8 de maio de 2006

Felicidade, onde andas?


Sempre que posso, pego na minha bicicleta e lá vou eu dar uma volta até Belém, e hoje não é excepção, afinal de contas mereço, passei para o 9º ano!!!
Na rua está calor e não resisto a parar em frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Enquanto bebo um pouco de água, decido recostar-me num dos muitos bancos, com vista de frente para a famosa fonte de água, que à noite se torna luminosa.
Começo a ver um homem na casa dos 70 anos a vir na minha direcção. Fogo, tanto banco vazio, tinha logo que vir para aqui sentar-se?! Aviso já que não estou com a mínima vontade de dar trela a conversa fiada (penso eu)... E não é que ele se senta mesmo ao meu lado...
Estamos os dois cerca de dois minutos naquele ambiente de tensão silenciosa. Eu desejando que ele se vá embora, e ele decerto que à espera de arranjar a melhor maneira de meter conversa sobre as suas dores nas costas ou os ricos netinhos que ele tem.
Não sei bem como a conversa começou, mas a rica da frase não podia faltar! Porquê, mas porque é que os “cotas” vêm sempre com a mesma frase: ”... se eu tivesse a tua idade e soubesse o que sei hoje...”. Se eles tivessem a minha idade, decerto que iriam andar de bicicleta no dia em soubessem que passaram de ano, penso eu...bem se calhar já não sei. Deixa-me cá ouvir o que ele tem para dizer. Já agora quero saber o que ele fazia se tivesse a minha idade!
- ...Sabes rapaz, o que dizem por aí acerca da felicidade, não está completamente correcto. A felicidade no conceito que tu a tens, não existe! Ela não mora em algum recanto, não é algo que tu possas procurar e guardar, porque simplesmente não existe desse modo, pelo menos do modo que tu pensas...
- (Bem, mas quem é este?)Desculpe lá, mas eu já tenho 13 anos, sei bem o que é a felicidade, felicidade é ver o Benfica Campeão, felicidade é receber dois beijos de bom dia da Ana Rita...
- ... a Felicidade, não está no fim que tu consigas atingir, mas sim o meio que utilizas-te para teoricamente a alcançares. O estado bruto de “felicidade” é nada mais que um mito. A Felicidade mora em pequenos instantes que marcam a tua suposta busca pela “felicidade”. A Felicidade pura está nos gestos técnicos que antecedem os golos da vitória do teu Benfica em cima do apito final, e não no simples gesto da bola passar a linha de golo... a Felicidade não está nos dois beijos que a tal Ana Rita te dá quanto te cumprimenta de manhã, mas sim em todos os momentos que passas com ela e que a levam a pensar que tu no dia seguinte mereces dois beijos.
Eu agora que já não ligo muito à bola, nem tenho Ana´s Rita´s que me dêem beijos, limito-me “apenas” às lembranças e são elas que hoje me preenchem. E olha que para um velho como eu, o poder da recordação é em muito superior ao de um momento incompreendido.
Infelizmente para ti, não será com 13 anos que adquirirás esta capacidade. Vais ainda passar por muitos momentos marcantes, aos quais, sem saberes porquê, vais ser incapaz de lhes atribuir o devido valor, apenas porque não percebes que esses momentos ( festejo do golo) são o prolongamento de tantos outros (os tais gestos técnicos) que dão a beleza ao momento do simples passar da bola pela linha de golo.
Sei que parece complicado, mas tu um dia és capaz de perceber isto...

Agora sei que ele tinha razão! Quem me dera ter 24 anos e ficar feliz com o passar da bola pela linha de golo. Agora que já sei que a Felicidade mora em pequenos instantes, SÓ me falta compreendê-los...

(Nunca é demais lembrar que todas as pequenas histórias por mim colocadas são apenas baseadas em pequenos fragmentos reais, e não são de modo algum o espelho da realidade...)

2 comentários:

Anónimo disse...

Oix! Ainda nao vi muito do blog max parece que está muito bom. Esta história parece que se encaixa em váriox contextos, e fax pensar na razão pela qual nós nao somox capaxex de dar valor aox noxox melhorex momentox. Se calhar é porque ainda nao extamos preparadox para elex...bjoxxx grande. continuem axim Teresa arrimal

Lu disse...

Talvez, se apenas tivessemos o conhecimento dos miúdos, fossemos mais sábios! Era tão mais agradável aproveitar o momento e não pensar e sobretudo exigir, algo mais do que o simples instante...
Tu tás lá... :)
Beijos Lu