31 de dezembro de 2007

2008

Menos...

Chuva
Silêncio
Proximidade
Entraves
Desculpas
Medo
Inocência
Peso de compromisso
Engonhar
Horas ao computador
Televisão
Parvalhice
Conhecidos
Paciência

Mais...

Responsabilidade
Controlo
Trabalho
Reconhecimento
Horas de sono
Arrumação no quarto
Sol
Ondas
Ar livre
Tentativas
Riscos
Erros
Proveito
Assertividade
Exercício
Cozinhar
Leitura
Cinema
Objectivos
Textos
Pessoas
Amigos
Casamentos
Vontade de descobrir
Viagens
Mundos
Fotografias
Músicas que marcam

Presumo que será assim...

29 de dezembro de 2007

Ausência


Estou fechado nesta esfera

Neste turbilhão de sentimentos,

Vivências e palavras giram à volta da minha cabeça

Como electrões á volta do núcleo de um átomo

E não conseguem sair!

Sinto-me seco de ideias, como um rio sem água no Verão

Quero libertar-me das amarras que me prendem a imaginação

Quero sair do casulo que me sufoca a fantasia

Quero escrever… e não consigo!

23 de dezembro de 2007

Música do dia: "All I want for Christmas is you"


Só aqui entre nós... para quando o espírito consumista inerente a esta época é posto realmente de lado?
Todos nós somos contra a compra de prendas apenas porque sim, mas todos o fazemos...
Este ano comprei 3 prendas, e mesmo assim, 1/3 foi porque sim...
Sinceramente, se pudesse, trocava todas as prendas para poder estar com a minha família na seia de Natal. Para mal dos meus pecados, no centro de reclamações não aceitam este tipo de trocas...
Se lá estivesse seria assim:
Na aldeia. Jantar cedo. Bacalhau com couves, e azeite, tanto azeite.
Na rua deveria estar frio. Mas tão quente à lareira...
Aquela moleza por culpa das chamas, e as calças de ganga que queimam na pele de tão quentes que estão.
Pelas 23h sair à rua. Encasacado até às orelhas. Cachecol a tapar tudo que é pescoço e mãos coladas aos bolsos.
Olhar o céu estrelado, hoje maior do que noutro dia e seguir o rasto da nossa respiração.
Os sinos a tocar. Missa do Galo.
Um ideal. Presépio humano, diria mais...
...diria calor humano.

Sabes porque é que escolhi esta música? Porque fala do essencial. Essencial são as pessoas!

"I don't want a lot for Christmas
There's just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is...
You"

Mariah Carey - All I want for Christmas is you

22 de dezembro de 2007

Preguiça ao poder


Acordar sem despertador. Ouvir lá fora o chapinhar dos passos sob uma chuva miudinha e um vento que aparenta estar feliz, a julgar pelo seu assobio.
O quente do ninho de lençóis e a preguiça de me levantar, num dia sem compromissos.
Não resisto ao calor que está dentro da cama, e muito menos ao frio que está fora dela.
Viro a cara para o lado e volto a adormecer.

( É assim que desejo o meu acordar logo de manhã)

21 de dezembro de 2007

5000 Visitas


Estou sentado em frente ao PC.
Baixinho vão passando aleatoriamente algumas das minhas músicas favoritas, enquanto todos os outros dormem em casa.
Oiço o silêncio da noite que é interrompido pelo barulho chocalhante do camião de lixo.
Não tenho sono. Começo a pensar o que nos motiva a escrever periodicamente aqui nesta nossa folha de papel.
Talvez seja porque temos dúvidas. É bom saber que há alguém com as mesmas dúvidas que nós.
Talvez seja porque também temos problemas. É bom saber que não somos os únicos a não encontrar a solução.
Talvez seja porque também temos alegrias. É bom saber que não somos os únicos a sorrir.
Já lá vão 150 textos e mais de 5000 visitas ao blog.
Obrigado por nos continuarem a acompanhar!

...Acaba por se tornar num vício, escrever, e ser lido...

