7 de outubro de 2010

Início dos anos 80



Lembro-me dos poucos carros na estrada, e que os poucos que haviam, cada um tinha a sua capa com a matricula na parte de fora.
Lembro-me do Bairro Chinês, do Ford Escort do meu pai num verde apagado.
Lembro-me da casa do meu tio em barraca, do chafariz ao largo da porta dele e do misto de lama e musgo que se mantinha anos a fio no local.
Lembro-me da calçada preta e bem polida, dos cafés "atascados" para onde o meu pai me levava atrás, do cheiro a "pipis" e de um Benfica supremo.
Lembro-me das tardes de domingo e dos jogos do Oriental.
Lembro-me das sandálias abertas de plástico transparente e do cheiro que deixavam nos pés.
Lembro-me dos Verões a sério, das praias até às 20h00, dos grelhados na rua, da despreocupação global e de como o tempo era esticado.
Lembro-me dos Outonos laranjas e dos botins no Inverno.
Lembro-me do sabor da canja de galinha que a minha mãe fazia quando estava doente e das pastilhas gorila.
Lembro-me dos trabalhos de casa e das réguadas que me ensinaram a tabuada.
Lembro-me das barras do lenço, do jogo das escondidas até às 22h e de namorar só porque andava de mãos dadas.
Lembro-me das sardinhas com arroz de tomate.
E claro, lembro-me do fado, lembro-me do fado da Amália.

5 comentários:

Maçã e Canela disse...

Não há nada como os anos 80!
E a música?! Sem palavras.

Parabéns pelo post

António Ribeiro disse...

Então?
Bairro chinês e chafariz do largo?
Oriental?
Só coisas que não te pertencem..volta mas é para a tua terra periférica e deixa a capital em paz xD

Maguie disse...

e de brincar aos «paises» e à macaca e andar sempre a chatear a avó por trocos para ir comprar giz para fazer as linhas no chão...
e claro as festas de verão...

Hugo de Macedo disse...

Amália...eterna. Fizeste bem em recordar tudo isto.

AnA disse...

Um post antigo mas que merece uma atenção especial. Penso que abordamos este assunto algumas vezes, numa das noites talvez, enquanto a M80 tentava manter o sono distante. Sim porque eu considero-me da geração de 80 apesar de ser quase do fim. Afinal uma geração só acaba com o inicio de outra. E sou da geração de 80 pois “lembro-me de brincar na terra e na areia sem que alguém fica-se inquietado com os micróbios e todos os demais microrganismos que existem. Porque brincar e sujar-me na terra, sentir a sua textura e dar largas a imaginação fazia parte da vida de uma criança, sem preocupações com o facto de ter as mãos sujas ou contaminadas… ” Esta sim era uma sensação de liberdade, pois ser criança permitia-nos um espectro de liberdade e de novas descobertas que a vida adulta condiciona com a simples razão de “já és adulto”… Porque não voltar a ser tudo assim? Afinal um bom banho resolve sempre tudo :)