30 de janeiro de 2007

Qualquer um pode ser o escolhido...




Fez-se silêncio!
Abri os olhos… tudo à minha volta era líquido.
Tentei perceber o que era. Não parecia água era algo mais viscoso.
Estava ainda a tentar perceber o que era, quando me lembrei… dentro de minutos vai faltar-me o ar e morrerei.
Tinha de fazer qualquer coisa, mas o que?!
Tentei mexer-me mas encontrava-me numa cápsula apertada, os meus movimentos estavam estranhamente lentos e limitados e para complicar ainda mais as coisas estava preso pela cintura…
Tentei não entrar em pânico!
Já tinha passado tempo suficiente para ter morrido por falta de oxigénio quando percebi que não precisava de respirar para me manter vivo… estranho!
Tentei ver o que se passava comigo… onde estava, como estava, como tinha ido ali parar.
Puxei pela memória e algo fez clic.
Comecei a recordar da última conversa que tinha tido, com o meu mestre!
− Posso dizer-te isto porque quando te encontrares no mundo para onde vais não te lembrarás de nada, nem mesmo desta tua existência. O teu corpo vai ser alterado, vamos-te diminuir até restar apenas uma célula desta tua existência e depois crescerás de novo, a partir dessa célula para a tua nova existência e ai transformar-te-ás num deles.
Mas cuidado meu filho, sairás num mundo inundado por maus sentimentos. Ódio, inveja, cinismo, ganância, são reis que imperam na gente por quem vais ser acolhido. Pior que isto e o nosso maior receio é que eles nem sempre deixam “nascer” os deles!... Chamam a isso “aborto”.
− Mas mestre… porquê eu?
− Meu filho, tu és o escolhido… só tu podes salvar esse mundo da opressão que estes maus sentimentos infligem nos humanos.
− Então e se eles não me deixarem “nascer”?
− … desaparecerás e a nossa missão de anos fracassará. Mas se nasceres sê apenas quem és.
− Mas como se não me vou lembrar de nada?
− Segue o teu instinto! Agora vai…
Entrei para dentro de uma cápsula que nunca tinha visto, começou a encher-se e água e…
Fez-se silêncio
Comecei a sentir uns movimentos estranhos… seria o “nascimento” ou o “aborto”?
A duvida estava instalada em mim e perguntava-me se estaria preparado para o que me esperava, quando comecei de novo a perder a memória e a consciência das coisas.
Fiz figas para que me tivesse calhado o “nascimento” e disse as minhas últimas palavras antes do esquecimento total…
− Por favor, não deixes o mal entrar no meu coração!

29 de janeiro de 2007

Diamantes de Sangue

Este é um filme que procura retratar a guerra civil na Serra Leoa no decorrer d a década de 90. A busca por um valioso diamante, acaba por juntar duas personagens que inicialmente se encontram em contextos completamente opostos.
Uma delas é interpretada por Leonardo DiCaprio, a um nível nunca dantes visto, encarnando brilhantemente o papel de um traficante de diamantes. A outra, a de um húmilde pescador, é retratada por Djimon Hounsou, de uma forma tão simplista que quase arrepia, onde este após perder o paradeiro da sua familia no meio dos confrontos, está disposto a tudo, para voltar a ver a sua mulher e os seus filhos.
O tráfico pelos diamantes num, e o amor pela família noutro, juntam-nos num mesmo caminho, onde o interesses das grandes multinacionais destas pedras preciosas, em que o conflito se prolongue, é exposto a nú.
A fazer a ponte entre estas três vertentes, temos uma súbtil, mas importantíssima prestação de uma jornalista, interpretada por Jennifer Connelly, que quer queiramos, quer não, acaba por nos derreter...
Mais um a não perder, porque nos faz pensar!

Classificação: 4,5 estrelas

28 de janeiro de 2007

Cai neve em Lisboa...outra vez


Caramba. Hoje estamos a viver um dia memorável. Afinal de contas, está a chover, algo que de um modo muito subtil, se tem vindo a tornar raro nos anos dois mil.
  • Dizem por aí, que em algumas zonas de Lisboa foram avistados alguns flocos de neve...
Que se lixe a neve!
Em toda a minha reduzida vida, nevar em Lisboa, sempre foi um dado incluido na categoria das impossibilidades, e agora um em cada três dias de chuva, cai neve na capital.
Isto nem estaria muito mau, não fosse o facto de em todo o inverno, existirem apenas esses mesmos três dias de lágrimas caídas do céu.

São impressionantes as mudanças meteorológicas registadas em apenas 10 anos... sinceramente, nem quero pensar que será dos próximos 10...
  • Dizem por aí, que este verão será um dos mais quentes de sempre, mas ninguém faz nada...
Afinal de contas, sempre é mais rentável invadir países longínquos sem fundamento algum, do que tentar travar estas mudanças meteorológicas.

Vamos ficar à espera...

27 de janeiro de 2007

Venha o diabo e escolha

Não sei qual delas a pior. Se não ter férias, se ter férias e não ter com quem as gozar.
Estou de férias há uma semana, está um frio que é melhor nem sequer adjectivar, e eu estou de férias.
Não me posso esquecer de escrever na pasta dos "gestos a não repetir":
- Nunca, mas nunca tires férias em semanas de gelo ártico, quando apenas apetece ficar na cama até ao meio-dia!

