31 de maio de 2006

Nostalgia...


Um dia o Principezinho ensinou-me uma coisa que nunca mais esqueci…
“− Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho – Estou tão triste…
− Não posso – disse a raposa – Ainda não me cativaste.
Ele pôs-se a pensar, e acabou por perguntar:
− O que é cativar?
[…]
− É uma coisa que toda a gente se esqueceu. Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
− Laços?
− Sim, laços. Ora vê: por enquanto para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo…”

Podia até acabar aqui mais este pequeno texto, mas não, ainda tenho que expressar mais umas ideias e coloca-las no papel.
Ainda me lembro do dia em que cheguei: Óculos escuros. Cheguei ao fundo da rua e o meu coração saltava. Frequência cardíaca 268! Ou seria o pulso? Agora sei que era o pulso, pois apenas com o auxílio de uma máquina se consegue avaliar a frequência cardíaca. Irrelevante. Onde é que eu ia?
A taquicardia e o suor que me escorria pela face mostravam o receio. Desde os primórdios da humanidade que estas são reacções do corpo ao desconhecido. Hoje aqui na bênção o sentimento é o mesmo! Receio pelo desconhecido que me espera quando finalmente acabar o curso e entrar na nova etapa que é o trabalho.
Mas é para vocês que são estas palavras e não para falar de mim.
Ao longo destes quatro anos… tantas cenas que começaram, tantas cenas que acabaram, tantas cenas que ficaram na vontade, sem nunca passarem à acção, tantas palavras por trocar, tantas manhãs, tantas tardes, tantas noites com vocês e para vocês. E com isto tudo começaram a sair laços invisíveis de mim. Tira frágeis no início, que com o decorrer dos quatro anos se foram fortificando e criando a verdadeira essência da palavra cativar.

Depois destas cenas todas, só me falta mesmo dar o meu Adeus!
“E quando chegou a hora da despedida:
− Ai! – exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar…
− A culpa é tua – disse o principezinho – Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse…
− Pois quis.
− Mas agora vais chorar!
− Pois vou.
− Então não ganhaste nada com isso!
− Ai isso é que ganhei! Ganhei-te a ti…”

Segundo a ciência, tudo começou com uma grande acumulação de matéria que explodiu dando origem ao grande Universo a que nós pertencemos – o Big Bang. A partir disto cada bocado de matéria, incluindo nós, pequenas partículas num infinito, foi para seu lado começando a separar-se.



O nosso baile...


Grande parte da minha juventude foi passada em frente ao pequeno ecrã. Sempre gostei muito daqueles filmes americanos para jovens, onde não podia faltar a referência ao baile de finalistas. Nesses filmes, era impensável um rapaz ir ao baile sem arranjar um par, e quanto às raparigas... bem, a parte das raparigas já não me lembrava, não me lembrava, mas agora sei que não me vou esquecer!!!
Faltava uma semana para o meu baile de finalistas e já o reboliço tinha começado, na parte das raparigas é claro.
Ele era o penteado, o catalogo do penteado, o vestido, a cor do vestido, as alças, as costas que ficavam às vistas, as ancas que sobressaíam, a racha no vestido que mostrava toda a perna, os sapatos, os saltos dos sapatos, a mala...e o rapaz.
Uma hora e meia depois da hora marcada...(se elas são assim no baile de finalistas imaginem no casamento) lá vinham elas... e aí, eu compreendi o porquê de tanta azafama numa semana... até se me apertou o coração com tanta beleza!
Ao contrario do que acontece nos filmes, poucos eram os casais, mas os que o eram, vinham curiosamente arranjados, o namorado com a gravata a condizer com o vestido da namorada...uma dica a registar.
Enquanto esperávamos pela comida, deu-se o habitual reboliço dos últimos dias...fita para aqui, fita para ali, quando dei por mim já tinha fitas nos bolsos das calças, do casaco, espelhadas na cadeira.. eu sei lá!

No meio do jantar, as conversas iam-se cruzando, e nós com o decorrer do tempo lá nos fomos aproximando. Sempre assim foi, e embora mais uma vez tivesse-mos começado separados...
Finalmente veio a musica, e com ela, o pretexto para acabarmos juntos...

