28 de junho de 2008

Ponto de Vista



Onde eu vejo o mar, ela observa cada gota ao pormenor

Onde eu oiço um conselho, tu vês uma crítica destrutiva

O que ela pensa que é o amor, ele apercebe-se que na prática é mais um compromisso

Onde se vê guerra e ódio, há quem encontre nisso a sua verdadeira razão de viver

Enquanto eu vejo reposição dos níveis potássio, a idosa vê que é soro para alimentar

Onde eu vejo a encantadora fachada de um museu, tu vês anos e anos de história

Quando ela acredita que encontrou o rapaz perfeito, ele crê numa mera amizade

Onde uns vêem religião, outros vêem monotonia e falsidade

Apesar de ele achar que é um BADWOLF, outros já o viram provar que é um verdadeiro GOD

Onde ela vê um lindo “rebento”, ele vê horas extraordinárias, pois há mais uma boca para alimentar

Enquanto tu dizes porque ouviste dizer, ela afirma de forma justificada, com argumentos válidos

Onde tu vês que não há solução, eu tenho a resposta para um grande desafio

Enquanto tu pegas no jornal e lês as “gordas” da primeira página, há quem faça desse título a última parte a ser lida

Onde tu lês no teu móvel um simples “boa noite” (sem smiles e sem beijos), do outro lado o remetente tem o coração cheio de amor para te dar

Apesar de tu acreditares que dormes sozinha, eu posso dizer que estou sempre presente

Onde uns vêem o fim, outros decidem, com ânimo, começar de novo

Onde a criança vê uma simples brincadeira, o adulto reage como se de uma ofensa se tratasse

Enquanto ele acredita no amor à primeira vista, ela não acredita no destino

Apesar de haver quem fale à toa, outros preferem não tecer comentários, nem alimentar boatos

Onde a maioria não vê nada que se aproveite, ele acredita que de uma má toca pode sair um bom coelho

Onde ele vê o barco de partida do cais, ela inicia uma contagem decrescente até à chegada

Enquanto eu escrevo para te ajudar a pensar, tu lês sem pensar em nada…

25 de junho de 2008

Rain Inside Me


"Lá fora a chuva cai dentro de mim!"

18 de junho de 2008

Game!

Boa tarde,

Há muito tempo que pensava num post que vos fizesse comentar de modo a ultrapassar os comments do nosso velhinho Salsa que tanto fez mexer a opinião do público que nos visitava...
Hoje encontrei-o espero que não me desiludam!
Nada melhor que um jogo para vos fazer saltar e fazerem-se ouvir, mesmo quem nunca se mostrou.
O jogo consiste no seguinte... eu digo 2 hipóteses e o "leitor" seguinte escolhe uma delas e segue com mais duas hipóteses até ao infinito!
Promessa minha: Sempre que vier cá e tiver um comment novo, dou mais duas hipóteses!

Fazendo um teste a titulo de exemplo:
Coca-cola ou Pepsi?

Coca-cola!
Barcelona ou Madrid?

Barcelona!
Compactuar ou Actuar?

Actuar!

Deu para perceber?
É um jogo estupido, mas pode ser divertido(talvez).

Por isso começo agora:
Carta ou Mail?

14 de junho de 2008

A idade dos porquês


Porque é que o tempo já não passa tão devagar, porque é que o tempo vai passar ainda mais depressa, porque é que já não tenho aqueles fins-de-semana, porque é que já não me apaixono com facilidade, porque é que magoa não ser correspondido, porque é que magoamos por não corresponder, porque é que já tenho a vida programada até ao final do ano, porque é que já não arranjo mais amigos, porque é que já não quero arranjar mais, porque é que reparo que os meus pais estão a envelhecer, porque é que eu não lhes digo que reparo, porque é que na minha cabeça continuo convencido que tenho dezoito anos, porque é que tenho a impressão que daqui a vinte anos estarei convencido do mesmo, porque é que trabalho mais do que preciso, porque é que o faço se ninguém o reconhece, porque é que o faço se nem eu o reconheço, porque é que desesperamos numa fila, porque é que não compreendemos o desespero de quem espera quando somos nós que atendemos, porque é que um de cada vez é pouco, porque é que três duma vez à espera de vez são muitos, porque é que o nosso problema é sempre maior que o dos outros, porque é que nunca ajudamos, porque é que queremos sempre ser ajudados, porque é que juramos ter fé quando precisamos, porque é que quando estamos bem gritamos bem alto que fé não existe, porque é que já não sabemos existir sem telemóvel, porque é que dantes éramos mais felizes sem ele, porque é que as primaveras já não cheiram a amarelo, porque é que os outonos se vão esquecendo de cheirar a terra molhada, porque é que já não apontamos ao arco-íris, porque é que já não vemos animais nas nuvens, porque é que nos esquecemos de quando os víamos, porque é que apenas o futebol une um país, porque é que apenas aí damos um abraço a um desconhecido, porque é que queremos ter tudo, porque é que quando temos tudo ficamos com a sensação que não temos nada, porque é que eu continuo a escrever, porque é que vocês continuam a ler o que escrevo, porque é que isso me faz sentir melhor, porquê?

11 de junho de 2008

Mais um acordar?!


