24 de junho de 2006

Só mais uma vez


E com o cair da noite,
Levo o céu que tenho em mente,
Para lá desse olhar,
Onde te escondes, atrás o mar.

Onde contava contigo, esperava...
E desesperava,
Na esperança de vencer o tempo,
Na esperança de te falar.

Falar, até mesmo mentir,
Só pra te ver sorrir.

Olho só desta vez...

Para lá de tudo o que vês,
Enquanto neste nevoeiro,
Lento e traiçoeiro,

Me consomes só mais uma vez

20 de junho de 2006

As mulheres



Acho que às vezes nós homens não tomamos consciência do real poder de combate de uma mulher. Começo a pensar que após tantos anos de evolução, algumas mulheres desenvolveram uma capacidade fora do normal para entrar em “confronto” com os homens.
Eu estou a falar do poder de argumentação. Esta é uma técnica que é aperfeiçoada após horas e horas de diálogos unidireccionais, em que nós simplesmente as vamos deixando falar, enquanto nos questionamos do onze que irá jogar mais logo pela equipa de Portugal.
Já nós escolhemos o onze inicial, as substituições, e até imaginamos os grandes golos de logo à noite, quando verificámos que ela ainda está a falar da mesma coisa... mas apenas de uma perspectiva diferente.
É como tirar 10 fotografias à Torre de Belém, mudando apenas o ângulo em que a fotografia é tirada... Mas afinal de contas, se é só para dizer que esteve em frente à Torre de Belém, para quê tirar tanta fotografia?
Este, acaba por ser o modo “secreto” de preparação, que “elas” têm para aqueles momentos de discussão connosco que tanto gostam!
Aquelas discussões, que são preparadas ao milímetro, como se fossem uma batalha. Elas em casa ensaiam mentalmente vezes sem conta os possíveis assuntos, as dez diferentes abordagens ao assunto, as nossas reacções para cada abordagem, e pior do que isso, para cada reacção preparam uma acção, ou seja o ataque!
Claro está que se nós homens não tivermos um grande poder de argumentação, que nestas situações se resume basicamente à improvisação, estamos lixados. Sim, improvisação, porque nós homens, temos mais que fazer do que imaginar conversas, reacções e tudo o mais.

É assim que decido fazer uma primeira abordagem à mulher, um ser altamente preparado, e com uma visão do fenómeno acima do normal.

Estou a falar então de um José Mourinho dos sexos!!!

17 de junho de 2006

Chefe... mas pouco


Já passam das 20h30, e logo agora que estava a entrar com afinco no estudo, lembro-me que o jantar está por fazer.
Estou sozinho em casa, e como de costume, sempre que isso acontece o meu jantar vai parar lá para as tantas. Largo os livros, lavo as mãos, e tiro o bacalhau do frigorifico. Meto a água a aquecer, e vou começando a descascar meia dúzia de batatas, enquanto me lembro dos repetidos sermões da minha mãe.
Pedro, não penses que hoje em dia ainda há mulheres como eu, que estão na disposição de chegar a casa depois do trabalho e fazer o jantar para o marido, enquanto ele está sentadinho na sala a ler o jornal, e teima em ter a televisão ligada em pano de fundo... só por ter”
“Se tu não aprenderes a cozinhar, não aprenderes a passar uma camisa, e principalmente não souberes dar o valor ao trabalho ao trabalho que uma mulher faz numa casa, ela põe-te a andar, e depois não penses que podes vir aqui bater a casa pela comidinha da mamã, porque eu não estou para isso!Tens que te fazer um homem”
Fazer um homem, fazer um homem...sempre a mesma conversa, mas pronto, parece que aos poucos vou interiorizando a mensagem... afinal de contas, até é engraçado cozinhar, inventar um jantar, fazer uma revolução culinária, e tudo isso em cima do nosso fogão. Mas quando a preguiça aperta...
São 21h11min, e o jantar está pronto.
Umas batatas cozidas com uma posta de bacalhau e um ovo cozido. Acho que já estou um profissional, hehe!!!...

O Sal, esqueci-me do sal!!!

16 de junho de 2006

Um dia de chuva


Já sentia falta de ver o céu carregado,
Já sentia falta de ver a chuva lá fora cair desordenadamente em cima do tejadilhos dos carros,
Já sentia falta deste cheiro a terra molhada,
Já sentia falta dos trovões,

E tu, ainda te lembras como se contava o tempo entre cada parelha de trovões e raios, para determinar a suposta distância a que se encontrava a trovoada?
Eu não... mas do cheiro a terra molhada, nunca me vou esquecer...

12 de junho de 2006

Recordar...