20 de dezembro de 2007

Back in 1995



Abril de 1995.
A stôra de Matemática (Directora de turma) não se cansa de insistir connosco, e constantemente fala da importância de escolhermos o nosso futuro.
Saímos todos da sala numa correria para ver quem chega primeiro ao bar. Não é que eu vá comprar alguma coisa para comer, os 60$00 que tenho na carteira do Benfica não dão para isso. Para a semana já tenho dinheiro para uma pastelaria fresca, penso eu.
Não resisto à fome e vou desembrulhando a carcaça com queijo que a minha mãe me fez.
Sento-me nas mesas do bar à espera do quarteto de amigos, enquanto eles vão comprar o lanche.
Vamos fazer um ou dois jogos de sueca. Somos cinco e eu não me importo de começar de fora, além disso, Ela acabou de se sentar mesmo aqui ao lado, sempre dá para espreitá-la mais uma vez.
Enquanto a minha cabeça se perde em inconsequentes sonhos e imaginações, na MTV acaba o videoclip de uma tal de Alanis Morissette e começa um videoclip dos Nirvana-Unplugged. É então que me lembro-me que tenho que pedir ao Zé Nuno para me gravar uma cassete deste grupo, têm uma ou duas músicas que eu até gosto.
Toca para a entrada. Agora é uma hora de Orientação Profissional, sinceramente já começo a ficar farto de tantos testes com cruzinhas, e sempre sem me dizerem o que hei-de escolher como profissão.
Já em cima do segundo toque, subimos as escadas do pavilhão C em direcção ao gabinete de Orientação. Já dentro da sala com mais 4 colegas meus, e sob as ordens da orientadora, começo a escrever um texto na altura a meu ver inconsequente, onde descrevo como me verei daí a 10 anos.
“ Daqui a 10 anos terei 24 anos de idade. Já terei uma mulher e dois filhos, casa e emprego.”
Não fui capaz de designar uma profissão, mas não hesitei em dizer que estaria casado, e até com 2 filhos!!!
Doze anos depois mete um pouco de confusão pensar nesta previsão. Tenho pena de não ter acesso aquele papel, se hoje o tivesse, garanto que estaria emoldurado, para me lembrar que na vida quanto mais planeamos, menos acertamos.

18 de dezembro de 2007

Peso de um compromisso V


O sol já se vai pondo, e por detrás das nuvens oportunas, este vai soltando literalmente uns raios que iluminam esta estranha vila.
Aqui os sapateiros usam casacos que fecham com atacadores, cada palavra escrita pelos ourives vale ouro, e os homens do pó, simpaticamente encarregam-se de deixar a sua marca em cada casa das redondezas.

- ... Segunda saída após a rotunda, deve ser por aqui. Procuro a placa identificadora da rua.
Rua dos Vários Caminhos, é aqui!
"Compromissos Lda", não tem que enganar.
A entrada na loja é no mínimo assustadora. A forma de aliança, decerto afugenta os menos determinados.

Homem do Compromisso (H.C.)- Muito boa Tarde! Em que posso ser útil?
Indivíduo (I)- Boa tarde! Bem, eu, errhhh, tenho um problema. Há alguns tempos para cá tenho reparado que tenho desenvolvido uma certa aversão ao compromisso. Não sei se isso será normal, mas de algum modo eu quero mudar e simplesmente não consigo.

H.C.- Pois imagino. Por quantos Outonos é que já passou?
I.- 26...

H.C.- Muito bem. Veio na altura certa. Não sei se sabe, mas são muitos os que aqui vêm. Pior não são os muitos que aqui vêm, são aqueles que nunca cá aparecem.
A maioria deles, deixam-se arrastar, e acabam por nunca tomar uma decisão, seja ela qual for.
Sufoco, é o que todos me dizem. Que Elas nunca percebem como é que alguém que há um mês atrás fazia tudo por Elas, de repente se afasta.
I.- Exactamente! É mesmo esse o meu mal. Mas tem remédio para isso?! É que parecendo que não, já começo a precisar da cura.

