
Um dia o Principezinho ensinou-me uma coisa que nunca mais esqueci…
“− Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho – Estou tão triste…
− Não posso – disse a raposa – Ainda não me cativaste.
Ele pôs-se a pensar, e acabou por perguntar:
− O que é cativar?
[…]
− É uma coisa que toda a gente se esqueceu. Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
− Laços?
− Sim, laços. Ora vê: por enquanto para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo…”
Podia até acabar aqui mais este pequeno texto, mas não, ainda tenho que expressar mais umas ideias e coloca-las no papel.
Ainda me lembro do dia em que cheguei: Óculos escuros. Cheguei ao fundo da rua e o meu coração saltava. Frequência cardíaca 268! Ou seria o pulso? Agora sei que era o pulso, pois apenas com o auxílio de uma máquina se consegue avaliar a frequência cardíaca. Irrelevante. Onde é que eu ia?
A taquicardia e o suor que me escorria pela face mostravam o receio. Desde os primórdios da humanidade que estas são reacções do corpo ao desconhecido. Hoje aqui na bênção o sentimento é o mesmo! Receio pelo desconhecido que me espera quando finalmente acabar o curso e entrar na nova etapa que é o trabalho.
Mas é para vocês que são estas palavras e não para falar de mim.
Ao longo destes quatro anos… tantas cenas que começaram, tantas cenas que acabaram, tantas cenas que ficaram na vontade, sem nunca passarem à acção, tantas palavras por trocar, tantas manhãs, tantas tardes, tantas noites com vocês e para vocês. E com isto tudo começaram a sair laços invisíveis de mim. Tira frágeis no início, que com o decorrer dos quatro anos se foram fortificando e criando a verdadeira essência da palavra cativar.
Depois destas cenas todas, só me falta mesmo dar o meu Adeus!
“E quando chegou a hora da despedida:
− Ai! – exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar…
− A culpa é tua – disse o principezinho – Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse…
− Pois quis.
− Mas agora vais chorar!
− Pois vou.
− Então não ganhaste nada com isso!
− Ai isso é que ganhei! Ganhei-te a ti…”
Segundo a ciência, tudo começou com uma grande acumulação de matéria que explodiu dando origem ao grande Universo a que nós pertencemos – o Big Bang. A partir disto cada bocado de matéria, incluindo nós, pequenas partículas num infinito, foi para seu lado começando a separar-se.







