22 de maio de 2005

O relato de um momento ou o momento do relato...

Era uma daquelas noites quentes de verão, e eu estava deitado no terraço da aldeia, com uns calções gastos de surrar naquele imenso chão, e aquela t-shirt branca que tu tanto gostavas. Já se falava à algum tempo numa chuva de estrelas...e hoje enquanto jantava e via o telejornal do canal 1, já só pensava em sair para a rua, e vir para aqui onde estou agora. A expectativa por esta noite era muita, e embora eu vivesse numa cidade relativamente pequena, poucas eram as vezes em que podia ver o que via neste momento. Essas vezes resumiam-se às memoráveis noites de verão, passadas nessa “minha” aldeia, deitado nesse “meu” terraço, que para sempre vão ficar na “minha” memória.
Ali estava eu com uma mão cheia de amigos com 14,15 anos. Ao contrário do que acontecia nos outros dias, quando se falava de tudo e de nada, hoje ninguém dizia uma palavra, simplesmente olhávamos para o céu, e escutávamos a presença uns dos outros com o pensamento intermitente em duas questões: ”será que eles estão a sentir o mesmo que eu?” e “porque é que aqui deitado a ver as estrelas cadentes tudo é tão relativo?tudo é tão... nada?!”. Agora já não interessa o sermão que levei do meu Pai por ter feito guerra de farinha com “estes” que aqui estão ao meu lado , estragando meio dia de trabalho no moinho dum moleiro lá da aldeia (agora enraivecido). Será que era isto que o Einstein queria dizer, sim estou a referir-me à teoria da relatividade, agora que penso melhor, esta poderia ser muito bem ser a minha teoria da relatividade. Sempre que um pobre e desgraçado miúdo tivesse com problemas, deveria experimentar este sentimento de nada! E que melhor há que ser nada? nada não sente, nada não pensa, nada não tem que fazer trabalhos de casa, nada não tem que ouvir o pai ralhar, como que se "500 paus" de farinha valessem uma vida de trabalho...quem me dera ser nada!!! Agora que olho para esse momento, lembro-me que hoje sou tudo, e quando ralho com o meu filho esqueço-me que este tudo que eu vivo, no fundo não é nada. Acho que estou a precisar de uma noite deitado naquele terraço de barriga a apontar para as mesmas estrelas, que agora torcem o nariz quando vêem no que me tornei. Junto daqueles que foram meus amigos de verdade, pois nessa altura haviam amigos de verdade e vidas de brincadeira, agora tudo isso se perdeu...Tenho amigos de brincadeira e a única vida de verdade que tive foi essa, a que está guardada na minha memória...!
Já passa da uma e meia da manhã, agora que olho melhor é que me apercebo que as estrelas estão tão baixas e tão visíveis, que se eu falar com elas, consigo ouvi-las à escuta. Aquela escuta sincera e verdadeira aquecida pelo calor da noite, pelo calor daqueles meus amigos de verão, pelo calor daquela conversa em que todos chegamos à conclusão, que a partir do momento em que começarmos a viver, a perfeição deixa de existir, por isso resolvemos ficar ali, só mais 10 minutos (pleeeeease!!!), a ver as estrelas caírem, a viver na perfeição... By Zapporsson

2 comentários:

Anónimo disse...

..nao gostava d ser nada! ser nada é nao amar..e isso, na vida, é uma prioridade!!A verdade é k é bom d vez enquando passearmos,perdermo.nos mm, nesse terraço!..Lugar onde recordamos tudo akilo plo k ja passamos...onde revemos vitorias e afliçoes...onde descubrimos até, que houve momentos, em que fomos nada...escusadamente,porque tinhamos tudo!
...E se 'a partir do momento em que começamos a viver, a perfeiçao deixa de existir'...entao que vivamos...nao interessa estarmos rodeados apenas d magnitude, pois também é importante apreciar aquela esquina mais recatada, que pensamos nao ter importancia!
É melhor mesmo continuarmos a vestir a 't-shirt branca que tu tanto gostas'...porque a vida é feita destes pequenos momentos..mágicos! =] soni*

Ana disse...

OOOOiiii Pedro!!!!Bem este cantinho tá mt giro, para além de nos dar boas dicas sobre livros (axim já n perdemos tempo a ler livros poco interexantes, embora a leitura n seja uma perda de tempo), os voxos textos fazem pensar...Gostei mt dakele texto teu: O relato do momento ou o momento do relato, n sabia q tinha 1 priminho c/ jeitinho p isto!Foi bacana esta ideia de dedicarem 1 poco do voxo tempo a este tema, tão tds de parabéns e devem continuar, por ixo boa sorte!!!Pediste q foxe sincera, aí tens e sem 1 ponto negativo apontado!!
Bjs mt gandes da Ana