2 de maio de 2007

Gaunty…



Era uma tarde triste de Verão, caía uma gota de chuva aqui e outra ali, mas a cidade continuava no seu ritmo alucinante.
Vou no meio da multidão ao fim de mais um dia de trabalho quando te vejo, parecia que a cidade tinha perdido todas as pessoas, fiquei eu e tu.
Corro na tua direcção com o intuito de finalmente te voltar a tocar. Quando estou a chegar viras-te… não és tu! Virei-me apenas um pouco e desfizeste-te como se nunca tivesses existido.
Continuo de volta para casa e volto a ver-te ao fundo. Agora com maior precaução aproximo-me e toco-te!
− Gaunty?!?
Desculpe, pensei ser outra pessoa!...
Vejo-te em todo o lado, nos meus sonhos, na rua, no centro comercial, dentro dos carros enquanto espero no trânsito.
Ouço-te em todo lado, a chamar por mim nos meus sonhos, a chamar por mim no fundo da rua, a buzinar como um chamamento no trânsito.
Vejo o teu nome em todo lado, na identificação da senhora das finanças, no genérico da novela que acabou na TV, no jornal que leio de manhã, chamo o teu nome à colega da secretaria do lado no trabalho.
De todas as palavras que trocamos nestes anos, há umas que guardarei para sempre. Aquelas que sussurras-te ao ouvido como se de um segredo se tratasse, aquelas que ainda hoje te oiço dizer… Mas como tu dirias “eu penso demais!”
Entras-te no meu mundo em biquinhos de pés como bailarina desliza ao som da música, e como um bichinho entra na maçã foste caminhando até ao centro.
Se calhar já deste tudo!
Eu é que joguei, arrisquei e perdi.

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito meigo o seu texto, adorei!
beijus!
de sua brazuka Camila.

Lu disse...

Tal como ja aconteceu comigo, também isto te vai soar a familiar... adorei o texto, transmite uma mensagem, que embora a minha interpretação poderá ser diferente da tua, é uma mensagem que nos deixa daquela cor, sabes??? ;) beijos Lu