30 de abril de 2007

("Nunca pensei nisso")... 100 anos devem chegar



(“Sempre ouvi dizer que viver é crescer e trabalhar, casar e comprar casa, é ter isto e ter aquilo…)
100 anos devem chegar para perceber que não devia desejar constantemente aquilo que procuro…

(“Fogo, os cotas têm sempre a mania de controlar, preciso de espaço, eu sei o que ando a fazer, pois já não sou nenhuma criança”)
100 anos devem chegar para perceber que os jovens têm sempre parte da razão, mas os conselhos dos mais velhos são para se levar muito a sério…

(“Não percebo o porquê destas coisas só acontecerem a mim, que mal fiz eu?
100 anos devem chegar para perceber que ao longo de todos estes anos só recebi respostas erradas, pois nunca fiz as perguntas certas…

(“Amo-te, sabias??”)
100 anos devem chegar para se entender o verdadeiro sentido da palavra “Amor”.

(“Agora sim percebo…”)
100 anos devem chegar para duvidares de tudo o que conheces hoje, sobretudo o que te faz total sentido agora.

(“Os meus relacionamentos não duram mais de três meses”)
100 anos devem chegar para amares a pessoa que hoje nem fazes ideia que ela existe.

(“Com este andar ainda vou terminar sozinho”)
100 anos devem chegar para perderes essa pessoa, e reencontrar aquela que sempre esteve a teu lado, desde o dia em que a conheceste, mas tu simplesmente não reparaste.

(“A sorte só bate à porta uma vez”)
100 anos devem chegar para deixarmos de inventar desculpas para tudo o que não sabemos explicar, pois a sorte és tu que a fazes, usa a tua imaginação e verás a sorte que tens.

(“Que Mundo é este que se alimenta da nossa amargura”)
100 anos devem chegar para perceber que o Mundo que tens é o Mundo que escolheste.

Com o tempo vamos percebendo tudo…100 anos devem chegar!!

Agora e para sempre, quem sabe eternamente!


(Passaram sete meses e uns dias desde a ultima vez que vos escrevia qualquer coisa do Eagler… hoje senti necessidade de o fazer renascer! Peguei então n’O Caderno onde encontrei um esboço antigo da continuação da história que vos tinha andado a escrever e... depois de uma ou outra alteração aqui têm o resultado final!)

Tinha passado mais de meio ano desde a última vez que nos tínhamos visto e os teus olhos continuavam aqui!
Aquele mar verde onde parecia que tinha caído apenas uma gota castanha, continuava a olhar para mim como naquele momento.
Depois daquele dia era mais que certo que a Silux tinha deixado de existir.
No entanto e apesar de depois disso ainda ter havido uma ou outra “Silux” eu via essas viagens como que uma recolha de pequenos fragmentos de informação, que permitiriam um dia completar o mapa da Grande viagem, essa sim que seria contigo…
Muitas vezes dava comigo a pensar porque não tinha dado certo?
O que nos tinha impedido…
Teria-te desapontado ou não teria dado o verdadeiro valor que na realidade tinhas tido para mim?
Sentia que tinhas retirado a minha alma de dentro da noite, que tinhas iluminado o meu espírito, que tinhas tocado o meu coração, que tinha compartilhado sonhos contigo...
Mas assim que acordava via que era apenas um sonhador e tu não tinhas agarrado os meus sonhos.
Tinha-te visto chorar, sorrir, vi-te dormir por momentos, imaginei-me pai dos teus filhos, senti os teus medos sem que sentisses os meus.
No meu rosto agora corre agora uma lágrima, talvez não seja uma lágrima de derrota mas sim uma lágrima de esperança para que te possa ter ao meu lado.
No fim apenas ficam imagens, seguro as tuas mãos nas minhas e penso...
…adeus, até quando quiseres!

26 de abril de 2007

Felizes sem o saber

Sorri!
Bem sei que muitas são as vezes em que esse espreguiçar dos lábios se torna um pouco mais difícil, mas porquê dificultá-lo tanto?
Afinal de contas, só consegues ficar triste porque um dia conheceste a felicidade.
Porquê dificultar tanto um sorriso, quando temos quase tudo na vida e apenas valorizamos o quase nada que ainda não conseguimos.
Sorri, porque está sol;
Sorri, porque o podes ver;
Sorri, porque tens uma musica favorita;
Sorri, porque a ouves;
Sorri, porque não tens fome;
Sorri, porque tens água;
Sorri, porque és filho;
Sorri, porque um dia serás pai;
Sorri, porque tens amigos;
Sorri, porque eles te têm a ti;
Sorri, porque conheces a tua terra;
Sorri, porque um dia conhecerás o mundo;
Sorri, porque é preciso sonhar;
Sorri, porque do sonho nasce o real;
Sorri, porque falas mais que uma língua;
Sorri, porque tens um talento;
Sorri, porque alguém o reconhece;
Sorri, porque é de dia;
Sorri, porque à noite serão apenas estrelas;
Sorri, porque sem ti os outros seriam outros;
Sorri, porque sem os outros tu não serias tu;
Sorri!
E agora? Diz-me tu....
Quantas e quantas vezes somos felizes sem o saber...

