28 de fevereiro de 2008

Músicas da minha vida



Quantos de nós não sentimos já o poder da música e os sentimentos que ela faz despertar em nós?
Todos temos aquela música que nos faz lembrar deste ou daquele momento, desta ou daquela pessoa, deste ou daquele sentimento…

Tinha de iniciar esta rubrica com uma das músicas mais poderosas de todo mundo, que me fez sonhar na infância, ambicionar na adolescência e sentir o sentimento da vitória em certos momentos da vida. Quem me conhece já deve ter ouvido falar da velha cassete que gastou a fita de passar vezes sem conta no walkman de antigamente. Esta era a última música de um dos lados! Esta era uma das músicas que esperava ouvir quando carregava no play…


25 de fevereiro de 2008

Impressões de espírito


À primeira impressão era apenas alguém,
alguém indiferente.
Que na segunda me pareceu diferente,
diferente por ser apenas ela.
Tão ela que à terceira,
que por ela será a última,
me obrigará pela primeira, vez,
a inventar do nada,
qualquer coisa,
que de tão parva ou original,
para ela seja suficiente.
Insuficiente será,
se não houver quarta
numa qualquer quinta, feira
onde te encontre entre a multidão.
Sozinha e tão cheia de pensamentos,
que de cara vazia,
olhas todos
e apenas me vês a mim.
Falamos, dialogamos,
sem a pressão do tempo,
vindo do céu ou riscado pelo relógio.
O frio, agora mais quente,
descontraído e latente,
revela o já sabido.
Que antes da terceira,
ela,
já havia estranhado,
renunciado, até desdenhado,
aos olhares e sinais que na segunda,
apenas desmarcaram,
aquilo que na primeira,
era apenas mais uma, impressão,
in-diferente.





Fora de Moda

Há apenas uma parte de nós que está sempre apresentável em todas as ocasiões.

O nosso interior.

24 de fevereiro de 2008

Missão Impossível


Tudo começa quando ponho a chave na porta do prédio. Logo aí convém ser rápido e certeiro. Acendo a luz do prédio devagarinho, (como se desse modo fosse fazer menos barulho), e não limpo os pés no tapete das escadas.
Procuro no molho de chaves a correcta e coloco-a de um modo seco e único na porta de casa.
Semi-cerro os olhos, uno os dentes, faço muitas rugas na cara e obstruo a entrada de som no ouvido, esperando que daquela vez eu não oiça o ranger da porta.
Rapidamente me martirizo por não ter colocado óleo naquelas malditas dobradiças.
O pior já está.
Apetece-me comer um iogurte, dirijo-me à cozinha, e agora até o simples gesto de abrir o frigorífico é barulhento.
Quando tudo parece bem encaminhado, estala-me um osso da perna e logo a seguir vou contra a porta do quarto que assim tinha ficado de manhã, encostada.
Tiro silenciosamente a roupa e lavo os dentes numa tarefa sempre realizada com o mínimo de ruído, procurando fazer uso de uma lentificação de movimentos.
Cai-me a porcaria do copo de água no lavatório e acorda toda a gente cá em casa... nada a fazer.
Rendido, dirijo-me da casa-de-banho até à cama.
Os lençóis ainda estão como os tinha deixado, enrugados.
Vou dormir, mais vale.

18 de fevereiro de 2008

Pequenas decisões

Quantos vidas já ficaram por mudar, apenas porque a pergunta "Quando é que tomamos um café?", não passou de isso mesmo?
Uma pergunta, de circunstância...