Parei por momentos, e estávamos todos juntos na pista de dança. Nós rapazes lá íamos trocando as nossas impressões, e não vou negar que nos rendemos à vossa semana de preparos!!!
Já em tom de despedida... iam-se tendo conversas proibidas, que muito provavelmente ali morreram. Abraços sentidos com tanta força como se de um grito se tratasse...porquê?
Porque ali, naquele grupo estava um pouco de nós. Um pouco de nós que sabíamos que íamos perder.
Todos crescemos nestes 4 anos, e isso deve-se ao facto de cada um de levar consigo um pouco de todos.

Olhava por cima do ombro enquanto seguia os clic´s das maquinas fotográficas. Não resisti, e fui buscar a minha. Ainda bem que nesta fotografia a musica nunca vai parar...
Guardei a máquina.
Bruscamente... a musica parou de tocar...

30 de maio de 2006

Detesto dias de ventania


Como eu detesto os dias de ventania... Desorganizam tudo! Ele é a roupa, cabelo... o pior mesmo é o nosso pensamento.
Que será que as árvores pensam do vento? Imaginem lá o que é uma vida inteira a lutar contra uma força, contra a qual mais tarde ou mais cedo teremos que ceder. E o pior não é ceder.. o pior é que árvore uma vez torcida pelo vento, jamais volta a ficar direita...
Será mesmo assim?
Mas então se um dia o vento acabar?
A árvore volta ao lugar... ou...

27 de maio de 2006

O cair do sol na Galé...


Cheguei hoje de mais um encontro de Enfermagem, o último enquanto estudante e que marca todo um ciclo que já começa a deixar saudades.
Para trás ficaram quatro anos que sistematicamente testaram os nossos limites, e agora sem explicação, são revividos num somatório de momentos inesquecíveis.
Penso que todos nós de alguma forma neste último ano, aprendemos a viver cada momento como único, não sei bem explicar porquê...
Talvez porque cada aula, cada apresentação de trabalho de grupo, cada jantar, cada abraço, cada brinde, e cada grito académico neste Encontro de Enfermagem, tenham sido vividos como sendo os últimos em que estávamos todos juntos.
A partir de hoje, nada voltará a ser o mesmo...
Resta-nos deixar aqui vincada a vontade, em nos voltar-mos a encontrar no próximo ENEE!
Talvez com mais dinheiro, talvez com mais comodidade, mas de certeza mais pobres, porque vamos perder a riqueza dos repetidos jantares de atum com salsicha à luz de uma única lanterna, sentados de perna cruzada em cima de uma manta de trapos, aconchegados por um céu estrelado enquanto somos vigiados de perto por um batalhão de mosquitos!


Finalmente... Finalistas!!!

Eram cerca das 12h30. Eu furava por entre a multidão. Bem sei que, era apenas mais um ponto negro naquela manta de gente trajada, mas ao menos era um ponto!
Na mão direita levava a pasta com as fitas agora abençoadas e sentia o peito e as costas encharcadas de suor.
Olhei para a minha esquerda e meio que em esforço, alguém não conseguia disfarçar as marcas de um curso, as marcas que ficam para toda a vida.
As lágrimas iam caíndo desordenadamente e aos poucos, o chão foi ouvindo as histórias que cada uma delas contava e que naquele momento, pareciam ser as únicas a exprimir tudo aquilo que ficou por dizer.




21 de maio de 2006

Apenas sonhos

- Porque é que insistes tanto nesse teu sonho estupido?

- Porque um dia alguém me disse que não o poderia viver...

8 de maio de 2006

Felicidade, onde andas?


