29 de maio de 2007

À procura de uma forma de viver

Ando à procura de uma forma de viver.
Não sei se procure com quem viver, se procure simplesmente viver.
Sei que sou jovem e gosto de voar, gosto de sentir e de tocar extremos.
Gosto de sorrir, só porque sim.
Alguém me diz o que é um sorriso verdadeiro?
Pergunto-me até que ponto hoje os sorrisos não são comprados.
Tudo se compra e todos se vendem.
Vendem momentos, espaços, barrigas cheias, estados de euforia, parecenças, e presenças.
Vendem modos de fingir o “ser”, sonhos para viver e ilusões de consumo expontâneo.

Entro numa esplanada com vista para o mar e puxo da cadeira.
Peço um gelado, meto a mão no bolso e arranco de lá 1,30€.
Do outro lado alguém me agradece com um sorriso esticado.
Acabo de comprar um momento.
Não vou ler o Destak ou o Metro, não vou entulhar os meus olhos com publicidade, nem com previsões para o meu signo.
Sou eu que faço o meu destino...Pelo menos queria.
Poucos são os que aqui se sentam.
Muitos são os que já se esqueceram do barulhos das ondas.... É lindo!
Agora não tenho medo de nada. Penso apenas em mim e em mais ninguém.
Comprei este momento. Talvez fingido, mas é meu e de mais ninguém.
Até quando? Amanhã ou depois, não sei, não me interessa, não quero saber.

18 de maio de 2007

H2O

Há 40 anos atrás?
Há 40 anos atrás eu digo-vos como era.
Não havia água canalizada. Havia uma cisterna, uma espécie de poço, colada a cada casa da aldeia, que servia de reservatório para as águas das chuvas vindas do telhado durante os invernos rigorosos.
De manhã o mais novo da casa saía à rua, e dirigia-se à cisterna. Atirava um balde preso por uma corda, e puxava-o quase sempre a meio-cheio, a força também não dava para mais.
Com a ajuda do joelho lá conseguia transportar o balde até casa.
Lá dentro à espera estavam dois pais e quatro irmãos.
Dava-se então início ao ciclo.
A água era colocada numa bacia onde todos lavavam a cara. Chegada a hora das refeições, todos comiam juntos. Em casa ou no campo a gente à "mesa" era sempre a mesma. As mãos, essas eram lavadas na água que fora das suas caras. Ao anoitecer e depois de um dia a arrancar batatas todos tinham direito a lavar os pés com a água que horas antes fora das mãos.
Chegava a noite e com ela, o dever calhava agora à mais velha.
Lavar o chão.
Com que água? Com a água que momentos antes lavou pés.
A barriga já estava cheia, uma sopa quente com as couves do quintal naquele tempo fazia maravilhas.
Esgoto não havia. Rega muito menos... Como eram regadas as couves do quintal?
Com água que antes lavou cara, mãos, pés e chão... de 7.
Hoje quando lá vou, ainda vejo a marca da corda cravada na pedra, tanto foi o seu roçar.
Devem ter sido tempos dificeis, mas desconfio que daqui a 40 anos serão bem piores

XXVIII ENEE

Faltam apenas 3 dias para a semana mais aguardada no mundo da Enfermagem Portuguesa. Estou pois a falar do Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem. Bem sei que agora já estou do lado de lá, mas não será por isso que deixarei de perder o ambiente incrivel que se vive neste mega encontro.
Ali deixamos todos as fardas de lado, e entramos num ambiente viciante de companheirismo, que se vive entre tendas, praia e recinto de música.
Recordamos velhos amigos, velhos hábitos, velhas gargalhadas mas sempre em novas situações.
Promete ser uma semana desgastante a muitos níveis, talvez a melhor de sempre, pelo menos o pensamento que nos irá acompanhar é: "Este ano é que vai ser"
E não é que por norma, todos os anos o pensamento com que de lá saímos é: " Este ano é que foi"?
Encontro de Enfermagem 2007, em breve estaremos aqui para contar...

17 de maio de 2007

19h37

São 19h37. Conduzo marginal fora, sem ninguém a meu lado. Lá fora ainda estão 26ºC, resultado de uma tarde daquelas bem quentes.
Na rádio uma qualquer música, que só por passar nesta altura se torna especial.
Agarro o volante com a mão direita. Estendo o braço esquerdo para fora do carro, e não resisto à tentação de fazer com a mão pequenas ondas, enquanto os dedos vão rasgando o curso normal do vento.
Desvio propositadamente uma lufada de ar quente e seco em direcção à minha cara, que rapidamente me seca os lábios.
No horizonte o sol vai-se pondo lentamente, visivelmente cansado após um dia tão extenuante. Aos poucos vai fechando os olhos, como uma criança que rapidamente cai no sono, até que se apaga como quem vai de encontro ao seu cinzeiro diário, o mar.
A buzina rouca assinala a marcha do comboio da linha de Cascais.
Para muitos dos que nele vão, este é o fim de dia ideal, e sei que só para viver este quadro escolhem propositadamente no Cais-do-Sodré um banco com vista para o mar, nem que para isso tenham que procurar até a última carruagem.
Eu também procuro, procuro por quadros assim.