16 de fevereiro de 2008

O “sonho” explicado


Era uma vez (e porque isto é uma história não poderia começar de outra maneira) um menino que tentou alcançar o seu próprio “sonho”!
Usou todas as armas, fez tudo o que estava ao seu alcance para o abraçar. Lutou até à última gota de suor, até à última lágrima, até à última gota de sangue, mas o “sonho” era sempre inalcançável.
Então, quando já pensava em desistir, ao ler um dos seus escritores preferidos (”Matar o Sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”) ganhou uma nova força.
Foi novamente para a batalha, com uma nova moral, com um novo animo, com um redobrado entusiasmo.
Mais uma vez vestiu a armadura e pegou nas armas ao seu alcance, mas mais uma vez foi vencido pela inatingível e escorregadia leveza do “sonho”.
Andou triste e abatido, até que ao passar na rua leu uma frase que o chamou a atenção…
“O insucesso é apenas uma oportunidade para começar de novo com mais inteligência!”
Foi então que além do “sonho” começou a aprender a amar a liberdade.
O amor por esta era tanto que começou a esquecer a sua visão cega que antes o tinha feito sofrer!
Amar a liberdade era agora tudo para ele.
Foi este amor que durante anos o fez sentir novo, renovado, seduzido, apaixonado, respeitado, amado, querido, preferido e principalmente correspondido!
Tudo corria bem, até que um dia se deixou adormecer e… voltou a sonhar!


Frases de Fernando Pessoa e Henry Ford

14 de fevereiro de 2008

Quando um dia qualquer falta


Começo a achar que há alturas em que atinjimos um ponto em que o que custa mais não é o consumismo, as prendas forçadas, as promessas de amor arrancadas, os planos de um dia especial em cima do joelho, as publicidades na televisão, os programas de rádio dedicados ao dia ou as músicas românticas.
O que custa não é ver tudo isso ,
o que custa é não ter nada disso...

Um qualquer dia do ano à descrição


A/C da Comissão Mandatária para Dias Festivos

"Caros,
Venho por este meio solicitar a vossa atenção para o dia de hoje, este 14 de Fevereiro.
Há já algum tempo que me lanço num movimento introspectivo no sentido de compreender a existência da festividade hoje celebrada.
No meu ponto de vista, não tem qualquer cabimento celebrar hoje o dia dos namorados, um dia que afinal é como todos os outros, , só porque alguém diz que tem que ser.
Neste sentido, venho através deste, expor uma nova abordagem para o fenómeno.
Proponho então, uma descentralização comemorativa, comum à especificidade de cada casal.
Deste modo, cada casal, celebraria a sua relação apenas no dia em que iniciaram oficialmente alguma coisa, digamos, o dia do primeiro beijo, ou o dia do primeiro olhar de soslaio, ou o dia daquele encontro que mudou tudo.
A meu ver, este modelo festivo trará variadas vantagens, entre elas um descongestionamento das superfícies comerciais, evitará o sobrelotar da indústria de restauração, e para o casal, terá muito mais significado, uma vez que será para ele mesmo um dia com algum significado.
Seria igualmente uma machadada bem profunda para a "Swatch", bem como para o monopólio até agora inabalável da família "Krê-flô", quem sabe, mesmo com repercussões na captação de petróleo nos OPEP.
Não vejo outra maneira de solucionar esta situação a médio/curso prazo, pelo que deixo à vossa consideração.
Fico a aguardar feed-back da população num qualquer meio de televisão, de preferência no Jornal Nacional da TVI, onde eles decerto farão uma grande reportagem sobre o assunto.
Atentamente,

Zapporsson"

Adenda: Por favor, façam ouvir a vossa opinião. Só assim poderemos sonhar com o referendo sobre esta questão, obrigado!

