A tarde caía!Sentado à beira do mar, naquele cantinho que podia ter sido nosso, via o meu velho amigo como se fosse um desconhecido.
O sol tocava no mar produzindo aquele feixe de luz avermelhada que caracterizava o pôr-do-sol. O mar batia nas rochas como se quisesse chegar até mim, produzindo a característica espuma branca como se tivesse a espumar de raiva por não o conseguir.
Tinha passado pouco tempo desde a última vez que tinha estado contigo. “Aquela vez” que sabia agora, tinha sido a ultima.
Perdido nos meus pensamentos, alguém me interrompeu:
― Olá! – era a voz de uma criança – que tens?
Impulsivo, quase lhe respondi mal. Mas o que me saiu foi:
― ‘Tou triste, só isso…
Com a curiosidade que caracteriza as crianças, ela quis saber mais:
― Que te aconteceu?
― Perdi uma pessoa importante.
― Eu também perdi o Guly!
Surpreendido com a resposta e já a adivinhar sarilhos, sem saber o que fazer perante uma criança sozinha, que tinha perdido alguém, perguntei:
― Quem é o Guly? É o teu irmão?
Com uma gargalhada que me deixou por momentos ainda mais confuso, ela disse:
― Não tenho irmãos, era o meu peluche preferido…
Incrédulo com a estupidez do meu pensamento e sem resposta olhei de novo para o mar, mas ela insistiu:
― Não penses mais nisso… arranjas outra pessoa assim! Olha, eu arranjei outro.
E mostrou-me um boneco que ainda não tinha visto, tirando-me um sorriso que nem eu sabia ainda possuir e atirando-me de novo para a nostalgia.
Acordei para a despedida com ela a dizer que o pai a chamava e despedi-me.
O vento que corria soprou então no meu ouvido a dizer que não havia volta a dar.
Em pouco tempo a palavra “nós” deixou de ter significado e voltou a haver simplesmente o “eu” e o “tu”…










