navio de cruzeiro.
Avançar arrepiosamente para o mar.
Inspirar fundo entre dentes.
Soltar um esgar até se ganhar a coragem.
Mergulhar e sentir aquele fresco.

Já chegou... esse cheiro a praia!

6 de maio de 2009

Oportunidades



Acho que estou a perder a vez para te falar...

Pessoas comuns





Somos aqueles que pensamos que estamos certos, mas que tanta vez erramos.
Somos aqueles que tão depressa gostamos, mas que mais rápido nos enganamos.
Somos aqueles que acordamos a sorrir, mas que tanta vez choramos.
Somos aqueles que se vão abaixo, mas que tão mais rápido se transcendem.
Somos aqueles que nos agarramos a alguém só por que sim.
Somos aqueles que respondemos mal a alguém de bem, apenas porque estamos de mal com quem queremos estar bem.
Somos aqueles que desistimos sem tentar.
Somos aqueles que procuram comprar aquilo que não se vende.
Somos aqueles que temos as nossas manias, os nossos tiques e vícios, e estupidamente procuramos alguém que os compreenda.
Somos aqueles que têm sempre solução para o problema dos outros e nunca para os nossos. Somos aqueles que cantam na banheira e fazem figuras no quarto quando está a tocar a música favorita.
Somos aqueles que dormem no banco do pendura e aqueles que se babam até mais não.
Somos aqueles que dizemos que nunca mentimos, nem que vamos contra o que sentimos.
Somos aqueles que dizem a partir de amanha é que vai ser.
Somos aqueles que trocam olhares, que se apaixonam, que juram amor eterno, até que nos fartamos da eternidade e nos perdemos na expontaneadade da traição.
Somos aqueles que bebemos, bebemos uma outra vez, até nos esquecermos onde deviamos ter parado.
Pior que tudo isto, somos aqueles que não sabem onde vão parar, mas que também não fazem muito para apreciar a paisagem que vai aparecendo até lá chegarem.

because common people is what we are...

3 de maio de 2009

Run, Run, Run!



Quando ela acordou naquela manhã a última coisa que queria era o que a esperava...

Levantara-se para mais uma luta de controlo de emoções e sentimentos, desta vez um dia inteiro.

Incrível o modo como se sentia quando estava com ele.

A sua presença deixava-a nervosa.

A sua presença fazia vir ao de cima aquele estado ansioso de jovem adolescente apaixonada.

Olhar para ele deixava-a com uma sensação esquisita.

Olhar para ele fazia-a sentir uma vontade enorme de o tocar.

Mas se sentia isso tudo porque é que não se entregava a ele?

Seria por já estar com alguém que abraçava, sentia, tocava, tinha e vivia?

Sim, só isso continuava a justificar o fugir da presença dele!

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Enquanto isso ele acordava do outro lado com um sorriso…

Feliz porque encarava lá fora mais um dia de sol radiante.

Feliz porque continuava a viver a sua liberdade.

Feliz porque ia conhecer pessoas novas.

Feliz porque ia ter mais um dia de partilha de emoções.

Mas sobretudo, feliz porque sabia que ela não ia poder fugir.


Ai despedida



Acordou, ainda com o cheiro a álcool no corpo e uma dor de cabeça leve como chumbo.
Ontem havia bebido como nunca o tinha feito.
O dia estava cinzento, mas ele usado, cego e molhado de tanta lágrima que por ali passou.
Olhou de lado a guitarra que o acompanhou naqueles quatro anos de tuna.
Para trás sabia que com ela ficaria perdida, aquela que no vale da morte continuaria a ser a sua mais intensa paixão, a sua rapariga.
Ali, naquela imensa Coimbra, negra, mas sempre pré-adulta, que transborda de vida a cada pulsar, releu pela última vez o bilhete que ela lhe havia escrito:

Ai desejo,
aquilo a que obrigas...
Sempre que te elevas,
para lá da razão.


Ai razão,
aquilo a que obrigas...
Trincar lábios de vontade,
sangrentos que de tanta...
Lembrança,
um dia serão saudade.


Ai despedida,
aquilo a que obrigas...
Um virar de costas,
lágrimas,
que por dentro queimam como brigas soltas.

2 de maio de 2009

Noites quentes




Sinceramente, já começava a ter dificuldades em me lembrar de uma noite em que se andasse bem apenas com uma t-shirt...!