30 de novembro de 2008

Chuva!


Era de noite!
Uma daquelas verdadeiras noites de Inverno em que chovia a potes...
As gotas caiam umas maiores que outras, uma após outra, grossas e finas mas a molhar.
Com as escovas na máxima velocidade ele conduzia erraticamente o seu novo BMW pelas ruas da cidade.
Não tinha destino e a réstia de vontade de o arranjar esmoreceu depois de um ou dois telefonemas que fez, ou pensou em fazer.
Mantinha-se só... sem rumo.
Estacionou o carro, desligou o motor, apagou as luzes e ficou só ele e a chuva.
Decididamente o dia não tinha corrido bem e a noite acompanhava o dia como se não quisesse ficar atrás, antes pelo contrario.
Tinha perdido novamente e ainda se sentia mal.
Irritado! Triste! Revoltado!
Se tivesse tido aquela opção em vez da outra...
Ai... Lamentos que não faziam mais sentido.
Saiu do carro e deixou que a chuva o molhasse.
Sentiu a chuva passar pela roupa até ao corpo, até aos ossos, até à alma.
Não sabia onde estava mas isso agora também não era importante.
Pelo mar de água doce que lhe inundava a o corpo vindo do céu, sentiu um rio salgado que lhe aflorou na face.
E assim se deixou ficar!
A vida, ai a vida...

28 de novembro de 2008

Consumismo


A actual crise está a afectar as suas compras de natal?

Esta é a pergunta de um programa que está no ar neste preciso momento na RTP N.
Já não contente com a temática, deixei-me ficar a ouvir duas opiniões via telefónica para ver no que isto iria dar, e como previa, simplesmente não deu em nada de bom!
Faz-me confusão, um canal público vir dar mais uma achega ao espírito consumista que começo a ficar farto de ver incentivado, ano após ano.
Com esta pergunta, é dado a entender de imediato que o natal, são compras, e que este pode ser afectado por uma coisa... apenas e só a quantidade e qualidade de prendas oferecidas.
Para completar chama-se imediatamente um comerciante justamente descontente com o baixo fluxo monetário nas suas caixas registadoras, dá-se uma hora de audiência na televisão do estado, e toca de continuar a meter nas cabeças das pessoas, que um natal feliz depende do número de prendas que dão ou recebem!...
Como se não bastasse, uma espectadora, pede desculpa a aqueles que este ano não forem contemplados com uma prendinha sua, "é que este ano só pode ser aos mais chegados".
Pergunto eu: Mas faz algum sentido dar alguma coisa aqueles que não nos são mais chegados? A mesma espectadora volta à carga dizendo que durante este ano apenas conseguiu juntar 1000€ de poupanças e que no natal iria dar lembranças aos já referenciados acima.
Pergunto eu novamente: Faz algum sentido dar a alguém uma lembrança de 5 €, quando o dinheiro não abunda, apenas para dizer- lembrei-me de ti?
De repente veio à cabeça a minha agonia anual que consiste em oferecer nos jantares de natal a tal lembrança a alguém que me calha em sorteio... Não consigo perceber a necessidade ou muito menos o significado de um objecto que muitas das vezes acaba no caixote do lixo.
Se querem mesmo que vos diga, a melhor maneira de mostrarmos a alguém que nos lembramos é no dia-a-dia.
Lembrei-me ontem quando me meti na brincadeira contigo.
Lembrei-me hoje quando respirei duas vezes para não te responder mais torto.
Vou-me lembrar-me amanhã quando estiver contigo nos copos!

27 de novembro de 2008

Falta...


Por estes dias... com muito pouco tempo de inspiração.

Por enquanto... expira-se.

17 de novembro de 2008

Dia do não fumador



Fumador - Bom dia, era para almoçar...
Empregado de mesa - Sim senhor, pode sentar-se na primeira mesa à sua direita. Já lhe levo a ementa.
Fumador - Obrigado.

Ele senta-se e observa as pessoas ao seu lado, para seu espanto, repara que estão a comer algo esquisito, uma espécie de papas pretas. Não liga, afinal de contas pode apenas tratar-se de um prato da casa com um aspecto mais duvidoso...

Empregado de mesa - Aqui tem...

Ele pega na ementa e debruça-se sobre os pratos do dia...

  • Pataniscas de nicotina, com arroz de alcatrão;
  • Carne de porco à Alentejana com batatas polvilhadas a mónoxido de carbono;
  • Bacalhau assado com cianeto hidrogenado;
  • Lulas de amónia;
  • Cozido com todos (nicotina, alcatrão, benzeno, cianeto e chumbo);
  • Bife à casa com molho de alcatrão vidrado.
Não acredito no que estou a ver...

Fumador - S.F.F. , podia chegar aqui?!
Empregado de mesa - Pois não, já escolheu?

Fumador - Mas você está a brincar comigo? Alcatrão? Está a oferecer-me alcatrão para o almoço?
Empregado de mesa - Nem mais, posso desde já adiantar que é a nossa especialidade! Aqui pode ter a certeza que é alcatrão do virgem, sem outras misturas de petróleo que para aí se começam a ver. Sabe que desde que o preço do barril começou a baixar, há logo quem queira vender gato por lebre, mas lhe digo já, se a cor engana, a mim o sabor não me ilude! E quem não sai daqui iludido é o senhor uma vez que nós primamos pelo apurar do paladar... não sei se me está a acompanhar?!

