23 de novembro de 2006

Previsão do tempo para hoje:


Céu pouco nublado ou limpo, apresentando-se muito nublado no litoral oeste até ao final da manhã. Vento em geral fraco (inferior a 20 Km/h) de noroeste, soprando moderado (20 a 35 Km/h) no litoral oeste a partir da tarde.

Oiço as noticias numa qualquer estação de rádio, a avisar para esta “trágica” mudança de tempo. “ (...) atenção que hoje há 8 distritos do país com alerta laranja (...)”
Por amor...
Mas de quem foi a ideia de inventar esta nova terminologia.. Código laranja, Código vermelho..
E Código verde? Esse nunca o vi lançarem...” Atenção, código verde para 6 distritos do país, tenha cuidado, saia imediatamente de casa, pegue nos seus filhos e na bola de futebol... Ah, e não se esqueça do sorriso, esse pode vir a ser preciso!!!”
À alguns anos atrás, num dia como o de hoje, a esporádica chuva como a que hoje se fez sentir, era classificada como a “chuva que molha malucos”.
Hoje, temos ALERTA LARANJA!!!
A meu ver, (um "ver" de conhecimento muito reduzido) esta denominação onde encontramos as palavras ALERTA e LARANJA, vem apenas no seguimento da nova linha de sensacionalismo noticiário, que ao poucos nos tem sido impingida.
Por favor, senhores jornalistas, deixem de lado os alertas para quando são realmente precisos, e deixem os portugueses viver um lindo dia de Outono...

15 de novembro de 2006

Poderia ter sido tanta coisa...




Poderia ter sido um sonho, aquele dia em que acordei e vi que já era um adulto. Fiquei triste por não ter aproveitado os velhos tempos tão bem como desejava, mas depois senti-me contente porque a partir de hoje vou viver cada dia como se fosse o último, para não me arrepender amanhã.

Poderia ter sido um pesadelo, naquele dia em que as ruas estavam completamente desertas, só existia eu, a chuva e o frio. Senti-me triste por não ter tido um ombro amigo, mas depois fiquei contente por ter conseguido ultrapassar tudo sozinho.

Poderia ter sido um amor eterno, quando um dia tropecei em ti e tu estendeste o teu coração para eu não cair. Fico triste pois esse dia nunca mais voltará, mas também estou contente porque esse dia, guardarei para sempre na memória.

Poderia ter sido uma grande perda, quando aquele miúdo, diante dois caminhos distintos, escolheu precisamente aquele que estava certo. Sinto-me triste porque o miúdo nunca saberá as surpresas e os obstáculos do outro trilho, mas fico particularmente contente, pois aquele miúdo era eu…

Poderia ter sido tanta coisa, que por mais que eu pense ou recorde ou fundamente as minhas escolhas baseando-me nas evidências, vejo que tudo já passou. No entanto isso não me deixa triste, mas será que tenho razões para ficar contente?

10 de novembro de 2006

Romance

Não é que eu toque grande coisa mas... enjoy the moment!


9 de novembro de 2006

Perfume

As nossas recordações são feitas de muita coisa. Muitas são as vezes, em que nos deixamos ocupar por breves trechos de imagens, que nos surgem em momentos de nostalgia, em momentos de solidão, em momentos de reflexão...
Aí temos o controlo da situação, sabemos quando vamos pôr “play”, que filme iremos ver e somos sempre livres de carregar no “stop” quando quisermos.
Um perfume perdido no ar quando andamos descontraidamente numa rua movimentada, quebra num ápice, todo esse processo de protecção e preparação, entrando como que sem pedir autorização.
Por breves instantes, junto com ele, sentimos hoje o que era no dia de ontem, sentimos aquela adrenalina que numa memória forçada jamais é vivida, sorrimos ou então, por momentos perdemos o sorriso...
Um aroma que por vezes é o suficiente para deitar abaixo todo uma muralha de areia.

Há quem diga que um perfume é como um pedaço de sol...
Aquele pedaço de sol que dá nova vida a um girassol ...
Ou aquele pedaço de sol que adia por um ano o germinar de uma semente

2 de novembro de 2006

Ó ti pão por Deus...

Ó ti pão por Deus... abra a porta e diga adeus!

Era assim que começava o dia de ontem na terra da minha mãe. Eu ia com as calças de bonazine castanhas e com aquele kispo com reforços de napa na zona dos cotovelos. Na mão levava o saco do pão da casa da minha avó.
Assim que aparecia o primeiro grupo de miudos na rua, lá iniciava eu a minha jornada. Vinha a casa apenas para almoçar e só voltava quando a lua já se levantava.
1300 escudos e uma mesa coberta de rebuçados figos e nozes, ainda me lembro desse dia de alto rendimento!
Deve ter-me dado para uns 2 meses de lanches extravagantes na escola.

Ontem ia distraido na rua e já não me lembrava que dia era. Vinha do trabalho e estava cansado.
Dois miudos numa janela à minha direita dizem "Pão por Deus"...
Paro, sorrio. Afinal hoje é dia de todos os santos...
Pego em duas moedas amarelas e dou-lhes.
Eles envergonhados sorriem de volta, e voltam para dentro de casa com uma alegria de um adulto, tal qual tivesse ganho o Euromilhões.

Eu não ganhei nada.

Até posso ir para casa com algo a menos, que não dinheiro...
Mas ao menos, sei que enriqueci quatro olhos negros!