13 de fevereiro de 2008

Rostos em Lisboa


Fiz o que tinha a fazer, e iniciei o regresso.
No meio do coração de uma Lisboa cada vez mais cheia de carros, e vazia de gente nos passeios, decidi ir a pé até ao Marquês.
A pressa, teimava em levar-me a reboque de uma multidão bem mandada, de passo apressado só porque os outros de passo apressado andavam.
Eu, mais teimoso que ela, reduzi a velocidade.
Decidi olhar para a rua, para as paredes, para o chão, para cima procurando um sol encoberto e em frente, para os rostos.
Um prédio em obras, um maluco que apenas passava, um casal de namorados, um desenho geométrico na calçada, um engravatado convicto ao telemóvel, uma comerciante à porta de um pronto a vestir vazio, um policia, um homem perdido, uma mulher presa... em ideias, e um pedinte com as pernas cravadas numa calçada, gasta de tanta pressa que teimava por ali passar todos os dias.
O passeio agora estreitou, e vou por dentro de um trilho rasgado por duas paredes de chapa que apenas me indicam que seguindo em frente, irei sair em algum lado.
Dobro a esquina, e olho para a terceira pessoa lá ao fundo. Cabelos encaracolados, longos e negros, com um andar simples e distante, próprio de que vai a ouvir a sua musica num mp3.
Agora que a foco bem, algo me chama a atenção.
Paro.
Não acredito.
A uma longitude de cinco ou seis anos atrás, e latitude de 350 Km algo falhou, não sei.
Incrédulo, espero pela tua reacção. Sorris-te.
Trocamos duas ou três frases de perguntas obvias e respostas rápidas. É complicado falar agora quando um passado ficou por resolver.
"Gostei de te ver", ouvi eu em tom de despedida.
Andei mais quatro passos e olhei novamente para trás, talvez para dizer só adeus ou apenas na esperança que também olhasses, mas já não estavas lá.
Um milhão de pessoas, 2750 km2, 365 dias num ano, 24 horas num dia, infinitos ruas, e fui dar contigo, ali, naquele inicio de tarde, ainda quente, num passeio de chapa.


1 de fevereiro de 2008

O Fim!


Já não saia de casa há uns dias…
Acordava com um vazio que me enchia o peito e me toldava os sentidos. A vida, essa tinha deixado de ter aquele farol para me conduzir a um porto seguro.
Noite após noite deitava-me em posição fetal, cobria-me com os cobertores pesados e deixava-me afundar no oceano de lágrimas, pesar e amargura que tinha inundado toda a minha existência.
Nesse dia não me olhei ao espelho, não procurei uma roupa, não tomei banho, não me penteei. Tinha de sair, tinha de me deixar de isolar, tinha de procurar o meu destino e tinha que o enfrentar fosse ele qual fosse.
Chovia! Chovia de tal forma que quando entrei no carro, que não saia do lugar fazia dias, não via nada para o exterior.
Liguei o motor e comecei a vaguear como me sentia, sem direcção definida.
Farto do silêncio que me acompanhava desde o princípio do dia, liguei o rádio do carro...
“Preciso sair, para outro lugar, preciso esquecer, preciso falar, preciso sentir, a força de um abraço…”
Mudei de estação…
“Oh, trust in my, self-righteous suicide, I cry when angels deserve to die…”
Mudei novamente…
“E deixar-me devorar pelos sentidos, e rasgar-me do mais fundo que há em mim, emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso…”
Parei o carro, desliguei o motor e dei por mim no local que me fazia sentir sempre em paz. Sai do carro e apreciei a paisagem nocturna de chuva, noite e mar.
Lá em baixo, o mar fazia com que eu sentisse uma calma inebriante com a sua constante vinda contra as rochas. A chuva caía misturando-se com as lágrimas o que provocava uma torrente pela minha face abaixo, trazendo o característico sabor salgado. Era como que mais um chamamento do mar.
Agora só tinha de fazer uma opção mental: ter medo ou ter coragem…
Entrei de novo no carro e um aguaceiro intenso caiu sobre o tejadilho.
Os deuses estavam zangados!
Tinha deixado de ver á minha volta… mas também não precisava!
Inspirei! Liguei o motor do carro e arranquei.
Já suspenso expirei pela última vez com a certeza de algumas pessoas nunca me perdoariam por ter desistido de lutar pelo que mais amava, lutar pela felicidade!
Depois… depois foi de novo só silêncio!