19 de fevereiro de 2010

Manhã


Acordo.
Afasto uma pasta de mantas espessa e coesa que me cobre, num triângulo perfeito. Perfeito como esse frio que me entra de frente, de lado e por trás das ideias em mais uma manhã como esta.
Calço os chinelos e ainda com o olho esquerdo colado, abro uma pequena brecha nos estores para espreitar o dia.
Estranho ver sol desta vez. Um sol com tanto de intruso como de gelado.
Gelado como este inverno.
Gelado como eu.
Ferido de perfeição mas faminto pelo erro, cruel e instintivo.
Adormecido, mas parte de mim.

2 comentários:

dona-peppers disse...

Com o despertar, aos poucos, o sol vai-se tornando cada vez menos gelado caindo no erro de se tornar perfeito...

AmyStew disse...

Adorei este teu texto :)