H.C.- Remédio não tem. É tudo uma questão de mentalização, demora algum tempo.
I.- Pois, mas o tempo já não vai sendo assim muito.

H.C.- Dê-me só um momento, deixe-me consultar o seu registo... diga-me o seu nome sff.
I.- Individuo D´Identidade Desconhecida.

H.C.- Ora bem, Errhhh... Uma, duas... três... quatro... fogo!
Espere lá, mas isto não é uma coisa recente. Já temos aqui várias queixas contra si. A continuar assim o seu caso irá ser transferido para o DSE*, e uma vez aí, ser-lhe-á muito difícil sair.
I.- Hum...

H.C.- É que o sr. necessita urgentemente de "receber", mas desconfio que o problema está em "querer dar". Dar uma justificação, pedir uma opinião, ceder uma vez, opor-se noutra, falar pouco e escutar sempre, perder a motivação de hoje e descobri-la amanhã, ter ciúmes e mais grave que isso ter falta deles, planear agora e deixar fugir depois. Percebe o que lhe estou a tentar dizer?!
I.- Bem... errhhh, que é que quer dizer com isso?

H.C.-Estou a ver que tenho que lhe imprimir o "Guia de Mudança Orientada".
I.- Guia de Mudança Orientada? Como assim?

H.C.- Só um momento... Aqui tem. Aí encontrá o seu futuro, caso não mude de modus operandus rapidamente. Leia e veja:
I.- "Um dia, após o trabalho, abres a porta e entras numa casa escura, na tua casa. Ouves apenas os teus movimentos, a casa está fria, mas mais que isso, vazia. Num primeiro instante, pensas que estás feliz, que tens a tua própria casa, o teu emprego, o teu dinheiro, a tua roupa e as tuas extravagâncias. Entras na sala, e deitas-te no sofá. Preguiçosamente pegas no comando da televisão. Não tens sono, e em 45 canais não há nada de interessante. A única luz que há na sala é a que vem desse quadrado agora insignificante. Desligas a TV, e por 5 minutos ficas às escuras no sofá. Só tu e os teus luxos, que agora deixaram de ter qualquer valor. Falta alguém. Alguém que se levante de manhã e vista uma T-xirt tua, com os olhos inchados de sono e o cabelo completamente desordenado. Alguém que também goste de ouvir a chuva na cama, e que te aperte a cada estrondo de trovão. Alguém que se chegue a ti quando se sente insegura, alguém que queira fazer planos, alguém que goste daquela música, alguém que também faça caras estúpidas e figuras ridículas, alguém que te queime as torradas, alguém com quem queiras fazer um jantar, alguém que te risque o carro a estacionar, alguém que te escolha a gravata certa, alguém com quem rir e alguém com quem falar ao final de um dia que correu tão mal, alguém..."

H.C.- Percebe agora o que lhe estou a tentar dizer?! Bem sei que o Sr. não era assim, aliás, você era uma das nossas melhores esperanças enquanto indivíduo cumpridor de compromissos. Temos aqui connosco um documento que nos chegou à cerca de 12 anos, enviado pela nossa prospectora de talentos a laborar nos estabelecimentos de ensino secundário na sua área de residência. Escrito e assinado por si quando tinha cerca de 14 anos, correcto?
I.- Depois de um flashback instantâneo, engulo em seco.

H.C.-Eu sei o porquê dessa mudança radical em si, desse atrito que surge sempre que há que investir numa relação. O tempo passa, mas o passado não se pode apagar...
Afinal de contas, a tal ainda está para vir, e não falta muito...

(por instantes fico de olhar vidrado, com os olhos fixos no vazio)

I.-Tem razão. Obrigado por tudo.

(Volto costas e saio do estabelecimento com a sensação que algo tinha mudado. Tinha sido apenas uma coisa. A minha perspectiva.)