Hoje acordei feliz!
É agora com o sono de mais um dia de trabalho num feriado, que escrevo sobre o meu acordar.
Ontem por esta hora, ainda ouvia Bob Sinclar na praia de Carcavelos, entre crianças mimadas, pessoal com a mania que é mau e verdadeiros fãs. A noite acabou com um hambúrguer, a recordar tempos passados com duas outras pessoas com vivências diferentes, mas com caminhos de vida que se cruzam aqui e ali…
Finalmente chegou a melhor parte e a razão que me levou a escrever!
Adormeci, tinha trabalhado 32 horas em 48 e não foi preciso chamar muito pelo sono para ele me levar… sonhei!
Foi tão intenso o sonho que acordei a pensar nele.
Tinhas estado lá!
Mas a questão que se coloca é: Quem és “tu”?
Não me lembro do teu rosto.
Passei o dia com o teu sorriso na cabeça sempre a fazer um esforço, mesmo que inconsciente, para me tentar lembrar de mais um pormenor que te identifica-se.
Nada!
Não te consegui reconhecer mas lembro-me claramente de me sentir feliz por estar contigo.
Hoje acordei feliz!

9 de junho de 2008

Split / Dubrovnik 20 a 22/06/07




20h e qualquer coisa.
O sol cai lentamente sobre campos intermináveis, planícies sem fim aquecidas pelo alaranjado lá de cima.
Numa viagem tão longa era de admirar que não acontecesse qualquer coisa, e como tal fomos obrigados a saltar de vagão em vagão até encontrar-mos um pouso que nos permitiu 6h de descanso precioso .
Chegámos a Split por volta das 7h da manhã, e a nossa preocupação inicial era a de arranjar casa para ficar, uma vez que iríamos passar o dia em Dubrovnik.
Não foi preciso procurar muito, à saída do comboio lá estava uma sr.ª na casa dos setenta e muitos anos com um papel alusivo ao aluguer de quarto. Foi então que encetámos um longo processo negocial, que acabou por não dar em nada uma vez que às nossas perguntas em inglês apenas vinham respostas em Croata.
Preferimos tomar como garantia a sinceridade de uma cara vincada pelos anos.
Pousadas as mochilas cada vez mais pesadas com recuerdos, apanhámos o autocarro que nos levou até Dubrovnik. Foram 5 horas de viagem com direito a passagem pelo território da Bósnia.
Chegámos ao destino pelas 14h e já só pensávamos em comida.
No início da visita, demo-nos ao luxo de alugar um daqueles telefones portáteis que nos contam a história do local, mas rapidamente ficou claro que um interrailer não tem perfil para ficar parado a ouvir uma explicação num espanhol monocórdico atroz.
Jantámos ainda na cidade, ao final da tarde, provavelmente no melhor cenário que tivemos alguma vez durante o jantar.
Esplanada, música ao vivo e cara aquecida por um vento tão quente vindo do Adriático que rasga impiedosamente todas as muralhas que protegem este refúgio desconhecido aos olhos de tantos.
A última saída para Split era às 22h30... e por pouco não a perdíamos, não fosse uma cantoria aos deuses para que aparecesse um autocarro.
Chegámos a Split perto das 3h da manhã, e pelo meio deu para pôr a conversa em dia com dois Australianos praticantes da mesma religião que nós, apenas com uma diferença... eles iriam "rezar" durante 6 meses...
Chegamos ao 15º dia e já custa a crer tudo aquilo que vimos em tão pouco tempo. Ontem à noite (em Split) fomos até uma zona de bares junto à praia, praia esta que estava cheia de gente a tomar banho, já bem depois da meia noite... outros andamentos, digo eu.
É agora 12h30, tenho apenas os calções vestidos, escrevo de luzes apagadas e com o quarto escuro e mesmo assim estou a pingar na cara, impressionante!
Às 15h temos comboio para Veneza, de lá mandarei o meu último postal. (mais tarde viria a saber o quanto inconsequente ele seria... quando se espera muito de quem nos pode oferecer pouco...)

8 de junho de 2008

Música do dia: "The kids aren´t alright"



Estou oficialmente na era pós-concerto.
Aquela em que revemos toda a discografia duma banda após assistirmos a um concerto que mexeu connosco...
Aquela em que não paramos de cantarolar a música que ficou no ouvido...
Aquela em que damos por muito bem empregue cada cêntimo do bilhete...
Aquela em que já não nos lembramos das dores nas pernas...
Hoje o dia foi de OffSpring!

7 de junho de 2008

Eu fui



Eu ontem fui.
Não quando mais queria ter ido, mas quando me foi possível.
Fiquei algo impressionado com a quantidade de mãos que batiam colectivamente umas nas outras num horizonte de se perder o fim.
Estar lá à frente, apenas para poder olhar para os lados e para traz e ficar arrepiado com as ondas que se formavam harmoniosamente com as mãos que cada um empunhava ao som de cada música.
Diria que ali existe uma potenciação pessoal puxada pelo colectivo que cada um de nós forma, quando milhares de vozes ecoam ao som de um ditador que lá de cima do palco nos incute uma vibração saltante.

4 de junho de 2008

Calor



Sol,
calor,
uma esplanada,
uma salada de polvo,
uma imperial,
o bronzeado,
os calções e as saias,
os tops e os seios,
os chinelos e as pernas,
as costas e o cheiro a protector,
a textura da areia,
o consolo da água fria,
os corpos quentes,
as ideias frescas,
as hormonas aos saltos,
as acções não pensadas,
e as ideias tentadas.
Sempre foi e continuará a ser.
Apetece...