Agora que começo a pensar bem, essa é apenas uma parte do problema. Porque ao escrever este texto descobri que a minha principal frustração tem a ver como facto de as passar em casa...
Decididamente, começo a ficar viciado em viajar! (Está para breve... com amigos, com calor e fora de casa!!)

23 de janeiro de 2007

Musica do dia: "I can see clearly now"

Vai nascer a partir de hoje uma nova rubrica. Será a "Musica do dia". Claro que o facto de ser musica do dia, não fará dela uma rubrica diária, mas sim, uma rubrica nos dias que nos apetecer. E hoje apetece-me, por isso cá vais disto.


Todos nos lembramos daquela publicidade ao café instantâneo que era acompanhada em tom de fundo por esta grande musica.... http://www.youtube.com/watch?v=HAEMwmwVJdU

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.

Porque esta musica perguntam vocês?
Porque está cientificamente provado que ouvi-la no meio de uma grande fila de trânsito em plena 2º circular, reduz em 30% a nossa raiva para com as centenas de luzinhas vermelhas que vemos à nossa frente.
Por momentos aceitamos mesmo a nossa condição de enclausurados em plena via pública, e chegamos à conclusão que a nossa vida não é assim tão má.
E só por isto, merece ser a primeira!

12 de janeiro de 2007

Pó a mais, ou vontade a menos?

Tlim, tlim!!! ( E eu que pensava que estas campainhas só existiam nos filmes)
Tlim, Tlim, Tlim!
Indivíduo (I.)– Está aí alguém?
Olho em volta, é a visão é impressionante! Realmente estes tipos fazem uma boa propaganda ao produto que exportam...
Olhei para a palma da minha mão direita e estava cheia de pó, daquele já cinzento a querer ganhar volume (já vi que estou no sítio certo!).
À minha frente, vejo uma grande estante com exposição dos vários tipos de pó, onde até as faces das prateleiras viradas para baixo têm pó.

Homem do Pó (H.P.) - Em que posso ajudá-lo?
I.- Ah e tal, desculpe mas eu recuso-me a falar com pessoas que não vejo.

H.P. – Desculpe eu, mas é que hoje trouxe o fato do tipo PÓ-invisil, aquele que tanto irrita as pessoas, pelos vistos esse é o seu caso...
I.- Não faço comentários...nem alimento boatos! Mas pronto, vamos ao que interessa. Venho por este meio, expor a minha vontade em fazer uma renegociação do contrato que os meus pais fizeram com este estabelecimento aquando da compra da casa. Já começo a ficar um pouco intrigado de onde é que aparece tanto pó.

H.P. – Pois não, deixe-me então procurar aqui o contrato...eehhrrrr... é o que esperava. O Contrato já foi feito à mais de 25 anos, certo?
I.- Certo...e...?

H.P. - Sendo assim, os seus pais foram brindados pela altura do natal passado, com mais 15% do nosso pó de elevadíssima qualidade. Um pó, que passa pelas mais avançadas refinarias sediadas além país.
I.- Pois exactamente, é mesmo essa percentagem a mais que encontro perdida no meu quarto todas as santas semanas. Mas o mais grave é que agora vem em forma de novelos do Farowest, e isso já é demais!!!

H.P. – Vai-me desculpar mais uma vez, mas como eu já lhe disse, tal incremento vem mencionado nas miúdas do contrato. O que costuma acontecer na maioria dos casos, é que todos os casais preferem apenas começar a receber o pó tipo "novelos", quando os seus filhos já têm idade para ajudar nas lides da casa.Mas pelo que vejo, a sua ajuda não é assim lá muito efectiva, porque se aspirasse mais...
I.- Esta conversa já está a ir longe demais! Oiça lá, não há hipótese de vocês fazerem esse deposito, mais precisamente, no nosso caixote do lixo??? Assim ficávamos todos contentes...

H.P.- Mas o Sr. pensa que nós aqui somos parvinhos?! Nós sim, cumprimos os nossos contratos! Não é por acaso que recebemos 50% das vendas de todos os aspiradores em território nacional! Eheh.
I.- Já estivemos a falar melhor...Voltando aos novelos, não poderiam trocar o modelo de Farowest que vocês tanto gostam, pelo modelo que trás vestido? Sempre é mais agradável à vista... É que isto de estar sempre a aspirar não dá com nada!

H.P. - Vamos ver o que podemos fazer. Em breve receberá a nossa resposta... em pó claro está.

7 de janeiro de 2007

Apocalypto


Mais uma vez Mel Gibson inovou. Conseguiu pegar num tema que não lembra a ninguém, trabalhando-o de uma forma intensa e quase perfeita.
É um filme que procura retractar o inicio do fim de uma grande civilização – Maia, levando-nos a uma viagem onde os princípios mais básicos são postos em causa.
Uma história com centenas de anos, mas que não é por isso que se torna desactualizada. Numa devoção a um, ou vários deuses, a morte e o nascimento, a guerra e o amor, são levados ao extremo de tal forma que se tornam “puros”.
É sublime o modo como todos os pormenores são transformados em “pormaiores”.
Faz-nos repensar a nossa existência, e a nossa necessidade em acreditar em algo superior para justificar os "porquês" do nosso dia-a-dia.
Eles faziam! E tu ainda o fazes?

A não perder!

Classificação: 5 estrelas