22 de março de 2010

Corpo ao vento


A tarde estava quase a terminar.
Do cimo de uns saltos altos aos quais se recusou habituar durante todo aquele dia, esticou o braço esquerdo, tão atabalhoadamente que a mala lhe escorregou pelo braço abaixo contra vontade.
Entrou num Táxi, velho mas que aparentava alguma personalidade, não sabia porquê.
Fechou a porta, descalçou um e depois o outro pé, e finalmente suspirou de alivio. Recostou-se no que aparentavam ser uns estofos de pele, gastos mas apesar de tudo, asseados.
Disse para onde queria ir. Rodou a manivela do vidro traseiro até ao máximo e encostou-se à janela.
Encostou, o corpo e a cara, apenas o suficiente para sentir uma amostra forçada daquele que era desde há meses, o primeiro ar quente em final de dia.
Gostava daquela sensação. Livre de preocupações.
Libertou o cabelo de um elástico velho e deixou que o vento aos poucos o desordenasse por completo.
Ao cabelo, a ela e ao vestido leve que trazia nesse dia.

4 comentários:

AMC disse...

Não sei de quem é que o post fala... mas podia ser de mim. Já me aconteceu. :)

ZapporssoN_81 disse...

Fala de todos os que se identificam;)

Cristiano Moreira disse...

Excelente texto. Parabéns!

Maçã e Canela disse...

Muito bem conseguido.
Gostei:)