24 de março de 2006

Salsa


(Atendendo a que criámos o blog para que se revissem e porque este “problema” nos atormentava à um tempo, decidimos juntar-nos e pôr a nossa ideia no papel. Desta vez, e porque o tema assim o pedia, juntamo-nos para criar um texto que esperemos que mexa com vocês leitoras. À espera dos vossa indignação nos comentários… ou não. ZapporssöN & Cephas)

Bem, hoje é Domingo... cheguei à pouco da missa, e não sei porque, desde que acordei estou à espera deste momento. Da chamada para o almoço.
Na SIC está a dar um documentário da National Geographic sobre predadores nocturnos, e de vez em quando vem-me ao nariz o cheiro da minha comida preferida: Grão de bico com bacalhau, que eu, em jeito de vingança vou encharcar em azeite, produto da dolorosa apanha da azeitona em Novembro passado... Nem me quero lembrar!
Já à mesa, a minha mãe pede-me para lhe passar um pouco de salsa, que conjuntamente com cebola picada, dá o toque de requinte.
Agora que penso bem, reparo que para a minha mãe, salsa há só uma... a que vem da terra!
No entanto, cerca de 90% dos homens quando ouvem esta palavra, são automaticamente transportados para um local diametralmente oposto, situado a 180º de distância, afinal de contas, estamos a falar do tal toque de requinte...
Todos nós sabemos que as calças da Salsa podem não mudar o mundo, mas lá que o fazem mais belo...fazem!
Agora fico com algumas questões… não estarão estes ideais de beleza e perfeição ligados ao actual consumismo? Não andará a valorização da imagem na sociedade a agravar esta idealização da imagem perfeita?
O certo é que cada vez mais ouvimos em conversas de rapazes a expressão “A Salsa faz milagres!”. Embora isso, e como rapaz falo, coloque sempre a duvida na perfeição… será realidade ou simples transformação?
Não quero com isto dizer, que quem não é dono da tal “beleza aprumada” se deva atirar às paredes, basta seguirem a dica...ou então acordarem para a realidade, pois embora neste mundo existam muitas imperfeições, não deixa de ser o meu mundo, e só por isso, aos meus olhos é perfeito.
Só mais uma coisa... não desesperem!
A perfeição não nasce connosco… procura-se!
Para isso, nunca se esqueçam que por detrás de toda a imPERFEIÇÃO há sempre, mas sempre uma perfeição que nos toca...

19 de março de 2006

Pai...

A todos os Pais do Mundo:


Pai,

Mesmo quando não queremos ajuda,

Preocupa-se com o que fazemos

Pai,

Mesmo quando se irrita,

Continua a sentir amor

Pai,

Mesmo nas dificuldades,

Não nos abandona

Pai,

Mesmo aquando da asneira,

Continua a sentir orgulho

Pai,

Mesmo na maior das tristezas,

Dá-nos o seu sorriso

Pai,

Mesmo não estando presente,

Continua a ser…

Pai

Os pais maus desprezam-se, os bons amam-se… sabes que te amo!

18 de março de 2006

Elástico


Estou a sentir um formigueiro no pé...estou sentado, meio que atabalhoado em cima de uma mesa da biblioteca. Tenho a perna pendente, e estou a fazer uso do meu maior poder...parar o tempo e absorver tudo à minha volta. Olho para o relógio, o ponteiro dos segundos está parado...por pouco tempo, mas está parado.
Não é por acaso que às vezes parece que estou fora, estou a aproveitar esse momento, em que também eu estou parado, e por instantes vos vejo a passar pelo tempo. Limito-me a observar as vossas expressões e os vossos contactos inconscientemente intencionais, como quem sente necessidade de mostrar algo que se resume à palpação dos limites dos outros...são assim os amigos!
Após uma lua nascida e um sol posto...
A musica está alta e mal nos ouvimos, agora que olho bem para ti, reparo que estás triste, tentas que escorregue um sorriso da tua cara, mas tudo o que consigo ver, é o “transpirar” dos teus olhos.
Bem sei que tu tal como eu procuras a felicidade, preenchimento, ou apenas um pouco de consideração.
Bem sei que por vezes, procuras viver os dias de forma fragmentada, de modo a que não haja ligação com aquele dia de ontem, e que a corda que liga o passado com o presente se parta de vez... Mas dizem por aí que estas cordas, na realidade são elásticos.
Se calhar até foste enganada na loja em que compraste a corda...afinal de contas, eles nunca te avisaram que no fundo, se tratava de um elástico!
O pior de tudo, é que parece que lá nessa loja não aceitam devoluções... Resta talvez esperar que o calor dos raios de sol de mais um dia de primavera, acabem por derreter essa corda que está farta de esticar, e teima em não quebrar...
Para isso há que sair da sombra...mas sabe tão bem a sombra em dias de calor!...

13 de março de 2006

O que a neve faz em Agosto...