DSE* - Departamento dos Solteiros Egocêntricos

10 de dezembro de 2007

Anos 80

Confesso que não sou grande apreciador dos mail´s de consumo rápido, com apresentações de powerpoint ou outras coisas elaboradas. Mas houve qualquer coisa num mail que recebi recentemente que não me deixou indiferente. Talvez tenha sido o facto de se referir aos anos 80.
Era qualquer coisa como isto:

"De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé era pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
Quando éramos pequenos, viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags. Viajar à frente era um bónus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.
Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.
Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos PlayStation ou X-Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, homecinema, telemóveis, computadores, DVD e Chat na Internet. Tínhamos amigos e se os quiséssemos encontrar íamos à rua.
Jogávamos ao elástico, à barra, às escondidas, à mosca, ao lenço e aos polícias e ladrões .
Caíamos das árvores, esfolávamos joelhos e partir a cabeça era algo comum.
Se infringíssemos a lei era impensável que os nossos pais nos defendessem, eles estavam do lado da lei.
Haviam lutas com punhos mas sem sermos processados.
Batíamos às portas de vizinhos, tocávamos às campainhas e fugíamos porque tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola, não esperávamos que a mãe ou o pai nos levassem.
Criávamos jogos com paus e bolas, tínhamos imaginação.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso, responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
Os jovens da agora, não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco"

São impressionantes as mudanças que vimos acontecer em tão "pouco tempo". Nós, a geração de 80, a nosso ver a melhor de todas, porque vivemos tudo isto, e porque apenas desse modo o consideramos bem vivido.
Tenho plena consciência que hoje em dia passo horas ao computador, um dia sem Internet pode ser sufocante, começam a ser raras as vezes que vou jogar à bola com os amigos, e é cada vez mais complicado deixar o carro em casa. Tenho as horas do dia contadas para o trabalho e para dormir, as saídas com os amigos têm de ser combinadas com 2 semanas de antecedência, senão não acontecem. Não sei onde vou chegar, não sei se isto é ser adulto, ou se é próprio de um jovem a entrar no mundo virtual de hoje. Não sei, mas cada vez mais começa a ser complicado arranjar tempo para saber.
Restam-nos as nossas músicas para viajar durante em média 3 min e 30 seg ao passado, à altura em que fazíamos desporto colectivo, em que tinhamos tempo para desenhar, em que íamos aos lanches das festas de aniversário, em que as tardes de domingo eram longas e as aventuras nos enchiam o espírito.
Sabe bem lembrar estas coisas, dá para ler, sorrir e pensar
Tivemos uma infância do caraças!!!

4 de dezembro de 2007

Gestão de silêncios


Apareces-te de repente, não estava a contar.
Trocamos os cumprimentos do costume. Com os beijos na face, consigo sentir o teu perfume.
Arranco um assunto à pressa para quebrar o gelo e com ele talvez um sorriso teu. Não consegui.
Tu não adiantas mais nada e eu começo a ficar preocupado, falo do dia, da festa e da banda, mas tu não me estás a acompanhar. Pareces distante.
Ainda há bem pouco tempo, quaisquer horas contigo eram momentos, e agora parece que dois minutos são duas horas.
Enfio as mãos nos bolsos, já não sei que lhes fazer.
Começo a ficar incomodado. Olho para a direita, depois para a esquerda, na procura de alguém conhecido.
Gerou-se um silêncio e eu não estou claramente a lidar bem com isso. Vou trocando a perna de apoio e mexendo o tronco. Não gosto da música, mas sem querer, vejo-me obrigado a segui-la com o corpo. Tento parecer descontraído, mas a tentativa não passa disso.
Preciso de sair daqui, mas não arranjo como.
Respiro fundo e olho-te pelo canto do olho.Tu tens os braços cruzados e um sorriso que não é verdadeiro. Decerto também não sabes o que dizer, nem como estar.
Não é fácil lidar com o silêncio, mas não sou apenas eu, somos nós que o alimentamos.
A música mudou e com ela a minha visão do problema.
Não me interessa se simplesmente estás calada, ou se não queres falar. Eu também não quero falar.
Tiro as mãos dos bolsos e agarro em ti.
"Não sei dançar", sussurro-te ao ouvido.
Mas isso não te fez recusar...