14 de maio de 2007

Eurovisão 2007


"Será que eu estou a ouvir bem?" Foi a primeira coisa que eu pensei!
"Não, só podem estar a gozar!"
É só de mim ou a musica que Portugal levou ao festival da Eurovisão era uma autentica fantochada?!
Sinceramente, cada vez percebo menos disto. Bem sei que de musica pouco percebo eu, mas cada vez tem mais sentido uma teoria que eu venho desenvolvendo. Tenho a impressão que Portugal assinou algum tratado europeu que o proíbe de levar a este festival musica de grande nível. Quero dizer, grande nível já nem pedia, bastava médio, ou mesmo medíocre +, ali entre a positiva e a negativa, rés vés campo de Ourique, entre a espada e a parede. Agora esta coisa...esta música... esta música avançou foi logo para a espada!!!
E a letra, atentaram bem à letra?
"Dança comigo eu dou-te o céu que há em mim"
"Dança comigo ********"
"Dança comigo que nos teus braços eu vou sonhar"
"Dança comigo ********"
Pergunto eu, porquê, mas porquê não mandaram lá o Tony Carreira, sempre tinha os votos dos emigrantes...
Não tenho nada contra a Sabrina, mas porem-na a cantar aquilo...
Mais grave que isso é terem-na considerado a melhor...em Portugal, para nos ir representar lá fora...
Chegaram a ouvir a representante da Hungria? Que voz! Que música... Unsubstantial blues - Magdy Rúzsa, a minha favorita!


  • Legenda (********): Coisas que ela diz, que de tão rápidas não se percebem

10 de maio de 2007

Madeleine


Diariamente os telejornais têm todos aberto com noticias sobre o desaparecimento da criança Inglesa, Madeleine. Ela tem estado em todos as capas de Jornais, mail´s, estações de autocarros, comboios, postes e tudo quanto seja local de acesso público.
Estou de acordo com a mediatização que se fez do caso, afinal de contas, não faço ideia do que é viver esta situação como pai.
Apenas acho incorrecto, e não posso deixar passar, o aparente diferente empenho das autoridades, dos media e da população Portuguesa, que é patente neste caso, apenas porque se trata de uma criança estrangeira.
Não sei porquê, mas tendo em conta anteriores desaparecimentos, desconfio que se o nome da criança fosse Rita, Ana ou Maria, esse tal "empenho" seria menor.

2 de maio de 2007

Gaunty…



Era uma tarde triste de Verão, caía uma gota de chuva aqui e outra ali, mas a cidade continuava no seu ritmo alucinante.
Vou no meio da multidão ao fim de mais um dia de trabalho quando te vejo, parecia que a cidade tinha perdido todas as pessoas, fiquei eu e tu.
Corro na tua direcção com o intuito de finalmente te voltar a tocar. Quando estou a chegar viras-te… não és tu! Virei-me apenas um pouco e desfizeste-te como se nunca tivesses existido.
Continuo de volta para casa e volto a ver-te ao fundo. Agora com maior precaução aproximo-me e toco-te!
− Gaunty?!?
Desculpe, pensei ser outra pessoa!...
Vejo-te em todo o lado, nos meus sonhos, na rua, no centro comercial, dentro dos carros enquanto espero no trânsito.
Ouço-te em todo lado, a chamar por mim nos meus sonhos, a chamar por mim no fundo da rua, a buzinar como um chamamento no trânsito.
Vejo o teu nome em todo lado, na identificação da senhora das finanças, no genérico da novela que acabou na TV, no jornal que leio de manhã, chamo o teu nome à colega da secretaria do lado no trabalho.
De todas as palavras que trocamos nestes anos, há umas que guardarei para sempre. Aquelas que sussurras-te ao ouvido como se de um segredo se tratasse, aquelas que ainda hoje te oiço dizer… Mas como tu dirias “eu penso demais!”
Entras-te no meu mundo em biquinhos de pés como bailarina desliza ao som da música, e como um bichinho entra na maçã foste caminhando até ao centro.
Se calhar já deste tudo!
Eu é que joguei, arrisquei e perdi.

1 de maio de 2007

Cor do Verão


Verão são palavras soltas numa noite quente…

Verão é Sol e luz,
É praia, bikini e bronze,
É amarelo e quente,
É o cheiro do mar,
É refrigerante na esplanada,
É viagem e aventura,
É Algarve e Beiras,
É Porto e Alentejo,
É avião e comboio,
É férias e sonho,
É um cão a correr,
É recordações e saudade,
É lágrima e sorriso,
É paciência e tranquilidade,
É dar as mãos e sentir paz,
É lazer e descanso,
É verde, é campo,
É um pássaro a chilrear,
É piquenique e ar puro
É o cheiro da terra,
É natureza e flores,
É romance e afecto,
É hormonas e felicidade,
É um beijo é paixão,
É seretonina e sossego,
É sonho e coração.

Adoro o Verão!