Fumador - Não estou não! Mas você acha mesmo que eu irei comer coisas como alcatrão, cianeto ou chumbo? E o sabor que isso tem? E o meu estômago? Ficava logo sem ele, é o que é!
Empregado de mesa - Você é fumador não é?!

Fumador - Sou, porquê?!
Empregado de mesa - Desculpe o que lhe vou dizer, mas decerto que não pensa nos ingredientes, no sabor da sua boca ou do mal que lhe fazem aos pulmões quando os está a fumar...

16 de novembro de 2008

Só assim de vez em quando


Hoje apetecia-me voltar a ter coisas simples.
Acordar com um rádio despertador, ter um candeeiro na mesa de cabeceira, quem sabe, ter mesmo uma mesa de cabeceira.
Não ter computador, muito menos 50 canais de televisão.
Receber chamadas pelo telefone fixo, não ter que me reger por uma agenda e andar de transportes públicos.
Usar umas calças quaisquer, uma camisola com capuz e um casaco de ganga de uma marca branca.
Chutar uma bola para cima de um telhado, comer um pastel de Belém, até mesmo, deitar-me na relva.
Não precisar de um relógio, apenas de uns ténis baratos e...


12 de novembro de 2008

Caixas multibanco..."codrilheiras"


Há coisas que mexem com a minha paciência e uma delas são os gritos que as caixas multibanco mandam inadvertidamente.
Já ando a aqui a moer as vezes em que me abeiro das ditas e aquele boneco verde, que está sempre a sorrir, assim que vê que eu me apronto para o utilizar, resolve logo meter aquela cara triste à pressão para dizer que está fora de serviço... Ao menos que diga logo que não lhe apetece é trabalhar!
Mas agora é demais! É altura de dizer basta!
Então não é que quando estou descansado a olhar para os lados à espera que uma operação (de levantamento de dinheiro suponhamos) se efectue, ela (a máquina), propositadamente, espera silenciosamente pela minha distracção, e ZÁS, manda logo um berro para eu retirar o cartão?!
Depois, como se isso não bastasse, dá-me qualquer coisa como cinco segundos para eu o arrumar na carteira, e se não sou lesto o suficiente nesta prova de velocidade, faz questão de lembrar, a mim e aos transeuntes que eu levantei dinheiro.
Não sei muito de normas de segurança, muito menos de acções indiscretas, mas "RETIRE O SEU DINHEIRO", é sem sombra de dúvidas o método mais eficaz de avisar qualquer ladrão que por ali esteja a passar descansado da sua vidinha e sem qualquer ideia maldosa, que ali poderá estar a próxima vítima.
Depois admiram-se que estas caixas sejam vandalizadas...

10 de novembro de 2008

Horários


Nós e os horários.
Se há coisa que não consigo perceber é o atrito que os Portugueses têm vindo a criar em relação ao relógio.
Talvez não seja bem ao relógio mas sim, aos horários.
Lembro-me que quando não haviam telemóveis, e eram poucos os que andavam de automóvel, cerca de dez minutos antes do marcado, já todos se encontravam no chamado ponto de encontro.
Eu gostava desse estilo de vida, e confesso, era um fervoroso adepto.
Por vezes até esperávamos 10, ou 20 minutos, mas mais do que isso, as coisas eram simples, quem não estava, era porque não vinha.
Mas agora?!
Não há festa, saída, encontro ou compromisso, em que não tenha de esperar pelo menos meia hora.
O que acontece normalmente é que há hora marcada estou a receber uma SMS a dizer que a pessoa "X" está a sair de casa nesse momento.
Não pode ser!!! Ou, que dizer, pode...
Tanto que pode, que acontece, tanto que acontece, que eu já faço o mesmo...
Posto isto, e visto que se não conseguimos vencê-los, juntamo-nos a eles...
Venho por este meio anunciar que a partir de agora serei um típico Português!

6 de novembro de 2008

Agora ... olha

Agora?
Está é na hora, do gorro e do cachecol!
A camisola quente e um casaco daqueles que corta bem, o frio.
Luvas, bem acamadas. Mas com as mãos nos bolsos... do casaco não, das calças, e de ganga!
Apanhar o comboio e ver a cidade passar. As crianças que com o nariz vermelho pedem as prendas para o natal e os pais que com falar autoritário gastam a palavra não.
Os pedintes que abanam insistentemente um copo de cartão e os cegos que fazem música contra os bancos e a favor do chão.
As noites às 17h30, e o cheiro a castanhas assadas, que vem la de dentro do velho carro de latão.
A respiração que sai das bocas e aquela boca que apetece deixar de ver respirar, não sei, talvez num acto de coragem, se alguém a beijar.
A vizinha que vai à janela, não pela curiosidade, e muito menos para se mostrar, mas apenas para saber o quanto quente ela está lá dentro.
Depois?
Vêm as mantas no sofá, os chocolates e os filmes...
As tardes de domingo, as pantufas e os pijamas, aqueles há que não se esquecem dos roupões e não há cama que não diga o "sim" aos lençóis de flanela.
Os sonhos, esses bem quentes, de preferência com chuva, muita, mas sempre do lado de fora!...