17 de abril de 2007

Há coisas fantásticas

Imaginem um site que vos ajuda a viver todas as pequenas coisas da vida. Um site onde é possível ver pequenos vídeos que explicam detalhadamente pequenas coisas do nosso dia-a-dia, mas que por vezes nos causam grandes problemas.
Já alguma vez tentaste fazer um nó de gravata bem feito e não conseguiste?
Já te perguntaste qual será o melhor método para fazer a barba?
Queres aprender a cozinhar?
Queres ser a namorada perfeita?
Não sabes mudar um pneu?
Não sabes que dizer numa entrevista de emprego?
Dobrar uma T-shirt em 2 segundos, é possível?
Não consegues desapertar um soutien com uma só mão?
Tudo isto e muito mais encontras aqui: www.videojug.com
Existe também um ranking para os mais vistos onde se encontram dicas para como se estar atento aos sinais do cancro da mama, ou mesmo a explicação para a técnica apuradíssima para comer sushi com dois pauzinhos, algo que confesso me ultrapassa profundamente!
No entanto, o vídeo mais requisitado, é o que ensina a beijar apaixonadamente, vai lá saber-se porquê.
Confesso que o meu preferido explica a técnica exímia de como começar uma conversa com um estranho num transporte público... está mesmo muito bom, esta gente pensa em tudo!
Vale a pena dar uma espreitadela.

1 de abril de 2007

O baile lá da minha terra


No ar já se ouvem os primeiros acordes e aos poucos as pessoas vão subindo pelas calçadas da aldeia até chegar ao adro da Igreja. Será lá que se irão passar as próximas 6 horas.
Os filhos e netos da aldeia regressam a casa.
Muitos são os que aqui vêm apenas com a ideia de dar uns dias de descanso ao “tic tac” das grandes cidades.
Afinal de contas esta é outra dimensão, aqui o relógio tem limitador de velocidade, e os dias são como aqueles grandes balões de pastilha elástica, sempre cheios!
...
As melhores pedras já se encontram ocupadas pelos naturais da aldeia, idosos.
As raparigas solteiras vestem as calças que mais as favorecem, e aquele “top” comprado na ultima feira da vila. Chegam acompanhadas dos pais, mas assim que chegam ao recinto logo vasculham a multidão, muito discretamente, à procura do tal rapaz.
Esse lá está, junto dos seus quatro amigos, todos eles bem arranjados, gel no cabelo, casaco de ganga, e sapatinhas brancas lavadas pelas mães dois dias antes da noite. Ao longe a presença do grupo faz-se notar com as características gargalhadas comprometedoras.
Aqui e ali estão dois pastores, também eles bem vestidos. Hoje é dia de camisa por dentro das calças. Discretamente escolhem antecipadamente as suas dançadeiras, não muito bonitas, não muito vistosas, mas dançadeiras! ...Algo me diz que eles não vão parar uma única musica.
Nos miúdos consigo captar uma ligeira ansiedade e as primeiras trocas de olhares, certamente na esperança de neste dia arranjarem um qualquer amor de verão. Muito provavelmente será uma busca em vão, por não saber dançar, não saber meter conversa, não saber estar... enfim, por não saber... É assim, a idade, acho que faz parte... Ficar toda a noite com o coração aos pulos, porque se está no processo de encorajamento para a convidar na próxima musica. A próxima chega, e o processo ainda não está completo, talvez na próxima, ou para a outra...
Varro o recinto com o olhar, e consigo notar as ondulações formadas pelo pequeno amontoar de gente, que harmoniosamente sobe e desce, roda e pára ao som de três acordes.
Nova musica começa. Esta tenho que dançar!
Vou ao encontro de uma amiga de longa data. Agarro nela e timidamente entramos naquele mar agitado. Vamos para o meio. Lá todos nos olham, mas ninguém nos vê. Estamos seguros.
Lá em cima, espectadoras atentas. As estrelas. Fieis como sempre. De quando a quando uma cadente. Tenho a impressão que elas já repararam em mim. Repararam que hoje tenho a camisa para dentro, tal como a trazia no meu primeiro baile.
...
- Porque é que nunca demos certo? Pergunta ele
- Porque era a única maneira de não dar-mos errado...Responde ela
...
Apercebo-me que alguém está a ver. Serei eu? Também eu um dia fiz a mesma pergunta.
Mas hoje, estou sentado numa daquelas pedras.