Sempre que posso, pego na minha bicicleta e lá vou eu dar uma volta até Belém, e hoje não é excepção, afinal de contas mereço, passei para o 9º ano!!!
Na rua está calor e não resisto a parar em frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Enquanto bebo um pouco de água, decido recostar-me num dos muitos bancos, com vista de frente para a famosa fonte de água, que à noite se torna luminosa.
Começo a ver um homem na casa dos 70 anos a vir na minha direcção. Fogo, tanto banco vazio, tinha logo que vir para aqui sentar-se?! Aviso já que não estou com a mínima vontade de dar trela a conversa fiada (penso eu)... E não é que ele se senta mesmo ao meu lado...
Estamos os dois cerca de dois minutos naquele ambiente de tensão silenciosa. Eu desejando que ele se vá embora, e ele decerto que à espera de arranjar a melhor maneira de meter conversa sobre as suas dores nas costas ou os ricos netinhos que ele tem.
Não sei bem como a conversa começou, mas a rica da frase não podia faltar! Porquê, mas porque é que os “cotas” vêm sempre com a mesma frase: ”... se eu tivesse a tua idade e soubesse o que sei hoje...”. Se eles tivessem a minha idade, decerto que iriam andar de bicicleta no dia em soubessem que passaram de ano, penso eu...bem se calhar já não sei. Deixa-me cá ouvir o que ele tem para dizer. Já agora quero saber o que ele fazia se tivesse a minha idade!
- ...Sabes rapaz, o que dizem por aí acerca da felicidade, não está completamente correcto. A felicidade no conceito que tu a tens, não existe! Ela não mora em algum recanto, não é algo que tu possas procurar e guardar, porque simplesmente não existe desse modo, pelo menos do modo que tu pensas...
- (Bem, mas quem é este?)Desculpe lá, mas eu já tenho 13 anos, sei bem o que é a felicidade, felicidade é ver o Benfica Campeão, felicidade é receber dois beijos de bom dia da Ana Rita...
- ... a Felicidade, não está no fim que tu consigas atingir, mas sim o meio que utilizas-te para teoricamente a alcançares. O estado bruto de “felicidade” é nada mais que um mito. A Felicidade mora em pequenos instantes que marcam a tua suposta busca pela “felicidade”. A Felicidade pura está nos gestos técnicos que antecedem os golos da vitória do teu Benfica em cima do apito final, e não no simples gesto da bola passar a linha de golo... a Felicidade não está nos dois beijos que a tal Ana Rita te dá quanto te cumprimenta de manhã, mas sim em todos os momentos que passas com ela e que a levam a pensar que tu no dia seguinte mereces dois beijos.
Eu agora que já não ligo muito à bola, nem tenho Ana´s Rita´s que me dêem beijos, limito-me “apenas” às lembranças e são elas que hoje me preenchem. E olha que para um velho como eu, o poder da recordação é em muito superior ao de um momento incompreendido.
Infelizmente para ti, não será com 13 anos que adquirirás esta capacidade. Vais ainda passar por muitos momentos marcantes, aos quais, sem saberes porquê, vais ser incapaz de lhes atribuir o devido valor, apenas porque não percebes que esses momentos ( festejo do golo) são o prolongamento de tantos outros (os tais gestos técnicos) que dão a beleza ao momento do simples passar da bola pela linha de golo.
Sei que parece complicado, mas tu um dia és capaz de perceber isto...

Agora sei que ele tinha razão! Quem me dera ter 24 anos e ficar feliz com o passar da bola pela linha de golo. Agora que já sei que a Felicidade mora em pequenos instantes, SÓ me falta compreendê-los...

(Nunca é demais lembrar que todas as pequenas histórias por mim colocadas são apenas baseadas em pequenos fragmentos reais, e não são de modo algum o espelho da realidade...)

6 de maio de 2006

Viagem de Finalistas - Brasil


Do altifalante saía uma voz feminina que dizia “...o voo terá uma duração de aproximadamente 6 horas e 55 minutos, desejamos a todos uma boa viagem...colocar os cintos de segurança...dentro de momentos voltaremos com mais informações...”.
Pela janela, via todo aquele mar de luzes que foi o meu mundo por 9 dias. As luzes eram amarelas, um amarelo que transmitia as ultimas impressões da magia daquele que é um lugar quente por natureza, e que me fez pensar em como seria se eu ali tivesse chegado à 500 anos atrás.
Sou interrompido neste meu devaneio pelo Sr. que está sentado ao meu lado esquerdo e que de 10 em 10 minutos teima em ir esticar as pernas...
Queria ver como é que ele faria, se tivesse umas pernas do tamanho das minhas...
Agora que começo a pensar bem, sinto algum vazio...( e não, não é no meu estômago)!

De que serve ter um carro, quando não se tem carta de condução?
De que serve fazer uma festa de aniversário, sem a presença dos melhores amigos ?
De que servem duas vidas paralelas, se só se pode viver uma?
De que serve ser feliz, se não se tem com quem sorrir?
De que serve uma viagem de finalistas, sem aqueles que realmente o são?
Bem, prefiro pensar nos passeios nas dunas desertas, nos corais, nos peixes, nos banhos em águas realmente quentes, na fazenda de cana de açúcar que me transportou para o Séc. XIX, na praia dos golfinhos, naquele pôr do sol, ou mesmo naquele ambiente de samba contagiante, em que os nossos olhos começam a bailar, atrás da sedução que se esconde naquele ritmo, naqueles passos, que artisticamente saem disparados fruto dalgum sangue quente, outrora latino...
Adorei o Brasil, mas lá que teria um gosto diferente convosco, isso teria!