Seja fonte ou seja mar,
Seja sorte ou seja azar,
Risco os dias não importa,
Que não encontre a tua porta.

Seja chuva ou seja vento,
Seja rápido ou seja lento,
Já esqueci o azul do céu,
Até esqueci que ele era teu.

Parei o tempo num relógio,
E rodei o mundo a meu gosto,
Vou deixar acontecer,
O que a neve faz em Agosto.

5 de março de 2006

Amiga ou namorada? Ainda há duvidas?!


Amiga está lá sempre que precisamos,
Namorada está lá sempre que precisamos e naqueles momentos em que daríamos tudo para que não estivesse;
Amiga respeita o nosso silencio porque somos tímidos,
Namorada explode se nos calamos e não dizemos um “pois”, “hum, hum” ou “tens toda a razão” de 1 em 1 minuto;
Amiga ri-se das nossas palhaçadas,
Namorada manda-nos calar e chama-nos infantis;
Amiga só vê qualidades,
Namorada descobre os nossos defeitos, e em pouco tempo estamos feitos;
Amiga deixa saudades,
Namorada tem saudades...

Depois disto tudo, ainda há duvidas?! Acho que não, quer dizer, talvez sim, porque eu tenho algo de obsessivo...sou confirmador, sabes?!
Todos os dias à noite quando me deito, ligo o alarme da minha aparelhagem e do meu telemóvel por duas vezes, com medo que da primeira algo tenha ficado mal...isto quando não me levanto da cama, só mesmo para ver mais uma vez!!!

A tua “sorte” (ou azar) é que embora sejas minha namorada, sei que um dia foste minha amiga. Que queres que te faça? Preciso de te ver mais uma vez!!!


3 de março de 2006

A minha cara aos olhos dum espelho


Ainda é de madrugada, e pela segunda noite consecutiva não dormi nada de jeito. Apoio os cotovelos no lavatório, instintivamente faço a concha com ambas as mãos, e encho-as de água bem gelada, na esperança que deste modo acorde para a realidade. Enquanto me vejo ao espelho procuro decorar os traços dum sorriso forçado, e faço onze caras diferentes na esperança de encontrar a melhor para levar hoje para o trabalho.
Estamos em pleno Fevereiro, e agora na rua consigo seguir a minha respiração, neste jogo que repito vezes sem conta em dias frios como o de hoje.
Pela primeira vez na minha vida vejo neve em Lisboa, o que me faz sentir especial e pequenina por breves momentos, até que volte a passar em rodapé de pensamento aquela frase que tu me disses-te “Tu não me desiludas...”.
Assustaste-me, sabias?! As lágrimas vêm-me aos olhos, e procuro logo colocar a cara que escolhi hoje de manhã enquanto me via ao espelho. Estou insegura, preciso de alguém que seja o meu reflexo, aliás, o que eu preciso mesmo é do meu espelho, ao menos esse está lá sempre para mim, pronto a ouvir-me, ou até mais do que isso, pronto a partilhar o silêncio que se impõe, quando grito com estes olhos.
Não seria pois, nos rapazes, que eu encontraria a resposta para o meu silêncio. Acho que por vezes eles se esquecem que eu existo, cada um à sua maneira, mas nenhum à minha. Eu tinha que arranjar sempre espaço para os seus Egos gigantescos, que de certo modo me atraíam, mas que aos poucos, me iam destruindo. E Eu? Onde é que havia espaço para mim?
Eu tenho sempre espaço para ele, mas parece que depois de o ouvir, já não há razão para eu falar.
Será que eu não passo de um ser circunstancial, como a bola branca de Snooker, que nunca entra no buraco... Apenas se limita a empurrar todas as outras para o lugar que desejam (o saco de rede), assim que se dá a tacada inicial, neste jogo que alguns denominam de vida.
Mas espera...
Às vezes a bola branca também entra nos buracos... Às vezes o jogador engana-se e ela aconchega-se tal como todas as outras no saco de rede... Às vezes eu também sou feliz... Às vezes até chego a pensar que sou normal, que me sinto completa, tal como todas as outras bolas quando encontram o seu lugar... Às vezes penso que sou como a bola encarnada, azul, amarela, verde ou mesmo laranja...até que oiço algo no tom de “REBENTA A BOLHA”, a jogada é anulada, a bola branca sai do buraco, e nada é tido em conta. A bola branca volta ao local de partida, olha para o tabuleiro verde e tudo o que vê é vazio.
Estava a chegar o momento da despedida, eu sabia que connosco o jogador se tinha enganado, mas também sabia, que quando o comboio partisse, o apito de aviso da partida, iria soar a algo parecido comigo.
De manhã não treinei nenhuma cara para este momento, talvez porque só o quisesse viver uma vez, porque uma vez dói menos...
De volta a casa, parece que ninguém repara, talvez façam como eu... Finjo não ver.