31 de julho de 2009

Sudoeste 09


Ora bem...
Tenda, saco cama, colchão, lanterna grande, lanterna pequena, prato, copo, canivete, toalha multifunções, protector, escova de dentes, pasta de dentes, desodorizante, três pares de calções, dois pares de calças, 1 par de ténis, um par de havaianas, telemóvel sem carregador, uma guitarra, e o bilhete!

Chaves de casa, BI, cartão multibanco e... férias 2009!

Acho que está tudo!
P.S. - (Voltarei em Setembro...)

Dantes era assim...




Quando nós tínhamos aqueles três longos meses de férias...
O tempo para tudo, até para nos esquecermos que ele existia.
As vontades para lá de tudo aquilo que pensávamos querer e as aventuras vividas para cima de tudo o que era imenso.
Os lanches em casa dos amigos, as corridas de parachoques colinas abaixo, os joelhos esfolados, as guerras de pedras e as cabeças partidas.
Os curativos das mães e os jogos à bola com os pais.
As tardes em Belém, as voltas de bicicleta.
As regras não cumpridas e as obrigações ignoradas.
As pequenas mentiras aos pais e os grandes sermões porque a verdade sempre se soube.
Acordar às 10h00 deitar às 23h00.
As horas que passávamos sozinhos na rua.
O cheiro que a praia tinha naquela altura.
As noites quentes e o andar em tronco nu na rua.
As escondidas, os polícias e ladrões e o mata.
As paixões de verão e os amigos sazonais.
Os trabalhos de casa que não existiam, a televisão que víamos e o telemóvel que não fazia falta.
A tudo isso... e muito mais!


25 de julho de 2009

Elevações



O dia começou mal, mas estava para acabar pior.
As imagens começaram a tornar-se turvas e as pessoas simples elementos externos à minha intervenção.
Um copo cheio de vergonha que mandei abaixo em dois tempos, umas calças descaídas já rasgadas de tanto no chão roçar e uns tenis velhos empoeirados eram o complemento da minha figura.
O mundo começava a virar com o propósito combinado de me mandar abaixo, mas eu resisti dessa e doutra vez.
As vozes à minha volta eram de alegria, mas à alegria já eu estava imune.
Rasguei com as vozes e rompi noutro caminho de curvas que ainda à pouco não estavam ali.
Que me empurrem se quiserem, não me importo... Cair e não mais levantar. Só eu, o chão e as pequenas areias que se vão cravando à minha pele e que eu vou suportando com este anestésico.
...
Ao fundo começo a ouvir um pequeno eco de palmas que sai de um aglomerado de gente. Vibram como quem vibra quando ouve algo que o conquista pela primeira vez.
Abro os olhos, levanto-me apoiado nestes primeiros acordes, sacudo as pedras e encosto-me a um poste com a cara marcada.
Ali fico, de olhar semi-cerrado a beber daquele negativismo que me traz à sobriedade por haver alguém que canta este meu momento.
De repente, vejo-me a embalar ao ritmo de umas teclas e a saltar sozinho de felicidade, solto do mundo e dono de mim.
A Silent Film - You will leave a mark

21 de julho de 2009

Sotaques


04h37

O quarto encontrava-se numa escuridão penetrante. Era assim que ele o tinha deixado há três horas atrás quando apagou a luz na esperança de adormecer.
Na rua corria teimosamente um vento gelado que tocava uma chuva amassadora.
Ali estava ele, debaixo de vários cobertores e dos mesmos lençois de flanela vincados de tanta volta. Ali estava aquele corpo, frio, quase quebradiço de tão gelado, até que o telefone toca secamente...

"- Qui est-ce? C`est toi?
- Oui, c`est moi..."

Foi aí que reparou que os lençois estavam peganhentos de tanto alívio, o ar quente de tanta saudade e os vidros embaciados de tão pouco ter.

7 de julho de 2009

Papeis invertidos



Notícia de última hora:

Bem vindos ao Jornal de Informação, a nossa estação televisiva está agora em condições de avançar com o número de 42 pessoas infectadas com o Vírus da Imunodefeciência Humana, ou VIH como vem sendo chamado ultimamente. 13 nos Estados Unidos, 10 na China, 8 no Canadá, 8 em Inglaterra e 3 em Espanha.
Sabe-se que este número terá tendência a subir, no entanto ainda não existem razões para alarmismo dentro das nossas fronteiras.
A população em geral tem aderido em massa às recomendações dadas pelos serviços de saúde, pelo que cerca de 95% da população afirma fazer uso de preservativo. A informação tem passado de pais para filhos, professores para alunos e mesmo dentro dos próprios grupos de pares é possível observar uma preocupação acrescida por este novo fenómeno que acaba de surgir.
Agora passamos à próxima notícia, ainda no campo da saúde. Sabe-se que hoje é o dia mundial de combate à gripe suína, um dia em que a associação para o efeito procura consciencializar a população para o modo de contágio e as consequências que o contágio pode trazer para um indivíduo.
A presidente dessa mesma associação queixa-se de falta de visibilidade e apoio por parte dos meios de comunicação e do próprio governo, uma vez que segundo a mesma, o número de infectados continua a subir exponencialmente e as pessoas continuam deliberadamente a não tomar as devidas precauções, ninguém utiliza uma máscara...
Vamos ter agora oportunidade de ouvir um excerto da conversa que obtivemos com a Presidente da Associação para a Prevenção do Vírus H1N1
-"É triste vermos sucessivamente todos os dias os telejornais abrirem com notícias relacionadas com o VIH e ninguém dar espaço de antena para a nossa causa..."

Realmente às vezes parece que o nosso mundo está de pernas para o ar, ou então somos nós que o fazemos assim...

5 de julho de 2009

Busca




Gigante, sim gigante é como parece agora o refeitório. Olho à volta e ele continua deserto, deserto de ti.
Pouso o tabuleiro distraidamente e entorno meio copo de água mas, também não tenho sede...
Puxo de uma cadeira e sento-me vazio no centro de uma mesa cheia.
Exporadicamente metem conversa comigo e esboço um leve sorriso.
Longe, lá bem longe é onde ando... e assim vou respondendo com um olhar cada vez mais desfocado.
Faço silêncio na esperança de me ouvir um pouco mais. Deixo-me escorregar ao longo de uma cadeira e ali fico preso, preguiçosamente desconfortável.
Sempre pode ser que deixem de reparar em mim. Espero que sim...
O telemóvel ainda não tocou, confirmo uma vez, confirmo outra vez. Se não tocou porque o procuro?
Procuro-te a ti, que nunca mais vi...
Assim ou daquela maneira,
Procuro aquela, que é a tua maneira...

3 de julho de 2009

Devagar...



- Olá...
- Olá...

O vento quente na cara.
Aquela sensação de que o tempo afinal não existe.
Passos curtos, cadentes.
Cambalear, porque sim.
Devagar, mais devagar.
Tocar, tocar outra vez, porque sim, porque é preciso!
Tranquilidade.
Deixar ir. Deixar acontecer.
Será assim?
Voltar a andar, outra vez devagar.
Passos curtos, cadentes.
E o tempo? Esse... continua a não existir!
Será assim?

- Xau...
- Xau...
O rio atento, a espuma cusca e os barcos codrilheiros.
Foram eles, foram eles que me contaram...