Incrível… acontecia aquilo que nunca tinha acontecido desde que eu estava naquele serviço: um turno descansado no Internamento de Apoio à Urgência.
O trabalho estava feito, a luz do Sol já escasseava ao entrar pelas janelas e as pessoas deixavam-se, tranquilas a ver o tempo passar. Uns à espera de uma resposta para descerem para o Bloco, outros apenas à espera do tempo e de melhoras…ou não!
Sentei-me na sala de trabalho, olhei para o tampo da mesa que estava disposta no centro da sala e uma folha sorria para mim. A caneta saltava no bolso, o ambiente de calma pedia-me inspiração. Todos os elementos se conjuravam numa dança frenética para que fizesse uso deles e escrevesse o que me passasse pela cabeça.
Ganhei balanço, como se estivesse sentado no baloiço da rua das traseiras quando era criança e ainda brincava descontraído sem saber o que eram os problemas que acarreta viver. Por este pensamento vi logo que as recordações me iam levar ao tempo de criança.
Mergulhei! Começo então a percorrer estas velhas recordações…
Lembro-me de quando passava as férias de Verão com os meus avós.
De repente vejo-me a correr pelos campos cultivados, com o meu avô a ralhar atrás de mim, por estragos na colheita de um ano de trabalho. Movo-mo por entre o milho alto, maior que eu muitas vezes e sinto as suas folhas ásperas na pele nua dos meus esguios braços, para de seguida me deixarem a coçar tempos infinitos.
Próxima etapa: treino de acrobacias nas árvores mais próximas!
Agora é a vez de deixar a minha avó intranquila e com o coração aos pulos. Tanta vez que subi aquelas árvores, eram oliveiras, pereiras, macieiras… era tudo o que eu conseguisse, sempre a tentar chegar mais alto para ter aquele sentimento de triunfo, sentir-me um pássaro livre, dono de tudo o que me rodeava.
De repente acordo do mar das recordações directamente para a sala de trabalho.
- Então Pedro? Não jantas hoje?
Como é bom recordar…

9 de junho de 2006

A nossa casa


Para a minha futura mulher:

Por favor, não leias isto antes de 2011...!

Então vamos lá... a nossa casa tem que ser uma vivenda, grande, pelo menos com 3 quartos, sim porque vamos ter três filhos.
Tem de ter um jardim em frente da casa para eu cortar a relva, muita relva, para sempre que discutir contigo, desanuviar o ambiente e ganhar novamente coragem para correr até ti.
O cesto de basket também não pode faltar, para de vez em quando, eu me imaginar num grande estádio com uma multidão a aplaudir e a chamar pelo meu nome.
A nossa sala vai ter um Data-Show que vai projectar as grandes jogatanas de Playstation e claro que já me estou a mentalizar, para quando tiver que gramar com a tua telenovela em vez de ver o meu glorioso, mas pronto... presumo que esses sejam os ossos do ofício.
Na nossa cozinha tu até podes mandar em tudo... menos na loiça! Estou já a avisar que vou mandar fazer uma bancada exclusiva para a minha altura, porque estou mesmo a ver que a loiça quem vai lavar, sou eu...sim porque eu adoro lavar loiça! Por isso podes esquecer a máquina de lavar loiça. Esse dinheirinho sempre dá para pagar 6 meses à tua cabeleireira que te leva o couro, o cabelo e outras coisas mais... com as quais, para mal dos meus pecados, até "simpatizo".
Na nossa casa de banho, desculpa lá, mas ao lado da sanita, vai também haver um urinol, já mesmo para evitar as bocas da falta de pontaria,ou mais provavelmente, as minhas dores de costas com o baixar e levantar da tampa da sanita.
O nosso quarto... fica ao teu gosto, porque de decoração sei que perceberás mais que eu. Mas por favor... a nossa cama tem de ter 2 metros de comprimento por 2 de largura... finalmente vão-se acabar as noites dormidas literalmente com os pés de fora. E pronto... acho que está tudo.
Já agora, não te podes esquecer do pijama... bem largo... sim porque deves ficar super sexy, e assim, sempre vou ter alguma coisa para despir...

2 de junho de 2006

Defensor dos pobres e oprimidos por um dia


Hoje resolvi dar numa de "defensor dos pobres e oprimidos".
Estava parado no trânsito da IC19 e experimentei dar prioridade de vez em quando aos automóveis que vinham das vias de acesso.
Era ver a cara de felicidade dos condutores.
Sabe bem fazer isto de vez em quando, espalhar um pouco de boa disposição no meio de um engarrafamento.
Quando já tinha feito esta boa acção umas duas vezes, apercebo-me que à terceira, ao dar passagem a um condutor, vieram logo mais dois lampeiros atrás. Sim, lampeiros é o termo! Uma pessoa já não pode dar uma maozinha, querem logo mais duas. Esquecem-se é que mãos... eu só tenho duas.
Isto de ser defensor dos pobres e oprimidos às vezes dá mau resultado... mas pronto, tentei ao menos seguir o ditado "Sê feliz... faz alguém feliz"

(e não é que cheguei a casa feliz!)